A Fenabrave confirmou nesta quinta-feira (2) uma queda de 19,8% nas vendas de carros e utilitários leves no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2014. Mas as notícias ruins não param por aí: depois do péssimo primeiro semestre, a entidade que representa os concessionários revisou a previsão de queda anual, que era de 18%, para 23%.

Alarico Assumpção, presidente da Fenabrave, comentou os números: “O Brasil perderá em 2015 o que o México espera consumir de carros e utilitários”. Ele fez outra previsão sombria: “A projeção é que 5% dos pontos de vendas fechem até o fim do ano, aproximadamente 400 concessionárias”, disse.

Números finais de junho e do 1º semestre (fonte: Fenabrave)
Segundo ele, 250 já fecharam (mas houve abertura de novas também). “As demissões já atingiram 12 mil pessoas e esse número pode chegar a 20 mil até o fim do ano”, completou o executivo.

A economista Tereza Fernandez, da Mendonça de Barros Associados, consultoria que atende à Fenabrave, disse que existem alguns fatores para a entidade esperar uma queda de 23%: “Falta de confiança no futuro e no governo, Operação Lava jato, denúncias contra o PT, ajuste fiscal que não sai e está derrapando, clima político de salve-se quem puder, classe C sofrendo com a alta do desemprego e a restrição ao crédito”, enumerou ela.

Alarico e TerezaSegundo Tereza, o cenário também tira a confiança de novos investidores, o que dificulta ainda mais o crescimento do Brasil. Ela não explicou, no entanto, por que apenas as denúncias contra o PT influenciam no cenário de baixas nas vendas. Denúncias contra os demais partidos não teriam o mesmo efeito?

A Fenabrave também anunciou expectativa de retração de 2,1% do PIB nacional este ano, com inflação entre 9,2% e 10%. Para 2016, espera-se mais um ano difícil, com o PIB recuando 0,6%. Ou seja, a Fenabrave acredita que o Brasil só voltará a crescer em 2017, e em pequena escala: “A retomada do crescimento aparecerá no final de 2016 ou depois”, disse Tereza.

Outros setores da indústria automotiva também estão sofrendo com a crise, como o de caminhões, que já caiu 42,1% no acumulado do ano e tem previsão de fechar 2015 com queda de 45%. Já o setor de motocicletas viu as vendas caírem 10,6% no acumulado do ano, mas é o que tem a melhor previsão para o final de 2015 (ou a menos pior): queda de 9%.

O autor é repórter da Agência Auto Informe

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