Há pouco mais de cinco anos a Jaguar Land Rover apresentava o modelo mais importante da história moderna da marca britânica, o Range Rover Evoque. O ousado crossover faz jus ao desgastado termo “divisor de águas” e virou sinônimo de sucesso comercial. E a empresa não espera nada menos do que o F-Pace, primeiro SUV da história da Jaguar.
“Ele será para o grupo como foi o Evoque em 2011”, conta Vinicius Frata, gerente de produto da JLR no Brasil. “O F-Pace tem potencial para ser o carro mais vendido da Jaguar no Brasil.” A meta é ousada: o atual líder, o XE, vendeu 301 unidades até julho e é mais barato. O sedã custa entre R$ 181.560 a R$ 324.060, enquanto o F-Pace, com o qual compartilha plataforma, fica na faixa de R$ 309.700 até R$ 416.400.
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O grande SUV britânico fica no mesmo habitat de Porsche Macan e BMW X4, rivais declarados do F-Pace e produzidos por marcas que, como a Jaguar, resolveram entrar no vigoroso e rentável segmento de SUVs. O argumento é o mesmo: manter a esportividade da empresa em uma embalagem mais prática para ir a shoppings e campos de golfe.
Por isso há um bocado de itens de série desde a versão de entrada Prestige, dotada de um 2.0 turbodiesel de 180 cv – segundo a marca, o primeiro motor desenvolvido pela própria JLR na história – junto ao já conhecido câmbio automático de oito marchas da alemã ZF. A tração é sempre integral (com vetorização de torque), com ESC e controlador de velocidade em subida e descida. O pacote também inclui o “básico”: ar-condicionado digital de duas zonas, seis airbags, bancos de couro com ajuste elétrico na primeira fileira, teto solar panorâmico fixo e rodas de 18 polegadas. Por mais de R$ 300.000, porém, fazem falta a chave presencial (opcional de R$ 4.400), volante com regulagem elétrica (incluso em um pacote de R$ 5.900) e câmera de ré (R$ 2.600).
O intermediário R-Sport usa o mesmo V6 3.0 (de origem Ford) superalimentado de 340 cv do XE S e adiciona faróis em LEDs, painel digital, teto-solar elétrico, chave presencial, câmera de ré e sistema de som Premium. No F-Pace S topo de linha a potência do mesmo motor sobe para 380 cv e soma HUD, coluna de direção com ajuste elétrico, rodas de 20” e TV digital entre os principais itens de série. Controlador de velocidade adaptativo, sistema de estacionamento automático e a incomum “chave de atividade” são opcionais em todas as versões que podem, somados, custar até R$ 15.100.
Aqui vale a explicação: a tal chave é uma pulseira que substitui a chave do carro para que seu proprietário possa correr ou nadar sem precisar carregar nada além da pulseira. Seu funcionamento, porém, é confuso e só abre o porta-malas do carro. O teclado numérico na porta, usado pelo Edge e Fusion no Brasil, são mais práticos e simples.
Todas as versões possuem diferenças visuais pontuais, mas mantém a salada formada pela dianteira que remete ao XF com a traseira emprestada do F-Type. A sensação inicial ao ver o F-Pace de perto gera um pouco de estranheza pelas linhas incomuns e o porte avantajado: são 4,73 metros de comprimento, com 2,87 m reservados ao entre-eixos. Mas, após alguns minutos de contato, você se acostuma com o desenho, o que pode ser um sinal ruim; O F-Pace tem um desenho mais pasteurizado do que o pioneiro Evoque.
CARRO ONLINE teve a oportunidade de guiar as três versões por pequenos trechos em diferentes cenários, incluindo uma consideravelmente difícil trilha off-road e um circuito fechado. A ideia foi mostrar como o F-Pace é um SUV sem deixar de ser Jaguar.
Em parte, eles conseguiram: a versão diesel, que será responsável por 60% das vendas, entrega tudo o que a concorrência alemã consegue, mas com um consumo divulgado de 14 km/l na estrada. A estreia do motor Ingenium também é bem-vinda. Apesar de ser 10 cv mais fraco que o 2.2 que ainda equipa o Discovery Sport e Evoque, ele tem um pouco mais de torque e impressiona pela suavidade e silêncio. Com os vidros fechados, só o conta-giros analógico com faixa vermelha nos 5.000 rpm indica a presença de um motor turbodiesel debaixo do longo capô. Na prática, ele deve pouco aos rivais movidos a gasolina.
O acabamento, naturalmente, é quase impecável, com plástico rígido apenas em partes pequenas e/ou fora do alcance visual do motorista. Mas dois pecados ergonômicos podem atrapalhar o F-Pace Prestige.
O primeiro é antigo e envolve a habitual – e ruim – posição dos comandos dos vidros elétricos nas portas dianteiras, na parte superior do forro, como nos Land Rover. O outro surpreende por mudar algo simples: o comando que destrava o ajuste manual da regulagem de direção. Ao invés de usar a tradicional alavanca, a JLR substituiu o mecanismo por um botão giratório. O lado positivo é que ele não exige força alguma para ser acionado, mas dá chance para o motorista esquecer que o mecanismo está destravado – na solução com alavanca, o próprio mecanismo dá um lembrete visual e físico, pois pode encostar na perna do condutor, que o volante está solto.
A fixação em um detalhe tão pequeno se explica pela atenção que a JLR deu a outros elementos, que vão da porta com abertura até a soleira (reduz o risco de sujar a calça ao entrar e sair do carro enlameado) ao botão de start-stop com uma luz pulsante vermelha.
O ótimo acabamento e isolamento acústico se somam ao ótimo espaço interno para dar conforto de sobra a quatro adultos e um quinto elemento com as pernas ligeiramente erguidas por causa do túnel central elevado. Até aí, nenhuma surpresa, já que estamos falando de um SUV da Jaguar.
Mas, dirigindo, o F-Pace poderia levar o brasão da Land Rover tranquilamente. Mesmo no modo mais esportivo de seus programas eletrônicos ele não lida tão bem com sua massa de 1.775 kg e a suspensão mais voltada para o conforto. Maior, mais pesado e mais alto, ele está longe de entregar o prazer ao dirigir do Evoque. A rolagem da carroceria é aceitável para o segmento, mas elimina qualquer pretensão esportiva do SUV. No limite, o ESC quase faz milagres, com a ajuda dos largos pneus de até 26,5 cm de largura.
As versões a gasolina entregam mais velocidade, suspensão ajustável e um ronco diferenciado para apimentar as coisas, mas a física ainda é imbatível. A direção rápida e o câmbio bem programado têm potencial, mas o F-Pace ainda carece de alguns ajustes para ser um Jaguar. Por outro lado, ele é um ótimo Land Rover.
*Viagem a convite da Jaguar Land Rover do Brasil











