Se você é apaixonado por carros há algum tempo ou conhece a história deles, deve se lembrar do Audi 80, um dos primeiros modelos importados pela marca no Brasil. Pois o sucessor dele, o A4 está completando 21 anos de mercado e, para comemorar, acaba de chegar à quinta geração repleto de inovações, desde a construção até o acabamento.
Para começar, o modelo passou a utilizar a plataforma modular MLB do grupo Volkswagen, destinada a modelos de maiores dimensões equipados com motor dianteiro longitudinal e tração nas rodas da frente ou integral. Essa base era usada, até então, apenas pelo Audi Q7 e foi um dos elementos que proporcionou uma redução de 120 kg no novo A4 na comparação com o modelo anterior. Para se ter ideia, apenas a estrutura é 15 kg mais leve que a do antigo. O melhor, porém, é que, mesmo mais leve, a quinta geração é maior que sua antecessora, o que se traduz em mais espaço para os ocupantes.
O aspecto que pode causar alguma polêmica é o visual do novo modelo. Afinal, embora tenha evoluído bastante na essência, o A4 não traz nenhuma “revolução estética”. Ao contrário, o principal elemento na dianteira, a grade, continua com o mesmo formato e ganhou apenas um aspecto mais requintado com filetes cromados. Os faróis agora têm estilo mais ousado, detalhe realçado pelas luzes diurnas de LEDs, com nova disposição. Uma curiosidade é que as versões mais sofisticadas do A4 não possuem faróis de neblina na parte inferior do para-choque. Em vez delas a Audi instalou o sensor do radar e a câmera dos programas de assistência. Opcionalmente, o novo Audi pode ter faróis de LEDs, incluindo as luzes direcionais (com acendimento dinâmico).
Nas laterais, o novo A4 sedã não traz nenhuma grande novidade perceptível. O detalhe que chama a atenção é o fato de agora os retrovisores estarem fixados na porta, e não mais no canto inferior das janelas. De acordo com a fabricante, esse recurso — em conjunto com outros — permitiu atingir o coeficiente aerodinâmico (Cx) de apenas 0,23, excepcional para um sedã.
BOM POR FORA, MELHOR POR DENTRO
E se melhorou por fora, por dentro as inovações merecem ainda mais destaque. O que mais chama a atenção, claro, é o inovador quadro de instrumentos digital, batizado pela Audi de Virtual Cockpit, e que estreou no esportivo TT. Assim, o motorista tem à disposição uma enorme tela de 12,3” com ótima resolução de 1.440 x 540 pixels bem à frente, além do monitor no centro do painel. Por meio da tecla View no lado esquerdo do volante multifunção, pode-se escolher entre diversas telas, incluindo o navegador com sugestões de pontos turísticos ou serviços que você pode precisar, como bancos ou lojas.
Acha que é muita coisa para o sistema multimídia? Pois tem mais: você pode conectar o seu smartphone ao carro e usar seus aplicativos normalmente, além de transferir contatos e agenda para o veículo. E, como no MMI (sistema multimídia da marca) atual, você pode “desenhar” letras no topo do seletor para inserir um endereço novo no navegador, por exemplo. Durante a nossa avaliação, porém, preferimos usar o comando por voz, bem mais prático, intuitivo e rápido.
MAIS FUNCIONALIDADE
Outro sistema que estreia no A4 (como opcional) é o Head Up Display, que projeta as principais informações do carro (velocidade, funcionamento do controlador de cruzeiro, marcha etc.) na parte inferior do pára-brisa, permitindo ao motorista manter a atenção na via.
Segundo a Audi, o A4 é um carro com vocação familiar, e assim, a empresa providenciou outro opcional que deverá fazer sucesso. Trata-se de um tablet da própria marca instalado no banco traseiro, que possui sistema operacional Android e, além de funcionar como gadget, também está conectado ao carro, permitindo que os passageiros possam programar uma rota no navegador, selecionar a estação de rádio (ou mídia), ajustar a temperatura do ar-condicionado etc.
Mas não foi em termos de equipamentos que o A4 ficou mais requintado. Integrante do seleto clube dos automóveis premium desde o seu lançamento, em 1994, o modelo ganhou bancos com massageadores (opcional disponível, até então, apenas em veículos mais caros). E, embora não tenha crescido tanto nas dimensões, o aproveitamento do espaço interno foi aprimorado e percebe-se que os ocupantes viajam com muito mais conforto, principalmente aqueles que viajam no banco traseiro.
Outra atração é o novo motor 2.0 TFSI que, segundo a Audi, apresenta um novo método de combustão, que inclui taxa de compressão maior, tempo de compressão da mistura menor e de expansão mais demorado. Por conta disso, câmaras de combustão, pistões, dutos de admissão e turbocompressor, entre outros itens, tiveram de ser modificados.
O resultado, garante a fabricante, é o motor mais eficiente de sua classe, capaz de gerar 190 cv e 32,6 mkgf e de obter um surpreendente consumo de 20,8 km/l! O carro ainda terá outras duas opções de motor a gasolina (1.4 e outro 2.0, com 252 cv) e três a diesel. Curiosamente, a configuração mais potente da gama será o V6 a diesel, com 272 cv.
Em termos de câmbio, a novidade é a substituição da antiga caixa Multitronic (continuamente variável) pela S tronic robotizada de dupla embreagem e 7 marchas, idêntica à que equipa outros modelos da marca. De série, o carro vem com câmbio manual de 6 marchas e tração dianteira, com a integral quattro opcional.
Com tantas novidades, a quinta geração do Audi A4 promete agitar a competição no segmento dos sedãs médios premium e deve preocupar os dirigentes de BMW e Mercedes, seu principais concorrentes. Recém-apresentado na Europa, e com início das vendas previsto para o fim deste ano, a quinta geração do A4 deve chegar ao mercado brasileiro em meados do ano que vem. E acredite: vale a pena esperar por ele.




