Ele parece tímido no fundo do caminhão de transporte. Ainda não é possível examinar o carro por completo, mas, mesmo assim, a impressão é a de que se trata de uma “besta amigável”. Trata-se do MINI John Cooper Works Rally, modelo destinado não a motoristas comuns, mas para quem é capaz de se aventurar pelas 12 etapas do Rali Dakar, entre Assunção, no Paraguai, e Buenos Aires, Argentina, passando pelas paisagens áridas a 3.600 metros de altitude na Bolívia. Enfim, um desafio para poucos.
Estamos na Califórnia, local escolhido pela fabricante para apresentar o modelo de competição, que, após ser desembarcado, finalmente pôde ser admirado de perto. Durante a manobra, o ruído similar ao de um motor a jato já chama a atenção, mas não é de se admirar, já que ele possui dois turbocompressores que se encarregam de “empurrar” mais ar para dentro dos cilindros. Assim, apesar de possuir um grande restritor de ar de 38 mm de diâmetro, o MINI JCW Rally disponibiliza 340 cv e 81,6 mkgf para a tripulação, no caso, os americanos Bryce Menzies e Pete Mortensen (copiloto).
A missão deste MINI no Dakar não seria fácil, pois o modelo tem um histórico para honrar: seus antecessores venceram o rali mais difícil do planeta entre 2012 e 2015. E, como no modelo precursor, um potente motor turbodiesel impulsiona este John Cooper Works, em vez do a gasolina da versão convencional.
Com 4,35 m de comprimento e incríveis 2 m de altura (e também de largura), este protótipo possui um engenhoso alojamento sob o piso (tipo gaveta) no qual ficam abrigados os estepes. Antes, eles ficavam na traseira, mas acabavam comprometendo a estabilidade do veículo. Agora, no caso de um problema em um dos pneus, o navegador sai do carro – enquanto o piloto aciona o macaco pneumático embutido – e substitui a roda danificada. Tudo muito rápido, como deve ser em uma competição automobilística.
Poeira só do lado de fora!
Para evitar a entrade de (muita) poeira, a cabine do MINI é quase selada. Na parte interna, é possível ver a qualidade do acabamento, com as partes de plástico reforçado com fibra de carbono à mostra. Resistência a toda prova! A suspensão conta com dois amortecedores ajustáveis por roda e uma generosa tomada de ar sobre o teto garante ar fresco para o interior do carro. É quase triste que a beleza dessa estrutura não esteja visível, mas não se pode esquecer que a MINI disputa essa prova também para divulgar o seu carro de rua. Assim, muitas partes, principalmente na dianteira, são similares às do modelo convencional (mas feitas de plástico com fibra de carbono).
À diferença de outros modelos de competição, nos quais o piloto fica “encaixado” dentro do carro, neste MINI a sensação é de muito conforto. Afinal, é preciso ficar à vontade para encarar longos estágios e superar diversos obstáculos durante a prova. O piloto conta ainda com apenas três botões no volante: buzina, interruptor dos faróis e o controle do computador de bordo. As demais funções do carro (temperatura do motor, pressão do óleo e dos pneus, por exemplo) são controladas pelo copiloto.
Tem mais: embora destinado a enfrentar obstáculos no fora-de-estrada, o MINI JCW Rally teve sua carroceria desenvolvida em túnel de vento, e os engenheiros cuidaram para baixar ainda mais o seu centro de gravidade, a fim de deixá-lo mais equilibrado. A velocidade máxima é de 185 km/h e seu tanque de combustível tem capacidade para 385 litros, o que lhe proporciona autonomia de 1.000 km, aproximadamente.
Ao acelerar, o ronco emitido pelo sistema de escapamento (desenvolvido pela Akrapovic) é impressionante e combina com o visual que o John Cooper Works Rally transmite. Curiosamente, durante a noite, conduzir esse MINI pode não ser tão agradável. Afinal, em vez de exibir enormes faróis auxiliares no para-choque, o carro possui apenas luzes iguais às do modelo convencional. Questão de marketing.
Confira abaixo os resultados da Mini no Dakar e a ficha técnica do modelo:






