A Audi lançou nesta quarta-feira (6) a nova geração do sedã A4 no Brasil. O modelo, carro-chefe da marca no mundo, parte de R$ 159.990 e promete entregar mais eficiência energética e recursos que o deixarão mais tecnológico frente aos seus rivais diretos da BMW e Mercedes-Benz. 

De acordo com os executivos da Audi, a nona geração do A4 é totalmente nova em relação a anterior. A começar pelo design, embora à primeira vista as mudanças não tenham sido tão drásticas quanto poderíamos imaginar (já que se trata de uma troca de geração), um olhar mais atento percebe que o carro está, de fato, bem diferente. O formato do conjunto óptico e a assinatura dos LEDs diurnos denunciam a renovação. Parachoque dianteiro e capô, com novos vincos que apontam como um “V” para a nova grade hexagonal, também foram atualizados.

Visual do novo Audi A4 não mudou drasticamente

Nas laterais, a linha dos ombros do carro e o vinco nas soleiras das portas caracterizam o novo estilo mais fluido da carroceria do A4, enquanto atrás, os parachoques e lanternas foram redesenhados. Mais importante do que a função estética, a atualização visual do A4 contribuiu para que o modelo alcançasse um coeficiente de arrasto menor, ou seja, à uma menor resistência do ar com o veículo em movimento, o que o deixa mais eficiente. De acordo com a fabricante, o índice de 0,23 de Cx é o menor de sua classe. 

Também em prol da diminuição do consumo, em tempos que as restrições quanto as emissões de poluentes ficam cada vez mais rigorosas (especialmente na Europa), a nona geração do A4 agora é feita sobre a plataforma longitudinal Evo, que permite a adoção de materiais mais leves na construção do sedã, como o alumínio. Segundo Lothar Werninghaus, esta alteração de arquitetura possibilitou a redução de 110 kg a 120 kg no peso total do A4, dependendo da versão. 

O resultado destas evoluções foi comprovado na prática. Segundo o programa de etiquetagem veicular do Inmetro, o Audi A4 recebeu nota A em consumo de gasolina, com médias 11 km/l na cidade e 14,3 km/l. 

Contudo, ele ficou mais baixo e mais leve na nona geração

INTERIOR REFINADO
A cabine do sedã mais vendido da Audi passou por reformulações mais explícitas que o exterior. O painel ganhou o design horizontalizado, sublinhado pelas saídas de ar, igual ao do SUV luxuoso Q7. Ao centro, a fabricante optou por uma tela fixa que se assemelha a um tablet para o sistema multimídia (que, por sua vez, lembra a escolha da Mercedes-Benz para alocar a central). A central, inclusive, agora é compatível com sistemas CarPlay, da Apple, e Android Auto, do Google, para espelhamento de smartphones. 

Abaixo, os comandos da central multimídia foram reorganizados para torná-los mais intuitivos e forma incluindos oito botões para organizar ações favoritas do usuário, sobretudo estações de rádio. A manopla do câmbio também ganhou novo desenho. 

O grande destaque do interior, certamente, é o painel totalmente digital da Audi. Denominado de Virtual Cockpit, o equipamento estreou em 2014 na terceira geração do TT e agora já está presente em diversos modelos da marca. Ele possibilita que o motorista acesse todas as informações do carro, computador de bordo e central multimídia (com exceção dos aplicativos do celular, quando espelhado) sem tirar as mãos do volante, além de permitir dois layouts de visualização.

Interior seguiu estilo estreado pelo SUV Q7

MOTOR APRIMORADO
Sob o capô, o novo A4 é impulsionado pelo novo motor 2.0 turbo de quatro cilindros da família EA888. De acordo com Lothar Werninghaus, consultor técnico da Audi, o propulsor recebeu uma série de aprimoramentos para poder entregar um mais desempenho, sem prejudicar a preocupação com o meio ambiente. O avanço mais notável foi a adoção do ciclo atkinson para cargas parciais no acelerador (aquelas que mantêm o giro do bloco em faixas baixas e intermediárias, teoricamente o modo mais corriqueiro de condução do sedã), nas quais a injeção indireta do coletor de admissão sumplementa a injeção direta FSI de combustível.

O novo método de combustão com menor fase de compressão e fase de expansão mais longa, juntamente com a pressão aumentada no coletor de entrada, caracterizam a redução de perdas de aceleração durante a aspiração. Com isso, a taxa de compressão do motor passou de 9,6:1 para 11,7:1. Isso significa que, na fase de compressão, o motor tem que cumprimir a mesma quantidade de gasolina que um bloco 1.4 TFSI. 

Todo este processo é controlado eletronicamente pelo comando de válvulas Audi Valvelift System que, ao perceber que o motorista precisa extrair mais potência do motor, recorrendo ao “kick down” (“pé embaixo” no acelerador), abre mais tarde as válvulas de entrada, resultando em uma pressão maior (de até 250 bar), o que garante bons índices de potência e torque. 

