Concessionária Ford

Essa questão já existia, mas parece que com a pandemia do covid-19 ganhou impulso. Matérias na imprensa vêm falando cada vez mais sobre a irracionalidade de possuir automóvel, que resulta mais econômico e prático usar transporte pago, mais sob a forma de táxi e carro de aplicativo do que o velho e conhecido transporte coletivo sobre pneus e trilhos. O assunto é complexo.

Inicio com uma afirmação: só há três tipos de pessoas. As que adoram carro, as que os detestam e as indiferentes. Quem detesta não tem ou já teve um. Os indiferentes os têm quase que por obrigação em face de suas necessidades de locomoção. Já os que adoram dificilmente se verão privados daquele que é a maior expressão de liberdade de todas. Há outras, certamente, como ter o próprio helicóptero, por exemplo, mas está a anos-luz de distância da facilidade de operação e uso que o automóvel particular proporciona.

É claro que no mundo atual não é tão fácil como, digamos, cinquenta anos atrás. Tudo se complicou, o tráfego aumentou consideravelmente, a malha viária não cresceu proporcionalmente ao crescimento da frota, estacionar virou problema em vez de simples manobra, controle de velocidade por meio de recursos tecnológicos  faz de todo motorista um infrator em potencial, e o automóvel nosso de cada dia muitas vezes é taxado de vilão, de — pasme — poluidor.

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A maioria das pessoas acha que o automóvel ameaça o planeta por emitir, com a queima do combustível pelos motores, o terrível gás chamado por extenso de dióxido de carbono, abreviadamente CO2. Que esse gás está criando uma espécie de capa térmica na troposfera e está impedindo o calor se dissipar no espaço, elevando a temperatura do planeta, esquecendo-se ou fazendo de conta que não sabe que o CO2 é ó gás que 7 bilhões de habitantes exalam até quando estão dormindo:é o ar que sai dos nossos pulmões.

Cálculos da Associação Europeia de Construtores de Automóveis (Acea) dizem que do CO2 total emitido, apenas 10% cabe aos automóveis e que o total emitido pelos transportes é 25%. Mas o vilão é o automóvel…

Ter carro pesa no orçamento? Claro que pesa. Como em tudo na vida, comodidade tem custo. Aquisição, licenciamento inicial e anual, imposto anual sobre a propriedade do veículo, seguro compreensivo, e manutenção, além do custo de combustível, não é pouco dinheiro. Mas para quem gosta de carro nada disso é obstáculo. Aliás, este não é de hoje que existe.

Mas, de que consiste a liberdade individual mencionada mais acima? Começa por não se precisar ser conduzido por alguém que não se conhece, que não se sabe qual é seu comportamento social, muito menos sua habilidade ao volante. Continua por sermos donos do nosso tempo e termos um leal servidor à nossa disposição para o usarmos quando e se quisermos, na hora que decidirmos. Isso é liberdade.

Se der vontade de no fim de semana sair da cidade, não precisa alugar nem marcar hora com táxi ou carro de aplicativo. Se no meio do caminho mudar de plano, você decide, é soberano para isso.

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Ultimamente tem surgido o formato de “carro por assinatura”, que nada mais é do que aluguel de longo prazo. É claro que quem oferece um serviço desses não é sociedade beneficente, o objetivo (lícito) é lucrar, você usará um carro que não é seu, há inúmeras regras a cumprir. Com seu carro quem faz as regras é você.


Bob Sharp
Bob Sharp
 é jornalista, foi piloto de competição e teve três passagens pela indústria automobilística. É também o editor-técnico da CARRO e mais um apaixonado por automóveis. Você concorda, discorda ou quer esclarecer algum assunto com o nosso colunista? Envie sua mensagem para: bob@revistacarro.com.br.logo Renault

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