No início da manhã, quando os primeiros raios de sol surgem ainda tímidos sobre as montanhas, fico pensando que esta cena é a melhor descrição de paraíso, usada pelo Delaire Graff Estate, um complexo que reúne hotel, spa e vinícola, localizado em Stellenbosch, nas cercanias da Cidade do Cabo, África do Sul. O lugar é um verdadeiro refúgio de tranquilidade, um oásis encravado entre extensas vinhas, e foi erguido por Laurence Graff, um dos maiores comerciantes de diamantes do planeta.
Não foi à toa, portanto, que esse foi o local escolhido pela fabricante para ser o palco do lançamento de um dos conversíveis mais magníficos, elegantes e, claro, caros do mundo, o Rolls-Royce Dawn, sucessor do Phantom Drophead Coupé.
A novidade é um pouco menor que o seu antecessor no comprimento, na largura e na altura, mas compensa isso com um acabamento ainda mais primoroso da cabine, que acomoda confortavelmente quatro adultos. Nem mesmo o fato de contar com apenas duas portas atrapalha o acesso – operação facilitada pelo fato de elas abrirem no sentido contrário (tipo “suicida”).
O local também ajuda muito. Além de bonita, as cercanias da Cidade do Cabo lembram um pouco a Califórnia, com casas e ruas bem cuidadas e centros comerciais modernos. Não nos deparamos com nenhum congestionamento. Seguimos nossa rota atravessando o centro da capital legislativa da África do Sul atraindo olhares curiosos e, sobretudo, amigáveis. Ainda é cedo, a costa da Baía da Mesa (região onde se situa a Cidade do Cabo) está envolta por uma leve neblina, o termômetro marca agradáveis 24 °C e do Atlântico sopra uma brisa suave.
Essa é a senha para providenciar a abertura da capota, uma operação que acaba atraindo ainda mais a atenção de quem está por perto. Por meio de um botão, o teto retrátil de tecido (com seis camadas) é recolhido em um compartimento na traseira do carro em apenas 22s. Não duvido que haveria palmas dos curiosos, se houvesse alguém para incentivá-los a fazer isso.
O melhor é que, mesmo sem a proteção da capota, o interior do Dawn se mostra absolutamente confortável. Tudo bem que sigo em uma velocidade apenas razoável, sem explorar o potencial do motor V12 de 6.6 litros. Mesmo assim, o carro se mostra surpreendentemente silencioso.
O Rolls-Royce Dawn é construído sobre a base do cupê Wraith, mas, de acordo com a fabricante britânica, aproximadamente 80% de seus componentes são novos. Por conta do teto retrátil, ainda houve um acréscimo de 200 kg no peso do carro, o que, somado ao fato de o motor V12 possuir menos potência e torque que o do Wraith (são 632 cv contra 570 cv e 81,6 mkgf frente a 79,6 mkgf), poderia dar a impressão de que o conversível é uma “banheira” pesada e lenta.
Ledo engano: também segundo a empresa, o Dawn é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 4s9, além de atingir a velocidade máxima (limitada eletronicamente) de 250 km/h. Incrível para um carro que pesa 2.560 kg!

Dirigir esse Rolls-Royce é uma experiência para ser curtida durante horas. Só assim é possível descobrir e desfrutar do que o carro tem de melhor. Mas o fim do trajeto nos lembra que o prazer nem sempre pode ser alcançado, mas sim comprado. Ou, no nosso caso, emprestado.





