Vittória Gabriela da comunidade Dona do Meu Destino ao lado de carro

Com 5,6 milhões de habilitadas entre 51 e 70 anos, motoristas maduras ampliam conhecimentos sobre manutenção para conquistar mais autonomia

Dirigir deixou de ser o único símbolo de independência para muitas mulheres. Aos 50 anos ou mais, cresce também o interesse em entender o próprio carro, reconhecer sinais de problemas e saber avaliar serviços de manutenção. O movimento mostra uma mudança na relação das motoristas maduras com o automóvel.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), baseado em dados da Senatran e do último Censo Demográfico, o Brasil tem 5,6 milhões de mulheres habilitadas entre 51 e 70 anos. O número já supera o contingente estimado de condutoras entre 41 e 50 anos, de 5,5 milhões.

A busca por conhecimento também aparece em iniciativas voltadas à educação automotiva feminina. É o caso da comunidade Dona Meu Destino, que promove oficinas práticas e conteúdos sobre funcionamento e manutenção de veículos.

De acordo com Vittória Gabriela, da comunidade, a participação de mulheres maduras nas oficinas aumentou. Para ela, o interesse está ligado a uma mudança no papel dessas motoristas, que passaram a assumir sozinhas decisões que antes eram compartilhadas com outras pessoas. Vittória revelou que entender sobre o veículo virou uma forma de reduzir a dependência delas e até a tomar decisões com mais segurança.

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Conhecimento ajuda na manutenção do carro

Criada a partir de uma experiência pessoal com problemas de manutenção, a comunidade Dona Meu Destino reúne mais de 890 mil mulheres nas redes sociais. Os conteúdos publicados pela comunidade já ultrapassaram 4 milhões de visualizações. Fora do ambiente digital, a procura também é significativa. Mais de 3.500 mulheres estão na lista de espera para participar das oficinas presenciais de mecânica básica.

Segundo Vittória, o perfil das participantes também mudou. Se anteriormente muitas procuravam os cursos depois de enfrentar panes, prejuízos ou problemas no atendimento, atualmente há maior procura preventiva. Ela pontua que as mulheres querem aprender antes que um problema aconteça.

A proposta das oficinas não é transformar as participantes em mecânicas, mas oferecer conhecimentos que ajudem nas decisões relacionadas ao veículo. Isso inclui identificar serviços desnecessários, reconhecer sinais de desgaste e compreender melhor uma revisão ou orçamento.

Mulheres assumem mais decisões sobre o carro

A mudança ocorre paralelamente ao aumento da participação feminina na responsabilidade pelos lares. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2024, apontam que mulheres são responsáveis por 49,1% dos lares brasileiros, contra 38,7% em 2010. Ou seja, essa nova realidade também pode influenciar decisões relacionadas ao automóvel, desde a escolha de uma oficina até a avaliação de uma troca de peça.

Para quem está começando, Vittória afirma que não é necessário ter conhecimento técnico. Noções como verificar o nível de óleo, observar o desgaste dos pneus e entender a importância das revisões periódicas já ajudam a ampliar a autonomia.

A comunidade pretende ampliar as turmas presenciais de mecânica básica e levar os encontros para outras regiões. Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte estão entre as capitais consideradas pela iniciativa. Também estão em desenvolvimento versões online dos cursos para alcançar mulheres de diferentes estados.

 

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