Descubra a estratégia do inimigo; agite-o, incite-o à ação para descobrir seus padrões de movimento. Induza-o a mostrar sua formação de batalha. Atice-o para descobrir suas fraquezas e forças.” Este parágrafo inicial faz parte do livro “A arte da guerra”, de Sun Tzu, e acreditamos que a diretoria da Yamaha deve tê-lo seguido à risca, dados os últimos passos da marca no mercado de baixa cilindrada.
No começo deste ano, a Yamaha apresentou a polêmica “segunda geração” da YBR 125 Factor, deixando o mercado frustrado e a concorrente Honda bem tranquila. Pouco depois veio a nova geração da família CG, com um visual menos utilitário e importantes novidades técnicas. E não é que poucos dias depois da apresentação da CG 2014 caíram nas redes sociais fotos de uma interessantíssima city 150 com o logo dos diapasões. Que coincidência, não? Tendo a informação exata de qual era “o poder do inimigo”, a Yamaha tratou de mostrar logo “sua arma”. Estratégias à parte, vamos ao comparativo que vai mostrar os prós e contras destes populares modelos, em suas versões mais completas.
Começando pelo visual das motos, as duas estão muito atuais, e sem dúvida irão agradar quem for conhecê-las nas concessionárias. As linhas da Yamaha são um pouco mais ousadas e esportivas, mas a atualização estética promovida pela Honda na linha 2014 foi muito feliz, deixando a Titan mais encorpada e perdendo aquela cara de “moto de trabalho”.
A harmonia visual da EX só é arranhada pelo adesivo “CG” na tampa lateral, que poderia ter sido mais bem elaborado. Na Yamaha, destoam do resto da moto a alça do garupa, com acabamento muito pobre, e o simplório suporte da pedaleira do garupa, que poderia ser mais bem projetado. O painel da Honda agora é 100% digital. Com iluminação em azul, conta com hodômetro total, um parcial, velocímetro de bom tamanho, indicador de nível de combustível e relógio. A luz espia do sistema flex agora está dentro do display digital e, quando acesa, indica que o tanque tem acima de 85% de etanol e a temperatura está abaixo de 15°C, sendo recomendado adicionar gasolina para facilitar as partidas a frio. Peca por não ter conta-giros, nem indicador de marchas.
O painel da Fazer é mais bem agradável e mescla um belo conta-giros com um display digital, que tem o vermelho como tom de fundo. Traz tudo o que encontramos na Titan EX, exceto pelo útil relógio, mas em compensação encontramos na Yamaha um prático indicador de marcha. O ícone do sistema flex também está lá, um “C” com um termômetro, que tem a mesma finalidade do sistema da Honda, isto é, se acender, procure colocar um pouco de gasolina. Ainda falando em equipamentos, a Honda tirou o shutter-key da linha 2014, sistema que impedia o fácil acesso à ignição da moto, inibindo a ação de ladrões. Poderiam ter deixado, ao menos, na EX.
Nenhuma das duas têm sensor que evite engatar o motor com o descanso lateral abaixado, botão corta-corrente e lampejador do farol. Este último, um item de segurança e que deveria se sobrepor às tabelas de custos. Na Honda o punho da CG tem seta e buzina em posições invertidas ao considerado “padrão”. Agora que rodamos bastante com a moto, só conseguimos pensar que isso é para o usuário não buzinar, pois essa solução não é nada ergonômica e, especialmente nos primeiros dias, apertar a seta quando se pretender buzinar (e vice-versa) é muito comum.
A posição de pilotagem é muito boa nas duas, porém, graças exclusivamente ao guidão mais alto, a Fazer 150 acomoda melhor candidatos com mais de 1,75 m. O assento de ambas as motos agrada pela quantidade e densidade da
espuma, o que significa ótimo nível de conforto para o piloto. Além de ser 7 mm mais baixo, o da Fazer também é ligeiramente mais estreito, o que facilita aos mais baixinhos encostar os pés no chão. No espaço destinado para o garupa, a diferença é maior, com vantagem para a Honda que acomoda melhor o passageiro.
Os retrovisores da Titan 150 são novos e, além de mais bonitos, são mais eficientes graças às lentes angulares, que proporcionam maior campo de visão. O motor da Honda não mudou nada em relação à geração anterior, e nem precisava. É robusto, funciona praticamente isento de vibrações e sem falhas com qualquer combustível (ou mistura deles). O monocilíndrico da Fazer 150 é muito parecido ao da Titan na sua concepção, porém, como de costume em modelos que são lançados depois, traz algumas soluções técnicas mais atuais, como o sistema Y.R.C.S. (Yamaha Ram air Cooling System), que direciona um fluxo de ar para arrefecer o ponto mais quente do cabeçote, o que aumenta a eficiência do motor.
O nível de vibração do novo motor Yamaha também é baixíssimo, mas ainda não alcança a mesma suavidade do 150 da Honda, especialmente em alta rotação. Em relação ao desempenho, a Fazer 150 agradou mais. Além das curvas de potência e torque serem mais lineares, o propulsor Yamaha mostra maior disposição até 7.000 rpm, rotação que raramente ultrapassamos em deslocamentos urbanos.
