A Peugeot lançou nesta terça-feira (7), em evento na Bahia, seu novo crossover, que promete alavancar as vendas da marca por aqui. Baseado no hatch 208 e fabricado em Porto Real (RJ), o modelo parte de R$ 67.190 para concorrer no disputado segmento dos SUVs compactos, que até agora não tinha nenhuma opção da marca francesa.

Para marcar o “redescobrimento” da Peugeot no Brasil, conforme disse o diretor-geral da companhia no país, Miguel Figari, o local do lançamento mais importante da empresa nos últimos anos veio a calhar: Santo André, Bahia, onde os primeiros portugueses chegaram à costa para descobrir o Brasil. Para dar uma sortezinha extra, o hotel em que a cerimônia foi realizada hospedou a seleção da Alemanha na Copa de 2014.
 

Peugeot 2008 tem vocação urbana, apesar desse lamaçal da foto

O objetivo da Peugeot com o 2008 é crescer 30% nas vendas no Brasil, o que resultaria aumentar de 1% para 1,35% sua participação no mercado local. A marca espera emplacar 1.100 unidades do modelo a partir de junho, mas as vendas começam já em maio, quando todas as 120 concessionárias Peugeot no país terão um 2008 exposto nos showrooms, além de unidades disponíveis para test-drive.

O 2008 estreia com cinco versões, com motorização 1.6 aspirada de 122 cv e 16,4 kgfm de torque, com câmbio manual de cinco marchas ou automático de quatro velocidades (o mesmo do hatch 208); ou 1.6 turbo (THP) de 173 cv e 24,5 kgfm de torque, trabalhando com câmbio exclusivamente manual, de seis marchas. Ambos são flex.

De acordo com Figari, a configuração Griffe deve responder por 80% das vendas do modelo (70% com transmissão automática). “O mercado de SUVs vai crescer muito no Brasil, e acreditamos que o maior potencial de vendas estará justamente nesta faixa de preço”, disse.
 

Mini-3008 ou mega-208: crossover promete versatilidade sob visual típico da Peugeot
A falta de câmbio automática para a versão THP (que poderia receber a caixa de seis velocidades utilizada no 3008, por exemplo) é explicada pelo custo excessivo. “Decidimos nos concentrar onde podemos atrair mais clientes”, afirmou Figari. Reforçando a abordagem mais “de massa” para o 2008, a Peugeot destaca que seu SUV compacto automático é o mais acessível do mercado (parte de R$ 70.980), além de oferecer itens de série exclusivos desde as versões iniciais, como piloto automático, airbags laterais e ar-condicionado automático.

Veja as cinco versões do 2008:

Allure 1.6 — R$ 67.190
Quatro airbags, freios ABS com EBD, LEDs para uso diurno, faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro, piloto automático e limitador de velocidade, computador de bordo, ar-condicionado de duas zonas, volante revestido de couro com regulagem de altura e profundidade, direção elétrica, trio elétrico e central multimídia touchscreen de 7” com navegador e comandos no volante.

Allure 1.6 automático — R$ 70.890
Adiciona as alavancas para trocas de marcha atrás do volante.

Griffe 1.6 — R$ 71.290
Mesmos itens da anterior, mais dois airbags do tipo cortina, acendimento automático dos faróis, sensor de chuva, sensor de estacionamento dianteiro, teto solar panorâmico, bancos revestidos parcialmente de couro e banco traseiro bi-partido rebatível. 

Griffe 1.6 automático — R$ 74.990
adiciona as alavancas para trocas de marcha atrás do volante.

Griffe 1.6 THP manual — R$ 79.590
Mesmos itens da versão Griffe aspirada, com a adição do controle eletrônico de estabilidade, faróis de neblina com função “cornering”, Grip Control (controle de tração com cinco modos de funcionamento: barro, areia, neve, normal e off) e o sistema de auxílio de partida em aclive.

CARÁTER ESPORTIVO
A Peugeot apresenta o 2008 como uma mescla de três carrocerias (exatamente a definição de um crossover) para explicar sua natureza: hatch, MPV (multiuso) e SUV (utilitário esporte). As duas últimas norteiam a versatilidade do modelo, tanto para a vida a bordo dele, com facilidades como o banco traseiro bipartido rebatível e diversos porta-objetos, quanto para superar obstáculos mais facilmente, devido ao perfil alto e à robustez.

Ao volante, contudo, o comportamento do crossover é digno de um compacto de fato. Já pela posição de dirigir é possível perceber que a construção do chamado iCock-pit da Peugeot foi pensada para privilegiar uma posição um pouco mais esportiva, em detrimento de uma postura mais verticalizada, comum em SUVs. Embora para os mais baixos a ideia de deixar o quadro de instrumentos acima do volante signifique ter parte de sua visão obstruída, os ajustes de altura e profundidade da direção contribuem para encontrar a posição ideal de dirigir.
 

