No dia 11 de dezembro, a BMW dará mais um passo importante na sua trajetória de 18 anos de presença oficial no Brasil. Nessa data, a marca alemã fará um evento plural em Araquari (SC). Será uma programação com quatro atrações: o lançamento da pedra fundamental na área onde será erguida a futura fábrica, a apresentação do Série 3 com motor flex, a exibição — estática — do elétrico BMW i3 e o anúncio dos dois modelos que a fabricante produzirá no Brasil.
À frente dessa operação, está o economista Arturo Abgariani Piñeiro, 48 anos, que assumiu a presidência da BMW Brasil em abril passado. Paulista de São Bernardo do Campo, Piñeiro trabalha na BMW há 18 anos e, antes de regressar ao Brasil, ocupava a vice-presidência da companhia nos Estados Unidos para as divisões Central e Oeste. Naquela região, o grupo responde anualmente pela venda de 80.000 carros BMW, 25.000 MINI, 45.000 seminovos e por um faturamento de US$ 500 milhões de peças.
Agora no Brasil, os desafios são muitos. “O país é um dos melhores mercados do mundo, tem uma importância transcendental. Mas, ao mesmo tempo, é imaturo em alguns aspectos, como pós-venda, na orientação aos clientes e nas oportunidades com o segmento de seminovos. O problema é que nem sempre o governo ajuda. Ele deveria facilitar principalmente nos aspectos fiscais”, destacou Piñeiro, durante um café da manhã hoje com jornalistas do setor automotivo.
A fábrica de Santa Catarina deverá ser inaugurada em setembro de 2014, com capacidade instalada de 32.000 automóveis fabricados por ano, volume, porém, que só deverá ser alcançado em um período de quatro anos. No entanto, antes mesmo da estreia da unidade, Arturo Piñeiro tem objetivos muito bem traçados. “É preciso melhorar a logística do fornecimento de peças da Alemanha para cá e daqui para a rede de concessionárias”, diz.
Ele conta que alguns itens, como airbag, precisam de uma licença de importação especial, o que causa uma burocracia no desembaraço da liberação. Por vezes, isso acaba impactando nos carros que ficam parados nas concessionárias. “O ideal é um automóvel permanecer na oficina para conserto no máximo 72 horas. Se esse período se estende para 10 dias, por exemplo, cria-se um gargalo e torna a situação muito crítica”, revela.
O executivo saúda a iniciativa das rivais Mercedes-Benz e Audi de também construir fábricas no Brasil. A BMW foi a primeira a anunciar o seu projeto, durante o Salão do Automóvel de 2012, embora a decisão tenha sido tomada em 2010. Piñeiro repete o discurso das concorrentes. “A competição é sempre salutar e a atuação das três no país ajudará no desenvolvimento dos fornecedores”, afirma. A fábrica da BMW em Araquari vai gerar 1.300 postos de trabalho diretos e 2.500 indiretos, com prioridade de contratação de mão-de-obra local.
Piñeiro calcula que deverá exercer o cargo no Brasil por aproximadamente quatro, cinco anos. Perguntado pelo Carro Online se assumir o posto foi um desafio, uma chance de voltar ao país onde nasceu ou uma imposição da BMW, ele respondeu com bom humor: “Fui chamado pela minha chefia, que me comunicou que eu tinha todas os atributos para a função. Em seguida, eles falaram: ‘Por favor, não diga não’. Quando somos contratados pela BMW, sabemos que estamos sujeitos a essas transferências’, salienta.
Durante a sua “gestão”, Arturo Piñeiro estabeleceu uma outra missão importante: ampliar para 70 o número de concessionárias até 2016. Hoje são 44. E, depois do Série 3, outros modelos da BMW receberão tecnologia flex? “Primeiro vamos ver a resposta que o mercado dará ao Série 3. Depois analisaremos as possibilidades”, conclui.

