Igualmente funcionais e muito similares esteticamente, Titan 150 EX e Fazer 150 SED cumprem sua função dentro da cidade, com sobra

Descubra a estratégia do inimigo; agite-o, incite-o à ação para descobrir seus padrões de movimento. Induza-o a mostrar sua formação de batalha. Atice-o para descobrir suas fraquezas e forças.” Este parágrafo inicial faz parte do livro “A arte da guerra”, de Sun Tzu, e acreditamos que a diretoria da Yamaha deve tê-lo seguido à risca, dados os últimos passos da marca no mercado de baixa cilindrada.

Mesmo para os pilotos altos, os modelos oferecem confortável posição de pilotagem

No começo deste ano, a Yamaha apresentou a polêmica “segunda geração” da YBR 125 Factor, deixando o mercado frustrado e a concorrente Honda bem tranquila. Pouco depois veio a nova geração da família CG, com um visual menos utilitário e importantes novidades técnicas. E não é que poucos dias depois da apresentação da CG 2014 caíram nas redes sociais fotos de uma interessantíssima city 150 com o logo dos diapasões. Que coincidência, não? Tendo a informação exata de qual era “o poder do inimigo”, a Yamaha tratou de mostrar logo “sua arma”. Estratégias à parte, vamos ao comparativo que vai mostrar os prós e contras destes populares modelos, em suas versões mais completas.

Uma das principais novidades da nova geração da TITAN 150 é o painel 100% digital. Tem boa visualização, mas não tem conta-giros e indicador de marcha

Começando pelo visual das motos, as duas estão muito atuais, e sem dúvida irão agradar quem for conhecê-las nas concessionárias. As linhas da Yamaha são um pouco mais ousadas e esportivas, mas a atualização estética promovida pela Honda na linha 2014 foi muito feliz, deixando a Titan mais encorpada e perdendo aquela cara de “moto de trabalho”.

Um dos pontos fortes da fazer 150 é o painel que tem indicador de marcha e mescla um belo conta-giros com o display digital. Mas faltou o relógio

A harmonia visual da EX só é arranhada pelo adesivo “CG” na tampa lateral, que poderia ter sido mais bem elaborado. Na Yamaha, destoam do resto da moto a alça do garupa, com acabamento muito pobre, e o simplório suporte da pedaleira do garupa, que poderia ser mais bem projetado. O painel da Honda agora é 100% digital. Com iluminação em azul, conta com hodômetro total, um parcial, velocímetro de bom tamanho, indicador de nível de combustível e relógio. A luz espia do sistema flex agora está dentro do display digital e, quando acesa, indica que o tanque tem acima de 85% de etanol e a temperatura está abaixo de 15°C, sendo recomendado adicionar gasolina para facilitar as partidas a frio. Peca por não ter conta-giros, nem indicador de marchas.

A única mudança no motor da titan 150 foi o nome do sistema flex, que agora é "Flex One". O resto continua igual, muito suave, e sem falhas nos dois combustíveis

O painel da Fazer é mais bem agradável e mescla um belo conta-giros com um display digital, que tem o vermelho como tom de fundo. Traz tudo o que encontramos na Titan EX, exceto pelo útil relógio, mas em compensação encontramos na Yamaha um prático indicador de marcha. O ícone do sistema flex também está lá, um “C” com um termômetro, que tem a mesma finalidade do sistema da Honda, isto é, se acender, procure colocar um pouco de gasolina. Ainda falando em equipamentos, a Honda tirou o shutter-key da linha 2014, sistema que impedia o fácil acesso à ignição da moto, inibindo a ação de ladrões. Poderiam ter deixado, ao menos, na EX.

Nenhuma das duas têm sensor que evite engatar o motor com o descanso lateral abaixado, botão corta-corrente e lampejador do farol. Este último, um item de segurança e que deveria se sobrepor às tabelas de custos. Na Honda o punho da CG tem seta e buzina em posições invertidas ao considerado “padrão”. Agora que rodamos bastante com a moto, só conseguimos pensar que isso é para o usuário não buzinar, pois essa solução não é nada ergonômica e, especialmente nos primeiros dias, apertar a seta quando se pretender buzinar (e vice-versa) é muito comum.

