É preciso ser fã (ou alguém bem atento) para notar de cara as mudanças do novo Range Rover Evoque 2016. O queridinho dos endinheirados que abrem mão da discrição estreia sua primeira reestilização de meia-vida com poucas alterações. Vamos a elas: faróis e lanternas mantiveram o formato, mas receberam um novo arranjo de luzes, enquanto parachoques e rodas são novos.
Por dentro há um novo sistema multimídia com opção de espelhamento para smartphones (já usado no Jaguar XE) e os puxadores das portas dianteiras foram levemente redesenhados. Os preços vão de R$ 197,5 mil a R$ 281 mil para o modelo importado — a montagem do Evoque na fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ) começa para valer somente em abril deste ano.
Era de se esperar que a — mercadologicamente obrigatória — reestilização impactasse pouco no Evoque. O ousado SUV sempre teve no design o seu maior atributo, e a marca não iria arriscar perder esse charme à toa. Para não dizer que a mecânica segue igual, na Europa a versão diesel estreou o novo motor Ingenium 2.0 de 180 cv. O propulsor, porém, não será oferecido no Brasil por enquanto, sendo mantida a variante diesel 2.2 de 190 cv.
A versão 2.0 turbo a gasolina com 240 cv segue inalterada, assim como o câmbio automático de nove marchas e a tração integral que equipa todos os Evoque no país.
CARRO ONLINE avaliou o “novo” Evoque em uma de suas versões mais caras, a HSE Dynamic de quatro portas, com preço sugerido de R$ 231,5 mil. Entre os itens de série, há rodas de 20 polegadas, ar-condicionado digital de duas zonas com saída para o banco traseiro, teto-solar fixo panorâmico, bancos de couro com ajuste elétrico nos assentos dianteiros e partida do motor por botão.
O pacote de acessórios de fábrica, porém, não vai além do esperado por esse segmento e não conta com chave presencial, item comum em modelos abaixo de R$ 200 mil. O equipamento é opcional, assim como o controlador de velocidade adaptativo com frenagem autônoma, sistema de câmeras 360º e estacionamento automático. Novidade nessa reestilização, os faróis full LED também são opcionais e exclusivos da versão topo de linha Autobiography.
HATCH GIGANTE
Se mudou pouco no visual, o Evoque é igualzinho pra dirigir — o que é ótimo. Um dos SUVs com melhor dirigibilidade do Brasil, continua com fôlego de carro pequeno. A carroceria compacta garante uma relação peso-potência abaixo dos 7 kg/cv, valor atraente para um utilitário esportivo.
Apesar do sangue de Land Rover, o foco do Evoque é o uso urbano, e os pneus Continental 245/45 R20 abrem mão da capacidade fora-de-estrada para entregarem uma ótima aderência no asfalto. A tração integral e o cada vez mais comum sistema de vetorização de torque fazem um bom conjunto com a suspensão independente nas quatro rodas para contornar curvas de média e alta velocidade com excelência.
Não é um Jaguar, mas é o mais perto dele que a Land Rover consegue chegar. Tanta disposição tem seu preço, mas o “custo” é pouco: ainda que seja mais firme do que em outros modelos, molas e amortecedores lidam bem com asfalto e valetas. Pesa contra a visibilidade ruim, especialmente pela pequena vigia traseira. O teto baixo não incomoda passageiros com até 1,80 m que vão no banco traseiro, mas o quinto ocupante passará aperto e o assoalho elevado sob os assentos dianteiros incomoda quem gosta de esticar as pernas.
O Evoque não é um exagero no que diz respeito a espaço interno, e o custo-benefício de seus equipamentos é moderado. Mas o luxuoso acabamento e o visual “vira-pescoço” que são sua marca registrada seguem firmes na linha 2016 para manter o menor Range Rover como uma figura constante em bairros nobres e na porta de restaurantes gourmet.





