Três marcas chinesas – Lifan, Chery e Geely — chegam ao Salão do Automóvel com uma coisa em comum: todas têm motivos para comemorar. Ao fazer questão de ressaltar que, atualmente, o SUV X60 é o modelo chinês mais vendido no Brasil, a Lifan fez do evento o grande palco para apresentar o X50. O discurso não é novo: segundo o diretor de marketing da marca, Luiz Zanini, trata-se de um mini utilitário esportivo que vai inaugurar um segmento no Brasil.
O X50 será lançado no segundo semestre de 2015. Mede 4,10 m de comprimento e 2,55 m de distância entre-eixos (para comparação, o Ford EcoSport tem 4,23 m e entre-eixos de 2,52 m). O motor é o mesmo que equipa o recém-lançado sedã compacto 530, ou seja, 1.5 de 103 cv de potência. A unidade exibida era um protótipo. “O modelo ainda passará por melhorias na suspensão e nas rodas. Ficará mais parrudo”, revela Zanini.
A Lifan também mostrou o sedã médio de luxo 820, com motor 2.4 VVT e câmbio automático de 6 marchas. A fabricante, porém, cogita trazer para o Brasil uma versão com motorização 2.0. Se depender do entusiasmo com o 530, a Lifan vai apressar a chegada do 820. “A receptividade do 530 tem superado nossas expectativas”, afirma o diretor comercial da Lifan, Jair Leite de Oliveira.
Para avançar no mercado brasileiro, a Lifan sabe que não pode dar nenhum passo em falso. Para isso, tem um centro de distribuição de peças em Salto (SP) com 5.000 itens, capaz de atender 90% da demanda de forma imediata. Outra medida importante é aumentar a rede de concessionários. Hoje, são 49 representantes. “Pretendemos virar o ano com 62 e chegar a 80 até metade do ano que vem”, anuncia Oliveira.
A festa continua com a Chery. Ela participa do Salão já na condição de fabricante brasileira depois da inauguração das suas instalações em Jacareí (SP), que consumiram investimentos de R$ 1 bilhão.
O primeiro carro nacional será o Celer, que entra em produção em dezembro e começa a ser vendido no começo de 2015. Como fez questão de anunciar o presidente da Chery Brasil, Roger Peng, “trata-se do primeiro Chery de chassi, peças e coração brasileiro”.
No ano que vem, a fabrica amplia sua linha de carros nacionais, com o novo QQ com motor Acteco 1.0 de 3 cilindros, com 69 cv de potência. O terceiro modelo a ser produzido em Jacareí é um novo SUV. A Chery divulgou ainda seu novo conceito mundial, chamado New Generation, que norteará o desenvolvimento dos modelos da marca com alto investimento em pesquisa e desenvolvimento.
Em sua primeira participação no Salão do Automóvel de São Paulo, a Geely apresentou os modelos já vendidos no Brasil – o sedã EC7 e o compacto GC2. Tem mais: colocou em seu estande o utilitário esportivo EX7, que terá motor 1.8 e que será vendido por aqui no segundo semestre do ano que vem, o compacto aventureiro GX2, que desembarca no primeiro trimestre, e o concept FE7 Hybrid.
Dona de 100% da Volvo Cars, a Geely, em um futuro próximo, desenvolverá modelos em plataforma comuns, com motores 1.0, 1.3, 1.5, 1.8, 2.0 e 2.4, com câmbios manual e automático. “São 60 modelos que Geely e Volvo poderão desenvolver juntos nos próximos três anos”, afirma Ivan Fonseca e Silva, presidente da Gelly do Brasil.
A Geely tem muitos planos para o Brasil. Um deles já é uma certeza, segundo Fonseca e Silva: a construção de uma fábrica no Brasil. “O desejo de expansão no país tem que passar por uma fábrica aqui. Não temos dúvida disso”, finaliza o presidente.