Correia dentada é essencial no motor e deve ser trocada sempre de forma preventiva. Se não…

Peças internas de motores a combustão precisam trabalhar com a precisão de um relógio. Por milhares de vezes a cada minuto, as válvulas de admissão e exaustão têm que abrir e fechar no tempo certo enquanto os pistões sobem e descem movimentados pela força das explosões dentro dos cilindros. A coordenação desse movimento depende do perfeito sincronismo do sistema de distribuição mecânica, que transmite o movimento do virabrequim (eixo sobre o qual os pistões estão montados) para o comando das válvulas.

Para isso, alguns motores de veículos leves utilizam corrente, mas a maioria hoje em produção faz uso da chamada correia dentada, ou correia de sincronismo – um mecanismo mais leve e de menor custo. “Tanto a correia dentada quanto a corrente desempenham o mesmo papel: manter o sistema de distribuição mecânica do motor sincronizado”, afirma o professor da faculdade de Engenharia da FMU, Fernando Landulfo, que é consultor técnico das revistas CARRO e O Mecânico.

A correia de sincronismo geralmente é fabricada em borracha específica para a função (HNBR), reforçada por cordonéis de fibra de vidro e dentes revestidos em nylon emborrachado. “As correias dentadas convencionais são uma solução viável para projetos onde se deseja ou deve economizar espaço e peso. São bastante compactas, leves e não requerem lubrificação constante como as correntes.

No entanto, como se desgastam mais rapidamente, exigem manutenção periódica, inspeção e troca”, aponta Landulfo. Em média, tanto as fabricantes de automóveis quanto as fabricantes do componente para o mercado de reposição de autopeças recomendam que a correia dentada seja examinada a cada 10 mil ou 15 mil km, com substituição preventiva aos 60 mil km – salvo as recomendações nos manuais do proprietário com relação a uso severo, que encurtam esses prazos à metade.

Preventiva, sim!

Muito dono de automóvel torce o nariz quando o assunto é a troca preventiva de qualquer peça, mas no caso da correia dentada é a única alternativa. Quando ela se desgasta, não há qualquer alteração no funcionamento do motor. Caso chegue ao limite, a correia irá se romper sem qualquer aviso. E aí, bem… Prepare-se para uma enorme dor de cabeça. Pistões e válvulas vão se movimentar desordenadamente e colidir dentro dos cilindros, levando à quebra das válvulas. “Como as câmaras de combustão são muito pequenas, o pedaço de válvula que se solta pode provocar verdadeiras devastações no interior das mesmas”, alerta Landulfo.

Em outras palavras: a chance de perda total do motor é altíssima. Em menor proporção de perigo, mas igualmente incômodo na hora de encostar o veículo na oficina, é se houver problema no rolamento tensionador – responsável por fazer a correia trabalhar de forma justa nas polias dos eixos.

Quando perde ação, ele afrouxa a correia e faz com que ela “pule” um ou mais dentes nas polias. Assim, as válvulas vão abrir e fechar nos momentos errados. “Na melhor das hipóteses, o motor apresentará marcha lenta irregular e desempenho muito aquém do esperado. Numa situação intermediária, há o atropelamento das válvulas. Ou seja: choque entre as válvulas e os pistões. Tal fenômeno empena as válvulas, as suas respectivas guias e danifica a cabeça dos pistões”, adverte o consultor técnico.

Portanto, ao invés de reaproveitá-lo na troca da correia, é muito mais seguro solicitar a sua troca. É melhor garantir que sua correia nova trabalhe na tensão certa e evitar um reparo de alguns milhares de reais dentro do motor do seu veículo.

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