O segundo dia de atividades no centro de pesquisa e desenvolvimento da Honda em Tochigi, no Japão, foi intenso. Você já viu no CARRO ONLINE como foi andar na nova geração do lendário NSX, e agora saberá como é experimentar a tecnologia autônoma da Honda, embarcada num Accord.
Já tive oportunidade de estar num veículo com tecnologia semelhante. Ainda assim, fiquei impressionada com o fato de o Accord estar a 100 km/h dirigindo sozinho. As mãos só precisavam ficar próximas ao volante para qualquer eventualidade, pois o sistema autônomo acelerava, freava, fazia curvas e as tangenciava com a maior precisão. A Honda disse que até 2020 toda a sua tecnologia de condução autônoma estará à disposição do consumidor. Inicialmente, as vendas serão para Japão e Estados Unidos.
De acordo com a Honda, os objetivos principais da tecnologia autônoma são a contribuição para a redução de acidentes, melhorar o fluxo do trânsito e até ajudar pessoas com restrições para dirigir, como as mais velhas. Com velocidades controladas, também haverá uma redução de emissões, uma vez que o veículo trabalhará nas melhores condições possíveis.
Mas a Honda precisa resolver alguns problemas práticos e legais a fim de colocar a tecnologia na rua. Existem situações de emergência que o sistema jamais preveria (como a queda de carga de um caminhão à frente, por exemplo) e, nesses casos, o motorista deverá atuar. Quanto à legislação, há muita discussão nas Nações Unidas, segundo os técnicos da Honda, para definir as regras para o carro autônomo.
Por exemplo: se acontece um acidente, principalmente com vítimas, de quem é a culpa? Do motorista ou do fabricante do carro?
Dentre os principais recursos autônomos do Accord testado, a função Jam Assist é uma das mais notáveis. Ela faz com que o carro mantenha distância segura do veículos da frente mesmo em curvas, seguindo o seu trajeto. Por conta das normas de trânsito, o motorista precisa manter as mãos apoiadas levemente sobre o volante. Embora isso não seja inédito, o caso do Honda impressiona mais, porque trabalha em velocidades elevadas em relação aos concorrentes, partindo dos 10 km/h até chegar aos 80 km/h.
Perguntei aos especialistas da marca se esse sistema inteligente, comandado por câmeras e radares, com atuação em 360 graus, funcionava também à noite, no escuro, ou em condições climáticas complicadas, como na chuva, mas a resposta foi negativa. O processo ainda está em desenvolvimento e o Jam Assist necessita da luz do dia e de boas condições de visibilidade para funcionar corretamente.
RODANDO COM HIDROGÊNIO
Depois da tecnologia autônoma foi a vez de testar o FCV, movido a célula de hidrogênio. Diferentemente do que o senso comum possa esperar, o carro acelerou como um sedã convencional, frustrando qualquer expectativa de monotonia e com a vantagem de oferecer um rodar totalmente silencioso.
O sistema de célula de combustível, de acordo com a fabricante, é 33% menor que o utilizado no conceito FCX, apresentando no último Salão do Automóvel de São Paulo (2014). O trem-de-força é composto por um módulo que aumenta a tensão da voltagem do abastecimento de hidrogênio, um sistema de abastecimento de ar, um turbocompressor elétrico e um motor integrado à caixa de transmissão.
No Japão já há postos de hidrogênio. A carga é rápida, mas o principal é saber que a autonomia permite rodar até 700 km com o “tanque cheio”. A Honda também criou um sistema de abastecimento doméstico, que permite que esse FCV, movido com célula de combustível — ou até mesmo um carro elétrico — sejam fornecedores de energia. Trata-se do Power Exporter 9000. No dia do teste, inclusive, era o FCV que transmitia energia para o abastecimento dos celulares dos jornalistas e o preparo do café espresso.
LANÇAMENTO MUNDIAL
A Honda também aproveitou para apresentar a nova linha de tecnologias de transmissões CVT (continuamente variável) para veículos pequenos e médios. No entanto, o mais interessante foi poder rodar com um Acura (braço luxuoso da companhia) RLX equipado com o novo câmbio automático de dez marchas da companhia. Desenvolvido a partir de outro de seis marchas, ele será utilizado em vários modelos.
Segundo a Honda, trata-se da primeira caixa automática de dez marchas do mundo feita para carros de motor e tração dianteiros. Seu conceito é obter o maior equilíbrio, a qualquer momento da condução, otimizando desempenho, economia e redução de poluentes. A companhia defende que o novo equipamento consegue atribuir um desempenho de um carro V8 a um V6, com retomadas 14% mais rápidas do que o convencional e velocidade de troca de marchas 30% maior (próxima de um câmbio de dupla embreagem).
Além disso, ainda de acordo com a fabricante, o consumo de combustível pôde ser reduzido em 6% e o nível de ruído foi diminuído.
Viagem a convite da Anfavea






