O novo Classe S não é baseado em nenhum outro modelo da Mercedes

Pode uma ondulação no asfalto surgir e desaparecer ao mesmo tempo? Parece impossível, certo? Mas no novo Mercedes-Benz Classe S essa pergunta é real: os olhos enxergam a imperfeição no piso e o sedã passa por cima dela, mas nada é sentido a bordo.

BMW Série 7

Parece até que a ondulação desapareceu no ar. Nenhum Maybach, nenhum Rolls-Royce, nenhum Bentley e nenhum BMW Série 7 (utilizado aqui como referência) faz coisa igual. A Mercedes conseguiu revolucionar em termos de conforto, porque este desenvolvimento vai além da sofisticação habitual. É justo que ele seja chamado de Magic Carpet, ou seja, tapete mágico.

Mercedes-Benz Classe S

Mas agora vem a restrição: esse recurso só funciona em ondulações extensas, a luz do dia e até 130 km/h. Uma câmera procura pelas imperfeições na pista e tem de identificá-la assim como o olho humano. À noite, esses “olhos” não identificam nada. E a velocidades mais elevadas, a capacidade de processamento dos computadores ainda não é suficiente para dar as instruções necessárias a tempo de os amortecedores absorverem as ondulações perfeitamente.

BMW Série 7

O Magic Carpet não consegue eliminar pequenos choques (como em juntas de pontes e viadutos, por exemplo). Quanto à rolagem da carroceria, os avanços são menos perceptívies, já que muita coisa foi feita com o passar dos anos. Mas é possível dizer que a suspensão pneumática responde melhor do que antes, em comparação com o Série 7, e que amortecem bem melhor do que no Audi A8.

Mercedes-Benz Classe S

O recurso mágico disponível apenas nas versões com motores V8 é a inovação mais espetacular do Classe S, mas não é a única. Para se ter ideia, o comunicado de imprensa da novidade tem nada menos que 132 páginas tamanho A4, e não há desperdício de papel. Mesmo um resumo preencheria o espaço desta matéria. Portanto, nos restringimos ao essencial: o novo sedã não possui lâmpadas incandescentes, em vez disso, utiliza apenas LEDs. Além disso, a intensidade das luzes de freio à noite é reduzida para não ofuscar quem vem atrás.

O banco traseiro do BMW não é reclinável, mas conta com opção de massageador

Um grande monitor exibe velocímetro e conta-giros, os indicadores convencionais pertencem ao passado. Agora são mostradas informações adicionais, como mapas que parecem reais, que desviam menos a atenção do que olhar para o monitor central.

O Mercedes oferece, opcionalmente, um Business Centre no console central

Existe também um teclado de telefone e opção de comando de voz para obter rapidamente endereços e leitura de mensagens SMS. Assim, mesmo os viciados em celulares não precisam mais ficar mexendo no smartphone durante a condução. E o melhor é que todos esses comandos são amigáveis e intuitivos.

A reclinação do banco traseiro reduz a área do porta-malas

A esta altura, você pode estar se perguntando: se estamos falando da versão longa do Classe S, então por que ainda não descrevemos a parte de trás da cabine? Antes, é bom lembrar que no mercado americano todos gostam de exibir o carro que têm, e quanto maior, melhor. Mas na Europa, um veículo luxuoso como esse seria mais um carro de chofer. Quem está atrás não se preocupa com a operação do sistema multimídia. Apenas quer tranquilidade para trabalhar ou relaxar.

O porta-malas do 750Li é capaz de abrigar 500 litros de bagagens

E como relaxar lá atrás? De preferência nos chamados bancos executivos semelhantes às poltronas da classe executiva da Lufthansa. Por meio de um botão, a poltrona desliza à frente e reclina o encosto até o painel com o apoio de cabeça removido. Isso cria tanto espaço, que permite até que este repórter de 1,80 m se estique confortavelmente.

Uma brincadeira, porém, é o perfume no interior — graças ao frasco substituível no porta-luvas. Mais relaxante ainda é a “massagem com pedras quentes”. Junto com o aquecimento dos bancos, 14 almofadas de ar controladas separadamente realmente dão a impressão de estar sendo massageado suavemente por pedras aquecidas. É algo que a concorrência não tem, mas a Audi, ao menos, oferece no Audi A8 um banco reclinável parecido.

Somente no Mercedes existe a sensação de viajar em um “mundinho próprio”. Com o fechamento das portas, é possível bloquear o mundo, suas influências são transmitidas tanto quanto necessárias para a segurança no trânsito. Perturbações, no entanto, não são permitidas e a cabine do Classe S não é abalada nem mesmo com o som de um escapamento esportivo incômodo.

Do motor de 8 cilindros, percebe-se apenas um som grave o suficiente para fazer com que o biturbo de 4.7 litros seja considerado um calmante poderoso em posição de atender qualquer desejo de acelerar imediatamente.

A caixa de câmbio trabalha proporcionando confiança quando não é preciso chamar a atenção para si mesma através de mudanças de marchas rápidas, percebidas por conta de um leve empurrão. No S 500 sempre é engatada a marcha certa — qual, como e quantas é indiferente aos passageiros. Limusines têm de parecer sempre soberanas quando estacionadas ou quando não têm que demonstrar suas qualidades em curvas, o que, na categoria luxo, estaria fora de lugar. E pode estar certo de que este novo Mercedes é assim, embora ele possua uma grande capacidade de vencer trechos sinuosos.

Para viagens rápidas, o novo Classe S se sai melhor do que o BMW Série 7. Podemos dizer isso pelo fato de ele chegar ao seu destino em um tempo menor, por exigir o mínimo de esforço na sua condução e — graças a isso — pelo fato de seu motorista estar tão descansado no local de chegada quanto na hora da partida.

O fato de “anjos da guarda eletrônicos” manterem suas mãos sobre os passageiros durante a viagem não é onipresente, mas sim repercute mais como uma espécie de confiança básica. E o Mercedes protege seus ocupantes não só com o arsenal de tecnologia mais completo atualmente, mas também pensa no parceiro mais fraco da rua, o pedestre. Se o motorista do Classe S ignorar um pedestre, o carro primeiro alerta por meio de um apito. Se, mesmo assim, o motorista não reagir, o carro freia automaticamente.

Ainda é cedo para críticas, pelo menos nenhuma que vá além daquelas típicas da categoria, como tamanho, peso e preço. Embora o teste completo ainda esteja por vir, a sensação de ter passado um dia inteiro com o melhor carro luxuoso do mundo é inevitável.

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