Como a maior potência e torque da Honda só se manifestam acima dessa faixa de giros, a Fazer acaba sendo mais ágil em retomadas e no momento de encaixar a moto naquela pequena brecha no trânsito. Em ambas, as trocas de marchas mostraram- se igualmente precisas e macias. No consumo, a Fazer 150 se saiu melhor em nossas medições. Foi 4,7% mais econômica que a Titan rodando com etanol e 15,6% melhor com gasolina. Para quem pretende rodar muitos quilômetros por dia, é um ponto importante.
A única novidade do sistema de freios da Honda é o novo flexível do freio dianteiro, que, sem perder eficiência, visa tornar as frenagens mais progressivas, ou menos bruscas, o que transmite mais confiança especialmente para pilotos iniciantes. Depois que nos acostumamos ao tato do sistema percebemos que não perdeu-se potência de frenagem, mas pilotos mais experientes podem sentir falta de mais “pegada”, apesar da pinça de duplo pistão. Na Fazer, o sistema conta com pinça de um pistão, porém, o conjunto funciona muito bem, garantindo frenagens seguras e transmitindo bom feeling ao piloto. Na traseira das duas ainda encontramos o velho sistema a tambor, que exige mais manutenção para se manter eficiente.
Completando a parte da segurança, os pneus são muito parecidos (Pirelli na Honda e Metzeler na Yamaha). Proporcionam excelente aderência, mesmo no piso molhado, e suportam com folga frenagens e curvas bem rápidas.
Nas ruas da caótica São Paulo, habitat natural destas pequenas, ambas mostraram-se extremamente práticas e ágeis. A nova suspensão da Titan 150, com curso mais longo, está um passo à frente já que ela absorve melhor as irregularidades sem ser macia demais.
Na Yamaha, as suspensões funcionam muito bem, são confortáveis também, mas um pouco mais rígidas. Essa característica, somada ao motor mais esperto e a uma geometria mais agressiva de cáster e trail, fazem da nova Yamaha a mais rápida na mudança de direção; e, para, a maioria que pôde experimentar as duas, mais divertida de pilotar.
Cidade
1º Yamaha Fazer 150
2º Honda Titan 150
O maior desempenho em baixa e média rotações da Fazer ajudam muito na cidade, mesmo com a suspensão da Titan sendo melhor na buraqueira das ruas. Ela tem melhores retomadas e boa agilidade para enfrentar os corredores.
Estrada
1º Honda Titan 150
2º Yamaha Fazer 150
Esses modelos não foram feitos para estradas, mas muitos usuários acabam trafegando por elas. A Titan se sai melhor porque tem mais potência em alta rotação e é mais estável que a Fazer 150 nessa condição.
Diversão
1º Yahama Fazer 150
2º Honda Titan 150
É tradição a Yamaha ter uma maior preocupação com o prazer ao pilotar dos seus modelos. Na Fazer 150 não foi diferente e seu conjunto é capaz de arrancar um sorriso do seu usuário, mesmo com apenas 149,3 cm³.
Garupa
1º Honda Titan 150
2º Yamaha Fazer 150
Para o piloto nada muda nos dois modelos ao levar um garupa, mas a Titan oferece mais conforto pelo maior curso da suspensão e o assento com boa densidade da espuma em relação à Yamaha, para enfrentar os desafios da cidade.
Contraponto
É uma enorme injustiça uma delas ser derrotada. Acredito que o apelo estético (uma questão muito pessoal) tem mais poder de decisão do que julgar qual é a melhor moto, já que ambas se equivalem. Se fosse contra uma Fan ou uma Titan com roda raiada, sem sombra de dúvidas eu ficaria com a Fazer, mas a Titan nessa versão EX, branca, com rodas de alumínio pretas, me deixa indeciso. A Honda parece uma moto maior. Na prática, a melhor saúde do motor da Fazer em baixos giros, é equilibrado pela Honda com a maior eficiência das suspensões. A Titan também merecia um pneu mais largo atrás para completar o visual. Eu compraria a Fazer 150 preta, pois parece uma Fazer 250. – Eduardo Zampieri, editor de testes da Motociclismo
Conclusão: São motos muito parecidas, mas cada uma preserva claramente o DNA da marca. A Titan 150 EX conta com a maior rede autorizada no país, além do mercado de reposição paralelo, que costuma ter tudo também. É uma moto absurdamente eficiente em todos os quesitos, mas, ao mesmo tempo, falta aquele “algo a mais” que tanto prezamos na pilotagem. Ela seria aquele aluno CDF, que tira 10 em tudo, senta na cara do professor e de quem todo mundo quer colar. A Fazer, por sua vez, conta com uma rede autorizada menor, mas não deve nada em técnica e quase nada em comportamento para a rival. Seu visual é mais agressivo e, ainda que perca para a Honda em números absolutos de potência e torque, a Fazer é mais agradável em baixas e médias rotações… e é mais prazerosa de pilotar. Ela é aquele aluno que também só tira 10, mas que senta no fundo da sala e é o galã das menininhas. Com qual você se identifica?
1º Honda Titan 150: 8,5 pontos
2º Yamaha Fazer 150 8,4 pontos