Mais baixos podem se atrapalhar com o painel, que deve ser olhado por cima do volante

A versão designada para o teste foi a top de linha Griffe 1.6 THP, de 173 cv. O elogiado propulsor é o mesmo que equipa outros modelos PSA Peugeot-Citroën (3008, C4 Lounge e DS3).

Trabalhando com uma transmissão manual de seis marchas no 2008, o vigor do motor impressiona logo de cara. Já às 1.750 rpm o pico do torque é atingido e o bloco não poupa o motorista de um empolgante impulso a partir desta faixa de rotação, assim que a turbina é acionada. O fenômeno é tão perceptível que pode até incomodar em situações de tráfego intenso, quando se utiliza apenas até a segunda marcha.

Nas condições de trânsito livre e estradas do teste, porém, o 2008 entrega boa dose de emoção ao motorista. Não é a toa que em nosso teste de desempenho o crossover marcou 7s80 para acelerar de 0 a 100 km/h. Apenas o câmbio merece ressalva. Seus engates poderiam ser mais justos, pois há uma leve perda de potência entre uma troca e outra, devido aos cursos longos da caixa. 

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Para corroborar o perfil dinâmico do 2008, a Peugeot calibrou a suspensão do modelo buscando maior conectividade com o solo, a fim de proporcionar mais estabilidade. Se por um lado tal orientação aumenta a precisão do carro em curvas (destaque para a direção neste quesito também), em trechos onde o piso é mais castigado, como pelos quais passamos em Porto Seguro (terra batida, paralelepípedos) os ocupantes ficam mais sujeitos às imperfeições da via. Mas esse comportamento não chega a prejudicar o conforto em demasia (não houve nenhuma batida seca do amortecedor no assoalho durante o teste).

A cabine do 2008 oferece um nível razóavel de qualidade de acabamento. Não há rebarbas visíveis e o design é moderno, agrada ao olhar e respeita a ergonomia, deixando todos os comandos à mão do condutor sem precisar deslocar os ombros ou as costas do encosto do banco. No entanto, em trechos onde houve muita trepidação, surgiram muitos ruídos dentro do habitáculo, o que pode colocar em dúvida a durabilidade dos materiais.
 

Motor THP é bicombustível e pode entregar até 173 cv (com etanol) 
PROVA DE VALENTIA
Para fazer um contraponto ao apelo esportivo em torno da versão THP do 2008, a Peugeot equipou exclusivamente a versão com a tecnologia Grip Control. Trata-se de um controle de tração com cinco modos de utilização adaptados a determinados tipos de solo: barro, areia, neve e normal (além da opção de desligá-lo).

Em todos os casos, o veículo, que só possui tração dianteira, identifica qual das rodas da frente precisa de mais torque, dependendo do nível de aderência, e a privilegia para poder tirar o carro de atoleiros ou fornecer mais estabilidade em pisos molhados.
 

Grip Control é controlado por seletor (detalhe) e tem suas funções mostradas em tela no painel

Com o intuito de demonstrar a eficácia do recurso, a Peugeot preparou um pequeno desafio ao crossover, criando um trecho com cerca de 30 m de lama para o modelo superar. O objetivo era comparar a dificuldade de cruzar o barro sem a ajuda do controle de tração e o benefício de acioná-lo.

Embora o carro tenha obtido sucesso em todas as tentativas (com o Grip Control), o vídeo abaixo mostra que a façanha não foi tão fácil. Ao que tudo indica, o recurso deve ser tido mais como um item de segurança do que como convite a aventuras mais pesadas no fora-de-estrada.
 

DADOS DE FÁBRICA (Griffe 1.6 THP)

Velocidade máxima (km/h): 209
Motor disposição/número de válvulas: Diant., transv., turbo/16
Cilindrada (cm³): 1.598
Potência (cv): 173 (E) / 165 (G) a 6.000 rpm
Torque (mkgf): 24,5 kgfm a 1.750 rpm
Câmbio: manual, 6 marchas
Suspensão (dianteira/traseira): independente/travessa deformável
Peso vazio (kg) 1.231
Porta-malas (litros): 355
Tanque de combustível (litros): 55
Pneus (veículo testado): 185/65 R15
Comprimento/largura/altura (mm): 4.159/1.739/1.583
Entre-eixos (mm): 2.542
Pneus: Goodyear Efficientgrip 205/60 R16

NOSSAS MEDIÇÕES (Griffe 1.6 THP)

Aceleração:
0-60 km/h (m): 3,84 (34,25)
0-80 km/h (m): 5,63 (69, 27)
0-100 km/h (m): 7,80 (123,76)
0-120 km/h (m): 11,14 (225,51)

Retomadas:
40-100 km/h em 3ª marcha (s): 7,78
60-120 km/h em 4ª marcha (s): 10,24
80-120 km/h em 4ª marcha (s): 6,87

Consumo (em km/l de etanol):
Consumo cidade: 7,2
Consumo estrada: 10,6
Consumo médio (PECO): 8,7
Autonomia em km: 478

Reportagem em Santa Cruz de Cabrália (BA)
Viagem a convite da Peugeot do Brasil

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