O motor da FAZER 150 foi desenvolvido para entregar mais força em baixas e médias rotações, comuns no uso urbano. No teste, foi mais eficiente que o da rival

A posição de pilotagem é muito boa nas duas, porém, graças exclusivamente ao guidão mais alto, a Fazer 150 acomoda melhor candidatos com mais de 1,75 m. O assento de ambas as motos agrada pela quantidade e densidade da
espuma, o que significa ótimo nível de conforto para o piloto. Além de ser 7 mm mais baixo, o da Fazer também é ligeiramente mais estreito, o que facilita aos mais baixinhos encostar os pés no chão. No espaço destinado para o garupa, a diferença é maior, com vantagem para a Honda que acomoda melhor o passageiro.

Os retrovisores da Titan 150 são novos e, além de mais bonitos, são mais eficientes graças às lentes angulares, que proporcionam maior campo de visão. O motor da Honda não mudou nada em relação à geração anterior, e nem precisava. É robusto, funciona praticamente isento de vibrações e sem falhas com qualquer combustível (ou mistura deles). O monocilíndrico da Fazer 150 é muito parecido ao da Titan na sua concepção, porém, como de costume em modelos que são lançados depois, traz algumas soluções técnicas mais atuais, como o sistema Y.R.C.S. (Yamaha Ram air Cooling System), que direciona um fluxo de ar para arrefecer o ponto mais quente do cabeçote, o que aumenta a eficiência do motor.

Na cidade, a nova suspensão da Titan 150 trouxe um grande incremento em conforto

O nível de vibração do novo motor Yamaha também é baixíssimo, mas ainda não alcança a mesma suavidade do 150 da Honda, especialmente em alta rotação. Em relação ao desempenho, a Fazer 150 agradou mais. Além das curvas de potência e torque serem mais lineares, o propulsor Yamaha mostra maior disposição até 7.000 rpm, rotação que raramente ultrapassamos em deslocamentos urbanos.

Assim como na frente, a traseira da TITAN 150 passou a ter os piscas separados da lanterna, que ganhou um novo design e traz efeito LED, mas não é

Como a maior potência e torque da Honda só se manifestam acima dessa faixa de giros, a Fazer acaba sendo mais ágil em retomadas e no momento de encaixar a moto naquela pequena brecha no trânsito. Em ambas, as trocas de marchas mostraram- se igualmente precisas e macias. No consumo, a Fazer 150 se saiu melhor em nossas medições. Foi 4,7% mais econômica que a Titan rodando com etanol e 15,6% melhor com gasolina. Para quem pretende rodar muitos quilômetros por dia, é um ponto importante.

Na fAZER 150, a lanterna é dividida pela carenagem da rabeta, dando a entender que são duas peças. A alça do garupa peca pelo acabamento muito simples

A única novidade do sistema de freios da Honda é o novo flexível do freio dianteiro, que, sem perder eficiência, visa tornar as frenagens mais progressivas, ou menos bruscas, o que transmite mais confiança especialmente para pilotos iniciantes. Depois que nos acostumamos ao tato do sistema percebemos que não perdeu-se potência de frenagem, mas pilotos mais experientes podem sentir falta de mais “pegada”, apesar da pinça de duplo pistão. Na Fazer, o sistema conta com pinça de um pistão, porém, o conjunto funciona muito bem, garantindo frenagens seguras e transmitindo bom feeling ao piloto. Na traseira das duas ainda encontramos o velho sistema a tambor, que exige mais manutenção para se manter eficiente.

O conjunto frontal foi o maior favorecido com a renovação visual da nova TITAN 150. Além de ter ficado mais harmonioso, houve uma evolução na eficiência do farol

Completando a parte da segurança, os pneus são muito parecidos (Pirelli na Honda e Metzeler na Yamaha). Proporcionam excelente aderência, mesmo no piso molhado, e suportam com folga frenagens e curvas bem rápidas.

