Estilo - o formato quadradão do Renegade é proposital e busca conferir mais robustez ao SUV. Além disso, também favorece o espaço interno

 

Após reinar sozinho por mais de uma geração e colecionar um retrospecto de vendas invejável, o Ford EcoSport ganhará uma série de fortes concorrentes a partir do próximo ano, além do Renault Duster. Pelo que apuramos, o que terá mais condições de ameaçar a liderança do Ford será o Jeep Renegade, que começará a ser fabricado por aqui já no primeiro semestre de 2015.

O precursor - desde a primeira geração o EcoSport conquistou um ótimo retrospecto em vendas e mantém o característico estepe na tampa traseira

“É claro que nossa referência será o EcoSport. E teremos uma versão do Renegade para cada uma do ‘Eco’, com preço próximo, mas oferecendo mais equipamentos”, nos revelou uma fonte da Fiat Chrysler. Logo, se esse é o raciocínio, poderemos esperar o Renegade atuando na faixa de R$ 63.000 a R$ 83.000.

Tradição - como não poderia faltar em um Jeep, a tradicional grade com sete fendas compõe um dos elementos de design

E o que o Renegade terá para se destacar frente ao líder do segmento? Segundo nossos colegas da Auto Motor und Sport, que já tiveram contato com o modelo na Europa, a boa sensação de espaço é o primeiro dos atributos do Renegade. De acordo com os alemães, o estilo quadradão do SUV compacto ajuda a conferir uma boa amplitude para a cabine.

Global - agora na segunda geração, o SUV compacto virou um produto global dentro da linha Ford e compartilha a mesma plataforma do New Fiesta

Os passageiros não passam aperto no banco traseiro e o espaço para cargas no porta-malas (351 litros) não surpreende, mas pelo menos é semelhante ao dos rivais. O compartimento do EcoSport abriga 362 litros, enquanto o Renault Duster, que tem como atributo o porte mais avantajado da carroceria, oferece 475 litros. Mas o Renegade quer se destacar na tecnologia a bordo.

Na parte interna o Renegade agradou pelo bom padrão de acabamento

Se seguir o cardápio europeu quando começar a sair da fábrica de Goiana, PE, ele vai inaugurar na categoria recursos como o monitor de pontos cegos, alerta de saída da faixa de rodagem (LaneSense) e o aviso de colisão dianteira.

O habitáculo do EcoSport oferece boa ergonomia e, assim como o rival, conta com boa montagem e materiais de bom aspecto visual

Além disso, no campo da segurança, o Renegade pode ser equipado com até 7 airbags (o EcoSport Titanium, a opção mais cara do modelo, estaciona nas 6 bolsas infláveis), controle de estabilidade com mitigação de rolagem da carroceria, sensor de estacionamento traseiro (ParkSense) e câmera de ré (ParkView). Além disso, como não poderia faltar, ele oferece uma central multimídia completa com navegação. Outro equipamento que deverá ser bem aceito por aqui é o teto solar bipartido, com abertura manual ou elétrica.

Os elementos em “x”, como o visto nas lanternas, fazem parte do “look Tek-Tonic” pensado pela marca para o modelo

A conquista pelo off-road

Jeep é sinônimo de fora-de-estrada. Aquele típico caso em que a marca serve para descrever o produto, como Bic está para caneta e Gillette para a lâmina de barbear. E aí, talvez, reside o maior apelo do Renegade.

O vão entre a tampa do porta-malas e a carroceria é muito grande no EcoSport

Enquanto o EcoSport na configuração Free-Style 4WD (R$ 78.390) conta com um sistema de tração integral convencional, o recurso que será oferecido no Renegade, chamado Jeep Active Drive, é bem mais sofisticado. Em primeiro lugar, ele conta com a função Low, que simula a função da reduzida. Já para aqueles que não estão muito familiarizados com o mundo 4×4, o Jeep Select Terrain ajusta o conjunto para enfrentar diferentes tipos de piso, dentre eles neve, areia, lama e pedra. Além disso, para facilitar, a posição Auto é capaz de realizar esse ajuste sem a intervenção do condutor.

O painel de instrumentos mescla os relógios com a parte central digital

A Jeep sempre deixou claro que uma das premissas do projeto do Renegade era “conciliar proporções urbanas que transmitissem o visual robusto da marca com a maior capacidade off-road da categoria”. E para quem vai encarar mesmo uma trilha e não se sentia seguro ou atendido pelas características técnicas de modelos como o EcoSport e o Duster, a Jeep tem uma carta na manga: a versão Trailhawk.

EcoSport: dentre seus recursos de conectividade destaca-se o Sync, que realiza algumas operações por comando de voz

Além do robusto sistema de tração integral, ela leva o selo “Trail Rated 4×4”, uma garantia de que o modelo é apropriado para o uso fora do asfalto. Nessa opção, já confirmada para o Brasil, o Renegade tem a suspensão elevada em 2 cm e para-choques exclusivos que lhe conferem um ângulo de ataque de 30,5º e de saída de 34,3º.

