O Nissan Sentra deve mudar bastante até o final deste ano. Trata-se de uma reestilização de meio de geração (a atual foi lançada em 2013), só que mais profunda que o habitual. No Brasil, a marca japonesa acaba de lançar o Sentra ano-modelo 2016, que passou a oferecer controle de estabilidade nas versões mais completas.
“Será um Sentra incrivelmente renovado”, disse Fred Diaz, vice-presidente de vendas da Nissan para os Estados Unidos, que deve ser o primeiro país a receber a novidade. Segundo o Automotive News, o executivo não entrou em detalhes, mas frisou que o carro será praticamente todo novo. (A referência é ao estilo e ao conteúdo; não ocorrem mudanças drásticas no trem-de-força no meio de uma geração.)
O mercado recebeu a fala de Diaz com surpresa. O Sentra sempre teve dificuldades na comparação com seus dois principais rivais, Toyota Corolla e Honda Civic. A geração anterior, que foi promovida no Brasil com o mote de não ser “carro de tiozão”, era de gosto duvidoso. A anterior a ela, mais ainda.
Porém, na atual geração o Sentra não apenas ficou realmente bonito, como também obteve seu recorde de vendas nos EUA, com 183.268 emplacamentos em 2014. Um crescimento de 42% em relação ao ano anterior e seu melhor resultado em 25 anos de vida.
NÃO PODE PARAR
O Automotive News lembra que, ao menos no mercado americano, as mudanças visuais e de conteúdo passaram a ser mais constantes e incisivas, devido tanto ao acirramento da concorrência como à reação positiva ou negativa do mercado. O Honda Civic, por exemplo, teve uma reestilização malsucedida em 2012, que foi retocada em 2013. O ano-modelo 2014 também foi mexido, e agora espera-se mais mudanças para 2016.
Os primeiros rumores sobre a reestlização do Sentra dão conta de uma inspiração no Pulsar, hatchback apresentado no Salão de Paris do ano passado e por ora voltado apenas ao mercado europeu; trata-se de um carro meio sem graça, mas alinhado à identidade visual da Nissan (repare na grade frontal com elemento central em “V”, já presente nos crossovers europeus). O porte e as lanternas traseiras semelhantes às do Sentra (apenas mais abertas) sugerem que a especulação tem sentido.
O Altima, sedã grande da Nissan e best-seller da marca nos EUA, também deve mudar para 2016, mas emprestando o visual de modelos maiores.

SUCESSO LOCAL
No Brasil, o sedã da Nissan enfrenta, além da dupla de compatriotas japoneses, players como Ford Focus Sedan, Chevrolet Cruze, Citroën C4 Lounge e Volkswagen Jetta. No acumulado de vendas este ano, até o final de maio, está num honroso terceiro lugar no segmento dos sedãs médios, com 6.014 emplacamentos.
É fácil concluir que a Nissan do Brasil não gostaria de mexer em carro que está ganhando, mas não vai ter jeito — o Sentra vendido aqui é fabricado no México, que abastece os mercados das Américas.