O propulsor 2.0 pode gerar até 190 cv, entre 4.200 e 6.000 rpm, e 32,6 kgfm de torque, entre 1.450 e 4.200 rpm. Uma transmissão de dupla embreagem de sete velocidades S Tronic trabalha acoplada a ele. 

“TECNOLOGIA DO AMANHÔ
A principal arma da Audi para vender o novo A4 é o conteúdo do carro. Para isso, a companhia tratou de equipar o A4 com recursos de condução e segurança autônomos. Començando pelo piloto automático, o controle agora possui a função “traffic jam” que permite seguir o veículo da frente no trânsito, mantendo o A4 na faixa de circulação até os 65 km/h. 

Até os 12 km/h o motorista pode tirar as mãos do carro para que ele se movimente sozinho em congestionamentos pesados.O sistema de estacionamento autônomo ganhou um assistente de tráfego cruzado traseiro que, além de avisar o motorista quando um outro veículo irá cruzar o caminho do A4, atua nos freios, caso o condutor não reaja a tempo. Outro recurso de segurança é o aviso de passagem de veículo ou ciclista nas laterais do carro para que os passageiros saiam do sedã com segurança. 

Painel totalmente digital é destaque do novo A4

Há também um outro recurso de segurança, mas neste caso passiva, de colisão traseira. Numa velocidade de até 250 km/h do veículo se aproximando atrás do A4, o sedã identifica a iminência de acidente e age em três fases: na primeira, liga o pisca alerta para o motorista de trás perceber que está entrando em zona de risco; depois, fecha os vidros e o teto solar do A4 para preparar o carro para a batida; na última fase, pré-tensiona os cintos de segurança, a fim de minimizar os impactos da colisão aos ocupantes do sedã da Audi.

PREÇOS E VERSÕES

  • A4 Attraction: 159.990 – Principais equipamentos: Roda de 17”, Audi Drive Select, sensor de estacionamento traseiro, sensor de luz e de chuva, faróis bi xenônio com luzes diurnas de LED, volante multifuncional, bancos de couro sintético, auto-hold, keyless-go, piloto automático. Opcionais: Virtual Cockpit, central multimídia com integração com smartphone, GPS;
  • A4 Ambiente: 182.990 – Principais equipamentos: versão Attraction, mais roda de 18”, acabamento esportivo, virtual cockpit, central multimídia com integração com smartphone, GPS, pacote de luzes. Opcionais: Pre Sense Rear (assistente de tráfego cruzado traseiro), side assist, câmera de ré, head-up display e sistema de som Bang & Olufsen 3D;
  • A4 Launch Edition (limitada a 500 unidades): R$ 172.990: Roda 17”, Virtual Cockpit, central multimídia com integração com smartphone, bancos esportivos de couro sintético, Audi Drive Select, sensor de estacionamento traseiro, sensor de luz e de chuva, faróis Full LED, volante esportivo multifuncional, espelhos externos rebatíveis eletricamente. Opcionais: ar-condicionado de 3 zonas, piloto automático, roda de 18”, sensor dianteiro, teto solar, Pre Sense Rear, side assist, câmera de ré, head-up display, keyless-go e sistema de som Bang & Olufsen 3D. 
FICHA TÉCNICA AUDI A4
Motor: Dianteiro, transversal, 4L, turbo
Cilindrada: 1.984 cm³
Potência: 190 cv entre 4.200 e 6.000 rpm
Torque: 32,6 entre 1.450 e 4.200 rpm
Tração: Dianteira
Transmissão: S tronic, dupla embreagem, 7 velocidades
Peso: 1.405 kg
Comprimento:  4.726 mm
Largura: 1.842 mm
Altura: 1.427 mm
Distância entre-eixos: 2.820 mm
Tanque de combustível: 54 litros
Aceleração de 0 a 100 km/h: 7s3
Velocidade máxima: 210 km/h

EXPECTATIVA DA AUDI
A Audi não revelou o quanto espera vender do novo A4 este ano. Devido à instabilidade política e econômica que o país vive, o presidente da marca no Brasil, Jorg Hoffman, afirmou que “não espera crescimento da Audi em 2016”, mas que “confia na recuperação a longo prazo da economia brasileira”. Ou seja, estão sendo cautelosos para confessar se esperam que o A4 incomode os rivais Série 3 e Classe C que, atualmente, vendem significativamente mais que o A4 (902 unidades do Mercedes e 746 do BMW, ante as 160 do Audi vendidas neste ano, segundo a Fenabrave). 

PERUA E 252 CV PARA SEGUNDO SEMESTRE
No evento de lançamento do novo A4, a Audi ainda aproveitou para anunciar que a versão perua (Avant) e Quattro (de 252 cv) do sedã estão programadas para chegarem na segunda metade do ano. 

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