A grande celebração do centenário da BMW, no Olympiahalle – famosa arena multiúso localizada em Munique – começou com uma citação de William Blake (pensador, poeta e artista inglês que viveu entre 1757 e 1827): “Aquilo que hoje está provado não foi outrora mais do que imaginado”.
A frase continua atual, mas se depara com um problema: muita coisa que consideramos razoavelmente possível hoje pode ser totalmente inviável amanhã. Por isso, a BMW decidiu não revelar o tipo de propulsão do carro-conceito Vision Next 100, cuja apresentação, no início de março, celebrou o seu primeiro centenário.
“Essa não foi uma decisão fácil para nós. Afinal, somos Fábrica de Motores da Baviera (tradução para BMW). Mas se anunciássemos o motor hoje, é provável que amanhã ele já estivesse defasado, ou seguindo um caminho que poderia não ser o mais adequado para nós”, explicou o projetista-chefe da BMW, Adrian van Hooydonk.
Uma coisa, porém, é certa: o espaço destinado aos ocupantes dos carros no futuro será maior. “O Vision Next 100 tem baterias armazenadas próximo dos eixos, não há problema”, afirma Hooydonk. E, claro, o automóvel do futuro será livre de emissões e não causará impactos ao meio ambiente.
Mas como é, afinal, esse BMW futurista? Com 4,9 m de comprimento, ele é maior que o sedã da Série 5 atual e por dentro oferece espaço similar ao da nova Série 7. Hooydonk tem 1,92 m de altura, enquanto eu tenho 1,84 m, mas, mesmo assim, me acomodo facilmente atrás dele no Vision. As enormes portas que se abrem para cima tornam o acesso muito confortável e, curiosamente, embora tenha grande área envidraçada, proporcionam privacidade aos ocupantes, graças aos vidros com técnica inovadora, que parecem espelhados e combinam com a pintura da carroceria, na cor cobre.
Outro detalhe que chama a atenção: as rodas estão ocultas por carenagens, cuja missão é reduzir o arrasto. Assim, o ar que sai pelas laterais não provoca turbulência junto à carroceria. O resultado é um coeficiente de penetração aerodinâmico recorde de apenas 0,18.
Também merecem destaque os para-lamas, que não são feitos de plástico reforçado com fibra de carbono, como o restante do carro, mas sim de um material elástico, o que permite às peças acompanharem o movimento das rodas nas curvas, sem prejudicar a aerodinâmica nessa situação.
Como se trata de um automóvel do futuro, um aspecto que não pode passar despercebido é a condução. No chamado modo Ease, volante e console central se retraem, os encostos de cabeça se movem lateralmente e os bancos dianteiros giram, transformando a cabine em uma espécie de sala de estar. Enquanto isso, a central “inteligente” assume o controle do carro.
O outro modo de condução disponível é o Boost, no qual tudo se concentra no motorista. Banco, volante e console são posicionados de modo a oferecer a melhor experiência dinâmica, assim como os controles eletrônicos. O motorista ainda pode interagir com esses sistemas por controle de gestos. A disposição dos elementos na cabine muda dependendo do modo de condução adotado: concentra-se no que é essencial para o motorista no modo Boost, e na atmosfera no modo Ease, destacando a paisagem ou edifícios de interesse pelos quais o carro passa, por exemplo.
O Vision Next 100 ainda pode assumir a função de “treinador” para quem deseja aprimorar suas qualidades de piloto. Basta programar o carro para a central informar os melhores momentos para troca de marcha, pontos de frenagem e tangenciamento de curvas. E o melhor: sem deixar de lado a segurança, já que, graças às informações em tempo real, o carro pode monitorar o trânsito, informando até se outro carro se aproxima no cruzamento à frente.
No vídeo demonstrativo das inúmeras funções do Vision Next 100, as ruas e avenidas do futuro são bonitas e extremamente agradáveis. Dá para imaginar que todos os prédios terão funcionários como Hooydonk, criando maravilhas em seus computadores. Será que o futuro será assim mesmo?
O projetista-chefe da BMW volta a dizer que não sabe. “Mas, se você olhar as coisas como um designer, vai poder imaginar que existe uma grande chance daquilo se tornar realidade”, conta Hooydonk. Então, aguardemos.




