“Eficiência” é a palavra da vez no mundo automotivo e, quando falamos de modelos esportivos, isso significa extrair o máximo que a mecânica pode oferecer em nome da performance. O Toyota GT86, no entanto, foge desse lugar comum. Ele não foi desenvolvido para ser o mais rápido em uma pista, nem oferecer a melhor aceleração, ou mesmo a máxima capacidade de tração em curvas. Sua meta é oferecer o máximo de diversão e conectividade ao volante. Imagine, então, minha felicidade ao ser informado que a Toyota ofereceria um pequeno test-drive no cupê esportivo durante a cobertura do Salão de Tóquio?

Mas o encontro com o “86” (assim chamado pelos íntimos), infelizmente, foi breve. Extremamente breve. Entre me acomodar no modelo, realizar duas breves voltas no autódromo de Nishiura (localizado em Nagóia, Japão), e sair do cokpit para dar lugar a outro jornalista, passaram-se exatamente 2 minutos e 37 segundos. A surpresa foi igualmente desanimadora quando confirmamos a versão disponibilizada: apenas com o câmbio automático de 6 marchas.

Toyota GT86

Embora a versão que aposenta o pé esquerdo do motorista para dirigir seja importante pelo ponto de vista mercadológico — afinal há quem almeje apenas o visual esportivo e não a dirigibilidade —, o contato com essa configuração nos afasta da proposta original do cupê. Especialmente porque o manuseio do câmbio manual Aisin (subsidiária da Toyota) de 6 marchas pode ser considerado como a cereja do bolo: toda a base está ali, mas é ele quem ofereceria um toque diferenciado de sabor.

Porém, se a seleção do modelo e o tempo disponível para a avaliação foram frustrantes, a satisfação proporcionada pelo comportamento dinâmico do 86 foi inversamente proporcional. Seu motor 2.0 16V boxer aspirado é capaz de produzir 197 cv a 7.000 rpm e 20,9 mkgf a 6.600 rpm, números que casam muito bem com a proposta de sua suspensão, a qual mostrou ótimo acerto entre maciez e firmeza para atacar curvas. E, com o controle de estabilidade desligado, o cupê oferece divertidas e previsíveis escorregadas de traseira quando provocado — brincadeiras que são facilmente corrigidas pela direção direta. Os pneus são 205/55, montados em rodas de liga leve aro 16”.

Volta rápida foi realizado em pequeno autódromo no Japão

 

O som metálico do motor torna-se empolgante a medida que o pedal do acelerador colado no assoalho faz a agulha do conta-giros aproximar-se do limite de rotações a 7.400 rpm. O desempenho não é de tirar o fôlego, mas coloca com facilidade um sorriso no canto da boca do condutor. O pedal do freio, por sua vez, é duro e exige pressão do motorista para o modelo perder velocidade. É um conjunto agradável e instigante.

Mercado

O Toyota GT86 foi desenvolvido em parceria com a Subaru — que, por sua vez, oferece o mesmo modelo com o nome de BRZ. Nos Estados Unidos, a versão da Subaru é comercializada por US$ 25.595 (o equivalente a R$ 58.900, sem taxas de importação ou impostos brasileiros), enquanto, a Scion, submarca da Toyota focada em público jovem, comercializa o 86 pelo nome de FR-S no mesmo país por US$ 25.255 (R$ 58.100).

A Toyota diz apenas que “estuda” a oferta do GT86 no Brasil e ainda não tem uma posição final sobre o assunto. Caso a importação se concretize, não seria errado especular que seu preço por aqui fique na faixa dos R$ 140.000, bem próximo dos R$ 134.390 cobrados pelo Peugeot RCZ (1.6 THP, de 165 cv).

 

Toyota GT86

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