Texto: Marcos Camargo Jr.

A Chevrolet prepara a estreia do novo Sonic no Brasil, SUV compacto que chega até junho com produção já iniciada em Gravataí e papel estratégico dentro da linha. Posicionado abaixo do Tracker, o modelo mira diretamente Volkswagen Tera e Nivus, além de Fiat Pulse e Renault Kardian, em um dos segmentos mais disputados do mercado.

A revista CARRO apresentação ocorreu em um encontro restrito com jornalistas, no qual a GM exibiu o modelo final, em um estúdio sem a presença de fotógrafos e vetado ao uso de celulares. No conteúdo técnico apresentado, a marca detalhou o posicionamento do produto e o desenvolvimento do projeto, que nasce para ocupar um espaço intermediário entre hatches e SUVs compactos.

Embora utilize a base do Onix, o Sonic cresce em dimensões e muda de proposta. São 4,23 metros de comprimento, 1,77 m de largura e 1,53 m de altura — medidas que o aproximam de SUVs de entrada mais robustos e o colocam diretamente na disputa com modelos de perfil cupê e utilitário compacto. Apesar do compartilhamento estrutural na seção central da carroceria, o modelo recebeu alterações relevantes em capô, para-lamas, tampa traseira e acerto de suspensão.

O design segue uma linguagem mais alinhada aos SUVs recentes da marca. A dianteira traz DRL afilado posicionado abaixo do capô elevado, enquanto os faróis em LED prometem ganho de 19% na eficiência luminosa, segundo a GM. Portas e painéis externos foram redesenhados, reforçando a diferenciação em relação ao hatch de origem.

Outro ponto de destaque está no pacote de assistência à condução. O Sonic estreia uma evolução do sistema ADAS da GM, com câmera de maior resolução e área de leitura 40% superior à do Tracker. A calibração também foi revista, com ajustes específicos para o novo modelo — solução que deve ser estendida a outros veículos da marca futuramente.

Por dentro, a base do Onix permanece visível em elementos como painel e volante, mas o acabamento será diferenciado, com novos bancos e proposta visual própria. A unidade apresentada incluía a versão RS, com rodas escurecidas aro 17 e detalhes visuais esportivos, reforçando o apelo mais moderno do modelo.

Na motorização, não há mudanças. O Sonic utilizará o já conhecido motor 1.0 turbo Ecotec, com até 121 cv, sempre associado ao câmbio automático de seis marchas e injeção direta flex. A adoção de sistema híbrido leve está nos planos, mas não fará parte do lançamento inicial.

Entre os pontos confirmados estão freios a disco na dianteira, tambor na traseira, partida por botão e suspensão recalibrada para o novo conjunto. O desenvolvimento envolveu cerca de 90 fases, incluindo simulações virtuais, validação estrutural e construção de protótipos até a pré-série.

Segundo a GM, o projeto faz parte de um investimento de R$ 1,5 bilhão no complexo de Gravataí, com cerca de R$ 900 milhões direcionados ao novo modelo. A estratégia é clara: ampliar a presença no segmento de SUVs compactos com um produto derivado de uma base consolidada, mas com posicionamento próprio e maior valor agregado.

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