A pós modelos como o mítico MP4-12C e o incrível P1, o supercarro com tecnologia híbrida, era difícil imaginar que a McLaren fosse capaz de produzir algum outro esportivo tão empolgante.
Assim, quando a fabricante de Woking exibiu o 650S no Salão de Genebra deste ano, muita gente ficou ressabiada. Alguns chegaram, até a imaginar que se tratava do sucessor do 12C. O motivo pode ser a similaridade que o novo cupê ostenta em relação ao citado modelo, especialmente na traseira. Já a parte frontal parece ter sido inspirada no híbrido P1.
As portas no estilo tesoura são estilosas, mas restringem um pouco o acesso. O painel e o quadro de instrumentos, por sua vez, têm identidade própria, não guardando semelhanças com o do 12C. O estilo parece minimalista, com poucos instrumentos à vista, mas a tela no centro do console (que invade o painel) exibe diversas informações, assim como as duas telas ao lado do conta-giros/velocímetro à frente do motorista. Tudo está à mão, facilitando a condução.
O modelo Spider que estava à nossa disposição contava com os bancos opcionais com estrutura em compósito de fibra de carbono e revestidos de Alcantara que, além de serem mais envolventes, ainda são 15 kg mais leves. O teto retrátil pode ser instalado ou recolhido numa operação que demora 17s e pode ser feita com o carro em movimento, desde que até 30 km/h. Sensacional!
Vale lembrar que, em relação à versão cupê, a Spider possui 40 kg adicionais, mas, mesmo assim, o peso de 1.370 kg não é excessivo. Além disso, rodar a céu aberto com este modelo proporciona uma experiência única. O ronco do motor V8 3.8 turbo chega aos ouvidos com mais intensidade e consistência, e a aerodinâmica do modelo não causa muita turbulência no interior da cabine. É possível manter conversas sem ter de aumentar muito o tom de voz, mesmo em velocidades mais elevadas, ou ouvir as música preferidas sem problemas.
O já citado motor V8 gera 650 cv, ou 25 cv a mais que o do 12C, além de 69 mkgf, que se mantêm de maneira praticamente linear por uma ampla faixa de rotações. A potência extra foi obtida por novos cabeçotes, turbocompressor e escapamento, além do remapeamento da central eletrônica, entre outros detalhes.
Outra característica impressionante desse motor é a elasticidade. Com o pé no fundo, a velocidade e os giros sobem de maneira uniforme até 8.500 rpm, quando ocorre o corte. O melhor é que isso também acontece nas retomadas, desde as velocidades mais baixas. Não é à toa que o Spider consegue acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 3s e atinge os 200 km/h em 8s4.
Como se não bastasse, o McLaren 650S ainda supera os trechos sinuosos com uma facilidade incomum. A estrutura de plástico reforçado com fibra de carbono exibe uma rigidez fenomenal, enquanto a suspensão independente, montada em um subchassi de alumínio, realiza seu trabalho de forma impecável. O conjunto é praticamente o mesmo do MP4-12C, mas com ajustes específicos. O resultado é perfeito.
O câmbio robotizado de dupla embreagem trabalha de forma impecável, mesmo no modo automático e com o programa de gestão do motor na opção Normal (pode-se optar ainda pelos modos Sport e Track, para competição). Mas o melhor é comandar as trocas manualmente, por meio das borboletas junto do volante.
Na estrada, o 650S transmite tanta confiança que chega a ser perigoso tentar levá-lo ao limite. Ainda mais com o seletor de gestão no modo Normal. Um pouco mais tarde, tivemos a oportunidade de avaliar o Spider em uma pista, onde, aí sim, pudemos levar o carro ao extremo.
Mas, mesmo assim, o carro — que se revela um verdadeiro míssil — não dá sinais de estar próximo do limite. Percebe-se apenas uma leve saída de traseira ao se despejar potência nas saídas de curva, mas nada que chegue a assustar.
Se a McLaren já tinha um dos melhores esportivos do mundo, o 650S não deixa por menos. E caso a fabricante pretenda encerrar a produção do 12C, certamente já tem um sucessor à altura.
Ficha técnica
Motor V8; central traseiro; longitudinal; gasolina; Velocidade máxima: 333 km/h; Aceleração (0 a 100 km/h): 3s; Cilindrada: 3.799 cm3; Potência: 650 cv a 7.250 rpm; Torque: 69,2 mkgf a 6.000 rpm; Câmbio: dupla embreagem, 7 marchas; Tração: traseira; Rodas liga leve, aro 19″; Suspensão dianteira triângulos superpostos; Suspensão traseira triângulos superpostos.
