Sou apaixonada por carros. Por isso, nesta coluna sempre procuro mostrar aqueles que marcam ou marcaram recentemente a minha memória e mexeram com a minha emoção. Com o Audi A4 aconteceu algo parecido no seu lançamento, há quase um ano, começando porque tudo ocorreu em Veneza, na Itália, em uma minúscula ilha que alojava um hospital – e agora tornou-se um hotel de luxo. 

Lançamento da nova geração do A4 foi em um ilha em Veneza, na Itália

Você pode perguntar: “Ah, claro! Jornalistas testam carros em ilhas?”. Veja bem, a coletiva e hospedagem foram na ilha. Mas a avaliação ocorreu no dia seguinte, nas estradas dos arredores. Por sinal, apesar de não ter sido possível avaliar, fiquei sabendo que a região de Veneza tem a melhor produção de Prosecco de toda a Itália! Mas lembre-se que direção e álcool não combinam!

Era um hospital, agora é um hotel de luxo perto de Veneza

Peguei o Audi A4 no Brasil para relembrar o porquê ele havia marcado a minha memória. Foi fácil redescobrir. Esse modelo é um dos mais inteligentes e “redondos” que já tive a oportunidade de guiar. Mas se você quer dirigir “pianinho”, o sedã comporta-se como um modelo mais modesto, com bom consumo de combustível. Leonardo Barboza, nosso editor de testes, relembra como ele se saiu: “O A4 teve um consumo médio de 12 km/l, sendo que na cidade ele fez 8,8 km/l, muito bom para um sedã desse porte”.

Versão que testei do A4 era a Ambiente 2.0 TFSI

Superconfortável, o A4 tem espaço de sobra para quatro adultos. Ou, no meu caso, para o cão Charlie e a gata Amy, que viajam comigo a maior parte das vezes, presos adequadamente no banco de trás, com direito ao ar-condicionado automático de três zonas com saída exclusiva na traseira. Charlie agradece: muito peludo, ele fica feliz com um climatizador eficiente. 

Adoramos claridade e por isso abri o teto solar para sentir o sol através do vidro, nos abençoando com mais um dia! Som na caixa e ponha caixa nisso: um excelente sistema de áudio da marca Bang & Olufsen (não sei como dizer esse nome!). Pensei na seleção musical daquela manhã e achei que Ivete Sangalo cairia bem: “Pra frente, pra frente, nossa vida vai, nossa vida vai…”.

Central multimídia do sedã oferece tecnologia de espelhamento de celular

Olhando para a frente literalmente, fui orientada pelo sistema Head-up display, um tipo de projeção no vidro dianteiro – bem na altura do olhar do motorista –, durante o trajeto inteiro. Ali, sem precisar desviar o olhar nem por um segundo, já se tem várias informações, especialmente de velocidade. Útil para respeitar esses milhões de radares que inundam as cidades brasileiras. 

Por falar em utilidade, vale lembrar que o A4 tem um sistema de conectividade que considero um dos melhores. Ele baixou o meu iPhone na sua tela digital. Me sentia perfeitamente confortável ao dirigir, mesmo presa em congestionamentos, para resolver várias questões ao telefone, por meio dos comandos de voz: “Siri, quero falar com o Jórg Hofmann [CEO da Audi Brasil] e dizer que ele está de parabéns por este ótimo carro”. Da mesma maneira que falamos as verdades mais cruéis, deveríamos dar as boas notícias para os executivos, quando eles acertam com determinados modelos. Infelizmente, a Siri não compreendeu a ordem! 

Também diria ao Sr. Hofmann que não gostei muito do preço, pois essa versão que eu rodei, o A4 Sedã Ambiente 2.0 TFSI Tronic, custa R$ 182.990. Mesmo com muito conforto, luxo e conectividade, vamos dizer que é um carro para poucos que não querem ser chamados de “tiozinhos”. Sedã sempre remete aos bem-comportados Corolla e Civic, amados por 100% dos seus motoristas, que são mais prudentes, digamos assim.

Por que o Audi A4 não é de “tiozinho”? Porque ele pode se tornar um avião quando se acelera em uma estrada. No nosso teste de pista ele acelerou de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos, o que já é a maior comprovação do seu DNA de carrão. O seu motor 2.0 TFSI tem 190 cv de potência (entre 4.200 rpm e 6.000 rpm). Wilson Toume, editor-chefe da revista CARRO, pode explicar melhor isso: “A principal atração do novo A4 é mesmo o motor 2.0 TFSI. Nele, a fase de compressão da mistura nos cilindros é menor, enquanto o de expansão é maior. Trata-se do ciclo Atkinson, usado em modelos híbridos e que se destaca pela maior economia de combustível, sem prejudicar o desempenho”.

Motor 2.0 turbo tem 190 cv de potência e 32,7 kgfm de torque
 Para dizer que não falei de “flores”, naquele teste na Itália, o A4 vinha equipado com um sistema de direção autônoma, que funciona em baixas velocidades. Foi incrível: até 60 km/h ele realmente dirige sozinho, fazendo curvas, freiando etc. Basta ter a preocupação de colocar as mãos no volante de tempos em tempos, para lembrar que ainda há um motorista por ali! No Brasil, não é possível utilizar esse recurso. Sinto informar, mas estamos a anos-luz de atender as rígidas normas para que o sistema autônomo funcione.

Bom, pessoal, por hoje é só! Neste momento estou em Lisboa, tirando umas férias justas. Só para não ficar totalmente fora do ambiente dos carros, pedi um Citroën Grand C4 Picasso a diesel (ou gasóleo, como se fala por cá) com injeção direta, sem previsão de chegar ao Brasil. Ele é Grand mesmo, oh pá! Darei mais notícias em breve! 

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