Sem valor de revenda: instalar acessórios por uma questão de gosto pessoal, tudo bem. Mas eles não elevarão o preço do carro

Depois de anos tendo apenas carros compactos ou no máximo hatches médios na garagem, o corretor de imóveis João Eliseu Passos realizou o sonho de adquirir um sedã médio. Optou por um Honda Civic porque sempre ouviu dizer que é um carro durável – como todo veículo de origem japonesa – e que dá pouco problema. Decidiu, então, instalar na concessionária (para não correr o risco de perder a garantia) dois itens que considera importantes: farol de neblina (ajuda a iluminar a via, antevendo pequenos obstáculos ou mesmo buracos escondidos) e sensor de estacionamento traseiro. “Algumas versões têm câmera de ré, mas achei o sensor interessante por avisar, por um alerta sonoro, se ele está próximo de uma parede ou de outro carro parado durante uma manobra de estacionamento”, diz.

Passos investiu cerca de R$ 5.000 nesses equipamentos e em mais alguns penduricalhos. Se quisesse outros, como central multimídia, protetores de para-choques e rodas diferentes, a conta ultrapassaria R$ 10.000. Ele imagina que daqui a dois ou três anos, quando for trocar de carro, poderá recuperar esse investimento.

“Se gastei aproximadamente R$ 15.000 com acessórios, ao menos recupero metade disso, argumentando com o futuro dono do veículo o quanto paguei e as vantagens que os itens trazem ao automóvel”, acredita. Mas será que o raciocínio do corretor está certo? Vale mesmo a pena “rechear” o modelo achando que, tempos depois, será possível reaver o valor gasto? Confira algumas dúvidas mais frequentes sobre o tema para não perder dinheiro futuramente.

Depois de investir entre R$ 10.000 e R$ 15.000 em acessórios em um modelo 0 km, é possível recuperar o investimento na hora da revenda?
Não. Esse é um dos grandes mitos da revenda de automóveis. “O investimento nos acessórios colocados no carro não é recuperado”, revela Renato Gianni, proprietário da loja RG Multimarcas, de São Paulo.

Há vantagens em ter acessórios no carro?
Em primeiro lugar, é o prazer pessoal. Afinal, se você instala acessórios é porque gosta da funcionalidade ou da estética deles. Do ponto de vista da revenda, também há uma boa notícia: “Um carro mais bem equipado tem mais chance de ser vendido mais rapidamente”, afirma Gianni. Mas vender mais rápido não significa vender por mais.

Isso significa que acessórios podem ser um critério de desempate?
Exatamente. Dois carros nas mesmas condições, com um deles bem equipado – o que não significa alterações do tipo tuning nem modificações no projeto original do veículo, como rebaixamento de suspensão –, fazem com que os acessórios atraiam mais a atenção de compradores em potencial. “O mais bem equipado sai na frente.”

Quais equipamentos aumentam a chance de uma venda mais rápida?
Segundo Gianni, são os acessórios que não costumam vir de série no modelo, caso de teto solar, sensor de estacionamento, bancos de couro (de preferência o instalado na fábrica, em vez do colocado pela concessionária) e kit multimídia.

Todo acessório acelera a venda?
Não. O tuning pode até mesmo travar qualquer tipo de transação. “Os itens que empacam a venda de um veículo são aqueles que não estão na especificação, como rodas fora da medida (que podem comprometer segurança, dirigibilidade e consumo), escapamentos esportivos (muita gente simplesmente odeia o barulho) e outras peças de tuning que descaracterizaram o carro a ser vendido”, conta o especialista.

É bom ou ruim comprar um carro sem ar- -condicionado para economizar?
Isso é péssimo. Quem comprou um automóvel sem ar-condicionado para não gastar um pouco mais, além de passar calor, não economizou em nada, pois o modelo vira mico. Hoje, todo mundo quer o conjunto ar-condicionado, direção assistida (que pode ser hidráulica ou elétrica), vidros e travas com acionamento elétrico.

Quem fez questão de adquirir um carro com airbags e freios com ABS antes da obrigatoriedade desses itens no começo do ano vai se dar bem na hora da revenda? 
Sim. Airbag e ABS nos carros pré-2014, quando os itens passaram a ser obrigatórios, também são fatores de valorização, uma vez que o consumidor começou a ter maior familiaridade com esses equipamentos de segurança.

Há casos em que um carro não foi vendido por estar tunado?
Pode acontecer. Gianni afirma nunca ter presenciado o fracasso de uma venda por conta da instalação desse de acessórios típicos de tuning. “Mas, em alguns casos, tivemos de retornar às características originais para fechar a venda”, testemunha. Por isso, ele aconselha que os equipamentos originais sejam guardados para quando o carro for vendido.                                        

 

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