O porta-malas de 351 litros de capacidade do Renegade está na média do segmento

Para ajudar na economia de combustível, algo que é sacrificado pelo massa que o sistema acrescenta ao veículo, o Renegade com tração integral também será o primeiro modelo da categoria a ser capaz de desacoplar o eixo traseiro da caixa de transferência quando ele não está recebendo torque do motor. De acordo com a Jeep, as rodas traseiras são rapidamente ativadas quando a tração integral precisa ser restaurada. Até então esse era um recurso visto em modelos mais caros. Mas o verdadeiro “pulo do gato” do Renegade reside na gama de motores.

O porta-malas do EcoSport é ligeiramente melhor que o do Jeep, com espaço para 11 litros a mais

O já mencionado Jeep Active Drive permitirá à marca oferecer o Renegade a diesel no Brasil, algo até então nunca explorado entre os SUVs compactos no país.

O moderno 2.0 MultiJet presente no Renegade europeu é oferecido com duas opções de potência, no caso 140 ou 170 cv, e sempre com tração integral. Segundo a equipe da Auto Motor und Sport, o propulsor agradou pelas arrancadas vigorosas que proporcionou ao SUV, em grande parte graças ao bom torque de 35,6 kgfm disponível já a 1.500 rpm quando a potência está ajustada em 140 cv. A ressalva, porém, foi para o nível de ruído, considerado um pouco elevado na opinião dos alemães.

Mais opções de motor e câmbio

Por enquanto, além da oferta da versão Trailhawk, o que temos confirmado por parte da fabricante é que o câmbio automático de 9 marchas será uma das estrelas da linha Renegade por aqui. Ele deverá ser oferecido em conjunto com o bom motor 1.8 16V E.torQ, que já equipa alguns modelos da Fiat, e deverá ganhar alguns aprimoramentos, resultando em ganhos de potência e torque, para figurar sob o capô do Jeep.

Para quem não abre mão do câmbio manual, o Renegade contará com uma caixa de 6 marchas também ligada ao 1.8 16V. Esses devem ser os principais conjuntos mecânicos do Renegade.

Caso isso se confirme, o Renegade deverá levar vantagem sobre as versões de entrada do EcoSport, que contam com propulsor 1.6 16V de 115 cv com etanol. Porém, só com o teste na pista seremos capazes de avaliar se o Renegade 1.8 será capaz de oferecer desempenho próximo (ou melhor) do que o EcoSport em suas versões mais equipadas e movidas pelo 2.0 16V de 146 cv com etanol.

Graças à versatilidade, o espaço interno honesto e o bom porta-malas, a Auto Motor und Sport finaliza seu primeiro contato com o Renegade afirmando que ele tem tudo para se tornar a melhor opção na faixa dos SUVs compactos. “É curioso ver um Jeep comedido nas dimensões, e a Jeep conseguiu um bom equilíbrio com o Renegade”, conclui a equipe.

Um produto global, assim como a segunda  geração do EcoSport, que estreou por aqui em 2012, o Renegade tem a missão de difundir a marca Jeep ao redor do mundo e colocar a marca em um dos segmentos mais em alta no momento.

No Brasil, o líder EcoSport conta com 40.583 unidades vendidas no acumulado do ano até setembro, um volume que mostra a força que modelos desse tipo têm por aqui. Com a estrutura, e o amplo conhecimento de nosso mercado por parte da Fiat, a Jeep terá um produto competitivo para incomodar Ford e Renault. E a concorrência, em 2015, não será fácil.

Ficha técnica: Jeep Renegade 2.0 MultiJet 170 cv

Motor (carro avaliado): 4 cilindros em linha, 16 válvulas, dianteiro, turbodiesel; Cilindrada • 1.956 cm³; potência 170 cv a 3.750 rpm; torque 35,6 mkgf a 1.750 rpm; Câmbio • automático, 9 marchas; tração integral; Suspensão dianteira independente; suspensão traseira independente; Pneus • 215/65 R17; Carroceria • SUV, cinco lugares;

Dimensões (Comprimento x Largura x Altura) • 4,23 m, 1,80 m, 1,68 m; Entre-eixos • 2,57 m;

Desempenho (dados de fábrica)

0 a 100 km/h • 8s9,

velocidade máxima 196 km/h,

consumo médio 17,2 km/l

Preço básico • 31.900 euros (na Alemanha)

Ficha técnica: Ford EcoSport 2.0 Titanium PowerShift 

Motor 4 cilindros em linha, 16 válvulas, dianteiro, transversal, flex; Cilindrada • 1.999 cm³; Potência 146 cv (E) a 6.250 rpm; Torque 19,7 mkgf (E) a 4.250 rpm; Câmbio • robotizado de dupla embreagem, 6 marchas, Tração dianteira; Suspensão dianteira independente; Suspensão traseira eixo de torção; Pneus • 205/60 R16; Carroceria • SUV, cinco lugares

Dimensões (Comprimento x Largura x Altura) • 4,24 m, 1,78 m, 1,69 m; Entre-eixos • 2,52 m; Peso • 1.297 kg 

Desempenho

Aceleração 0 a 100 km/h • 10s7

Consumo médio 7,9 km/l (E)

Preço básico • R$ 83.290 

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