Enquanto as marcas de automóveis desenvolvem tecnologias para tornarem seus veículos mais eficientes, cresce também a procura por componentes de alta qualidade. Para mostrar seu alinhamento com as atuais demandas mercadológicas, a Continental convidou a CARRO para ir até Hannover, na Alemanha, conhecer a maior pista de testes da empresa, chamada Contidrom, onde também teríamos contato com alguns de seus novos produtos.
Embora a Continental seja conhecida no Brasil como uma marca de pneus, mundo afora a empresa, fundada em 1871 como produtora de componentes derivados de borracha, também desenvolve sistemas de monitoramento de pressão de pneus (que se tornaram obrigatórios em todos os veículos europeus fabricados a patir de novembro deste ano), pastilhas de freio compostas de cerâmica para veículos comuns, sistemas de entretenimento e até mesmo de auxílio à dirigibilidade.
A maior parte de nossa visita foi focada no Contidrom, pista de testes desenvolvida em 1967 e modernizada com o passar dos anos. Além de realizarmos testes dinâmicos e recebermos explicações sobre os produtos, pudemos conhecer ali o Aiba (Automated Indoor Braking Analyzer, ou analisador automatizado de frenagens indoor, em inglês), recurso único no mundo, de acordo com a Continental.
Sem interferências
O Aiba é um laboratório localizado dentro do Contidrom, onde veículos modificados e conectados a um trilho lateral são acelerados por energia elétrica e freados automaticamente por robôs no momento correto. Totalmente supervisionado por câmeras e sensores, e com funcionamento gerenciado por computadores, o sistema fica livre de poeira ou de detrito (comuns nas pistas de teste) e ainda tem a sua temperatura interna controlada (entre 10 ºC e 25 ºC) a fim de garantir que todos os pneus sejam avaliados sob condições iguais. Tudo para impedir qualquer tipo de interferência externa ou humana nos resultados.
O mais interessante do circuito automatizado, no entanto, é a própria pista de testes, onde até quatro veículos podem ser testados simultaneamente. A parte de frenagem da pista dos automóveis, cuja extensão é 75 metros, pode ser deslocada e substituída por outros tipos de asfalto: um maquinário se encarrega de trocar as seções de piso, que pesam 120 toneladas, cada uma.
Para aumentar as possibilidades de condições de teste, o local ainda conta com sistema para criar filetes controlados de água nos blocos de testes, e utilizar até mesmo uma seção de gelo. As frenagens no Aiba podem ser realizadas a até 120 km/h e, segundo a marca, até 100.000 pneus podem ser testados no local, por ano.
Testes dinâmicos
Duas avaliações interessantes e educativas puderam ser realizadas no Contidrom. A primeira foi um teste de desvio de faixa a 60 km/h com dois BMW 320d: um com a pressão dos pneus adequada, e outro com um pneu calibrados com 12 psi a menos, em média. O objetivo da atividade era mostrar a diferença que a calibragem incorreta causa na dirigibilidade.
Mesmo com os controles de tração e de estabilidade ativados, o BMW exigiu grande movimentação no volante e rápido contraesterço para manter a trajetória e não acertar os cones que delimitavam o trajeto: sem estar na pressão adequada, o pneu não consegue apoiar corretamente sua banda de rodagem no piso. Em tal condição, nem controles eletrônicos ou o melhor pneu do mundo consegue oferecer dirigibilidade segura, uma vez que a deformação dos pneus causada pela baixa pressão interna impede com que a banda de rodagem toque corretamente o asfalto. Na segunda e na terceira passagem, assumimos o volante de um BMW 320d com calibragem correta, e a manobra evasiva foi realizada sem grande esforço, mesmo com os controles de segurança desligados.
O segundo teste foi realizado em um circuito travado, com piso molhado e dois veículos com tração traseira. Realizamos duas voltas com um BMW 318i (modelo 2002) equipado com pneus ContiSportContact 5 (lançado em 2012), e, na sequência, assumimos o comando de um BMW 116i (lançado em 2012), equipado com o ContiSportContact (de 2002). O objetivo da marca era mostrar a evolução dos pneus e a diferença que eles fazem na condução. E a experiência foi marcante.
Mesmo com o 318i tendo suspensão e diferencial menos avançados que os presentes no 116i, o veículo de 2002 transmitiu muito mais confiança e segurança na condução. Os pneus mais modernos ofereceram maior capacidade de tração nas frenagens, nas entradas e nas saídas de curva, além de proporcionarem uma “comunicação” consideravelmente melhor com a direção. Com um pouco de atenção, o condutor consegue sentir no volante as vibrações dos pneus que indicavam o limite de sua tração. E quando o limite da aderência era alcançado e superado, o ContiSportContact 5 P mostrava respostas mais graduais e menos ariscas, tornando mais fácil a tarefa de colocar o veículo novamente na trajetória correta. A situação era totalmente diferente com o 116i e o ContiSportContact — pneu que foi muito elogiado na época de seu lançamento, mas que mostra desempenho muito inferior ao oferecido atualmente no mercado.
Silêncio a bordo
Um dos maiores destaques do evento foi o pneu Conti.eContact, desenvolvido para veículos híbridos e elétricos. Como esse tipo de veículo tende a apresentar baixo (ou nenhum) barulho de motor, outras fontes de ruído se destacam durante a condução, especialmente o da rodagem dos pneus. Além da diminuição da resistência ao rolamento, a novidade da Continental foi desenvolvida para reduzir os sons provenientes do contato com o piso e da ressonância do ar em seu interior.
Segundo técnicos da marca alemã, o Conti.eContact emite cerca de 20% menos ruídos que um pneu comum. Entre suas novidades está a chamada AeroFlex, nova lateral do pneu com menor deformação, fornecendo melhor aerodinâmica e diminuindo o desperdício de energia nos amortecimentos. Outra inovação é chamada de ContiSilent, uma camada de 20 mm de espessura de uma espuma de polímeros, aplicada dentro de toda a circunferência interna do pneu — de modo a minimizar a ressonância gerada pelo ar em seu interior. Outros diferenciais do novo pneu “verde” são os Hydro-sipes, (pequenas ranhuras na banda de rodagem que auxiliam na dispersão de água) e o chamado Green Chili Compound, fórmula química que reduz o atrito dos polímeros dos pneus que ocorre durante a deformação natural de rodagem, diminuindo a resistência ao rolamento.
Durante a avaliação dirimos um Porsche Cayenne Hybrid S e também um Lexus RX 450h equipados com o Conti.eContact. Nos percursos com diversos tipos de asfalto, o nível de ruído a bordo se mostrou notavelmente baixo e agradou — embora nenhuma análise técnica por instrumento tenha sido feita. Em termos de dirigibilidade, os componentes apresentaram comportamento normal, e isso é uma vitória: apresentar benefícios e nenhum comportamento que cause estranheza é sempre um bom indício de um novo produto para o consumidor.











