Nas concessionárias há mais de três meses, a linha 2015 do sedã JAC J5 traz novidades no visual que o deixaram mais atraente. Partindo de R$ 58.990, o chinês agora conta com três níveis de equipamentos, sendo que o pacote completo custa R$ 63.990 (foi este que experimentamos).
As mudanças estéticas do novo J5 beberam em diferentes fontes. Há influências alemãs, especialmente no estilo mais afilado dos faróis; e na traseira há quem veja uma “influência” da BMW no formato das lanternas (cada uma com duas seções). A grade frontal faz clara alusão aos concorrentes sul-coreanos. Essa mistura resultou numa leve melhora no aspecto em geral sóbrio do sedã.
Por dentro, o acabamento mostra que a JAC evolui pouco a pouco no capricho da montagem das peças. O SUV T6 da marca é hoje a referência no quesito, mas o J5 também já foi imunizado contra rebarbas e desalinhamentos grotescos que caracterizavam os carros chineses há três ou quatro anos. O próximo passo será a escolha de materiais que transmitam mais sensação de durabilidade. Rijos demais, os plásticos não passam robustez e nem agradam ao toque.
O trunfo do habitáculo do J5 é o espaço interno. Ainda que o assoalho traseiro não seja plano, três adultos se acomodam de maneira razoável ali, com espaço para as pernas e cabeça (são bons 2,7 metros de distância entre-eixos). O porta-malas de 460 litros de capacidade também é bom na categoria.
Sob o capô, o motor do JAC não mudou com a reestilização: é o mesmo 1.5 de 125 cv de potência, somnete a gasolina, e que deixa a desejar. Trabalhando com um câmbio manual de cinco marchas um tanto impreciso e ruidoso, o propulsor demora para embalar o sedã, que só demonstra mais vigor a partir das 3.000 rpm, já perto do torque máximo de 15,5 kgfm (atingido a 4.000 rpm). O comportamento “manco” é especialmente sentido em aclives (por mais leves que sejam) e ultrapassagens.
De acordo com o programa de etiquetagem veicular do Inmetro, o J5, que só pode ser abastecido com gasolina, apresenta consumo de 9,5 km/l na cidade e 11,6 km/l na estrada.
SUSPENSÃO
Outra evolução do J5 em relação aos primeiros chineses que desembarcaram no Brasil está no acerto das suspensões. Ficaram mais firmes, melhorando estabilidade e sensação de segurança ao volante. Em alguns momentos há até o ruido do amortecedor no batente. Mesmo assim, o conjunto garante conforto.
Diferentemente da estratégia de lançamento da marca no Brasil em 2010, os carros da JAC já não trazem um pacote “completão” em versão única. Isso resultou num J5 de entrada com itens de série itens importantes e outros injustificadamente esquecidos . Alarme, sensor de estacionamento traseiro, faróis de neblina, protetor de cárter, tapetes e (absurdo) até som não estão inclusos.
A versão intermediária, que parte de R$ 60.990, corrige algumas falhas, mas protetor de cárter continua sendo um luxo. Já o completo traz todos os equipamentos citados acima, além de sensor de pressão dos pneus (que apresentou falha no funcionamento durante nosso teste), câmera de ré, LEDs de uso diurno, lanternas de neblina, retrovisor interno antiofuscante, central multimídia com entrada USB, bancos de couro e rodas de liga leve com aro de 16 polegadas.
Nenhuma das versões tem computador de bordo.
A JAC quer seguir vendendo entre 60 e 70 unidades do J5 por mês. O principal rival seria o Chevrolet Cobalt, apesar de este oferecer câmbio automático.