Esqueça o farol redondo da Factor 125. A fAZER 150 possui uma frente moderna e agressiva, que, na versão avaliada, vem com a carenagem pintada na cor da moto

Nas ruas da caótica São Paulo, habitat natural destas pequenas, ambas mostraram-se extremamente práticas e ágeis. A nova suspensão da Titan 150, com curso mais longo, está um passo à frente já que ela absorve melhor as irregularidades sem ser macia demais.

No uso diário e urbano, a Fazer tem melhores respostas do motor. É mais divertida

Na Yamaha, as suspensões funcionam muito bem, são confortáveis também, mas um pouco mais rígidas. Essa característica, somada ao motor mais esperto e a uma geometria mais agressiva de cáster e trail, fazem da nova Yamaha a mais rápida na mudança de direção; e, para, a maioria que pôde experimentar as duas, mais divertida de pilotar.

O escapamento preto fosco da Titan 150 é mais curto, feito de aço inox, e tem desenho muito mais atual que o antigo escape "corneta" da geração anterior

Cidade

1º Yamaha Fazer 150

2º Honda Titan 150

O maior desempenho em baixa e média rotações da Fazer ajudam muito na cidade, mesmo com a suspensão da Titan sendo melhor na buraqueira das ruas. Ela tem melhores retomadas e boa agilidade para enfrentar os corredores.

Estrada

1º Honda Titan 150

2º Yamaha Fazer 150

Esses modelos não foram feitos para estradas, mas muitos usuários acabam trafegando por elas. A Titan se sai melhor porque tem mais potência em alta rotação e é mais estável que a Fazer 150 nessa condição.

Diversão

1º Yahama Fazer 150

2º Honda Titan 150

É tradição a Yamaha ter uma maior preocupação com o prazer ao pilotar dos seus modelos. Na Fazer 150 não foi diferente e seu conjunto é capaz de arrancar um sorriso do seu usuário, mesmo com apenas 149,3 cm³.

Garupa

1º Honda Titan 150

2º Yamaha Fazer 150

Para o piloto nada muda nos dois modelos ao levar um garupa, mas a Titan oferece mais conforto pelo maior curso da suspensão e o assento com boa densidade da espuma em relação à Yamaha, para enfrentar os desafios da cidade.

As linhas do escapamento da Fazer 150 lembram muito as do usado na Factor 125, porém, o protetor é em plástico injetado, que não risca fácil como na 125

Contraponto

É uma enorme injustiça uma delas ser derrotada. Acredito que o apelo estético (uma questão muito pessoal) tem mais poder de decisão do que julgar qual é a melhor moto, já que ambas se equivalem. Se fosse contra uma Fan ou uma Titan com roda raiada, sem sombra de dúvidas eu ficaria com a Fazer, mas a Titan nessa versão EX, branca, com rodas de alumínio pretas, me deixa indeciso. A Honda parece uma moto maior. Na prática, a melhor saúde do motor da Fazer em baixos giros, é equilibrado pela Honda com a maior eficiência das suspensões. A Titan também merecia um pneu mais largo atrás para completar o visual. Eu compraria a Fazer 150 preta, pois parece uma Fazer 250. – Eduardo Zampieri, editor de testes da Motociclismo

Com qual você se identifica?

Conclusão: São motos muito parecidas, mas cada uma preserva claramente o DNA da marca. A Titan 150 EX conta com a maior rede autorizada no país, além do mercado de reposição paralelo, que costuma ter tudo também. É uma moto absurdamente eficiente em todos os quesitos, mas, ao mesmo tempo, falta aquele “algo a mais” que tanto prezamos na pilotagem. Ela seria aquele aluno CDF, que tira 10 em tudo, senta na cara do professor e de quem todo mundo quer colar. A Fazer, por sua vez, conta com uma rede autorizada menor, mas não deve nada em técnica e quase nada em comportamento para a rival. Seu visual é mais agressivo e, ainda que perca para a Honda em números absolutos de potência e torque, a Fazer é mais agradável em baixas e médias rotações… e é mais prazerosa de pilotar. Ela é aquele aluno que também só tira 10, mas que senta no fundo da sala e é o galã das menininhas. Com qual você se identifica?

1º Honda Titan 150: 8,5 pontos

2º Yamaha Fazer 150 8,4 pontos 

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