Após as apresentações técnicas e de mercado do Ford Focus 2016, realizadas em Fortaleza (CE), CARRO ONLINE partiu para um test-drive da versão SE Plus, que deve responder por cerca de 40% das vendas totais do hatch, atual líder do segmento médio, à frente de Volkswagen Golf e Chevrolet Cruze.
Dirigimos em estradas de boa qualidade, ruas calçadas com pedras irregulares e em algumas vias cobertas de areia e/ou terra, sempre ao longo do litoral cearense. Uma boa chance de conferir a comportamento de um modelo que, durante muito tempo no segmento dos médios, diferenciava-se justamente pelas suspensões independentes.
Por fora, a principal diferença do SE Plus para a versão topo de gama Titanium é a grade frontal mais simples. Ela ganhou o formato trapezoidal que caracteriza todos os carros globais da Ford (no Brasil, Ka, Fiesta e Fusion), e que muita gente descreve como “emprestada” dos Aston Martin. De resto, tudo (quase) igual; da coluna A para trás houve pequenas alterações no porte das lanternas e no contorno do parachoque.
Antes de virar a chave na ignição (e de pisar no freio e na embreagem, gestos necessários para o Focus ligar), vale a pena se deter na sensação provocada por sua cabine sóbria, em que predominam tons neutros e onde o motorista é o rei: o carro “veste” bem, coloca o condutor no comando de forma natural e até passa a impressão de ser maior e mais pesado do que realmente é. Itens como bancos em couro e ar-condicionado de duas temperaturas são cruciais para diferenciar o Focus mesmo num pacote “quase” de entrada: R$ 71.900, ou R$ 2.000 a mais que o pacote SE. Também são acrescentados nesta versão rodas de liga leve 17″ exclusivas, airbags laterais, sensor de estacionamento traseiro, controle de velocidade de cruzeiro e limitador de velocidade.
A SE Plus herda da SE os seguintes equipamentos: controle eletrônico de estabilidade e tração (sistema AdvanceTrac, que inclui sistema de estabilidade preventivo, assistente de partida em rampas, controle de torque em curvas e aviso de pressão baixa dos pneus), freio a disco nas quatro rodas com ABS e EBD e sistema de conectividade SYNC com tela colorida de 4,2″, AppLink, assistência de emergência, faróis de neblina, acendimento automático dos faróis, espelho retrovisor eletrocrômico, sensor de chuva e chave programável MyKey.

Com o Focus SE Plus em movimento, nota-se rapidamente que o motor Sigma 1.6, na ocasião abastecido com gasolina, é mais do que suficiente para garantir saídas vigorosas, retomadas seguras (ultrapassagens na estrada são feitas sem nenhum problema com a trivial redução de quinta para terceira marcha) e aceleração homogênea.
Onde permitido, trafega-se em cruzeiro de 120 km/h quase sem notar o ruído do propulsor.
O câmbio manual de cinco marchas certamente casaria mal com o motor de 2 litros, mas junto ao Sigma ele trabalha suavemente, com pedal de embreagem muito leve. Tem a vantagem óbvia de permitir trocas de marcha ao gosto do freguês, inclusive para tocada mais esportiva; em contrapartida, dirigir no anda-para do tráfego urbano sempre é mais penoso sem câmbio automático, e isso deve tirar um pouco do gostinho de ter um carro com tanta “presença”. (A Ford diz que a demanda pelo 1.6 PowerShift era baixa, não compensando mantê-lo na gama.)
O comportamento dinâmico do Focus é preciso: a direção com assistência elétrica obtém respostas imediatas das rodas, e curvas são contornadas sem escapar. Mas o que impressiona mesmo é como o ajuste das já citadas suspensões também é capaz de garantir conforto: a absorção de impactos é quase total, como se o carro trafegasse a maior parte do tempo sobre um tapete. Mesmo em pisos irregulares o incômodo, se houve, foi mínimo. E isso num carro com rodas de aro 17 e pneus relativamente baixos.
CONCLUSÃO
O principal desafio deste Focus SE Plus será convencer o cliente de que a renovada beleza exterior e a incorporação de itens de conforto e segurança, bem como o preço acima dos R$ 70 mil, não estão em conflito com um motor de cilindrada que muitos consideram insuficiente num carro desse porte (4,36 m de comprimento, 2,65 m de entre-eixos e peso de 1.825 kg).
Ressalvando que nosso test-drive foi feito somente com o motorista a bordo, dá para dizer que é um temor sem fundamento. Os 131/135 cv e 16,2/16,7kgfm de torque do Sigma 1.6 (gasolina/etanol) são mais do que suficientes para mover esse carro; e é bom ir se acostumando com motores cada vez menores, com ou sem turbo, em carros que antes não podíamos imaginar sem um 2 litros ou mais. A receita da Ford está correta. Podemos questionar, novamente, a ausência de uma transmissão automática, mas o Focus SE Plus já entrega muita coisa.
Viagem a convite da Ford do Brasil




