Triumph Street Triple R

A linha de modelos da Triumph Brasil está cada vez mais completa. Você já pôde conferir um Superteste de 1.000 km com a Street Triple na edição n° 188 de agosto de 2013. Porém, 2014 mal começou, e surgiu na garagem da redação a versão R da já perfeita Street Triple. Sim, sem exageros, a versão standard, com seu “torcudo” motor tricilíndrico e um chassi invejável, é uma delícia, praticamente impossível encontrar um defeito.

Triumph Street Triple R

Muitos – que não tiveram a oportunidade de provar – reclamaram da pouca potência dos 85 cv em relação à moto comercializada na Europa (106 cv) e em relação às primeiras unidades importadas pelo antigo representante da marca. Porém, basta acelerar esta – que agora está sendo montada em Manaus, AM – para entendemos melhor o porquê de a Triumph Brasil ter optado por restringir um pouco a potência dos altos giros. A moto tem proposta urbana, não é à toa que leva o nome street, é pequena, confortável e econômica, ou seja, foi desenvolvida para horas e horas de pilotagem sem se cansar. Tem potência de sobra para a cidade.

Compacta porém agressiva. Para os leigos parece uma moto de menor cilindrada

Se tivesse mais de 100 cv, custaria mais e teria problemas para se adequar aos testes de homologação utilizando nossa péssima gasolina. Na Inglaterra, seu país de origem, ela é considerada uma moto pequena, a primeira da vida. Aqui, com preço de R$ 31.900 para a versão standard e R$ 34.900 para a versão R, ela atende um público mais elitizado, que a usa além das necessidades urbanas. Para quem já teve várias motos e não tem pretensão de radicalizar, ela é excelente para o dia a dia. Ela serve muito bem para levá-lo à academia, ao trabalho, ao clube e ou para fazer viagens curtas e divertidas.

Esteticamente, poucas mudanças para a versão R. Sub-chassi em vermelho, mola do amortecedor também vermelha e frisos na roda

Todavia, para atingir todos os alvos possíveis, a Triumph pensou também naqueles que almejam esportividade pura, para quem já tem certa experiência e deseja frear no limite e fazer curvas raspando os joelhos no chão. Utilizá-la nos famosos track days que se proliferam por aí é o ideal.

Painel segue a linha de outros modelos da marca. Completo e de fácil leitura

Então, para esses, há a versão R. Ela tem o mesmo motor da versão standard, mas já sai de fábrica com bengalas de suspensão dianteira totalmente reguláveis e pinças de freio dianteiras de quatro pistões e fixação radial. A versão standard não possui regulagens na suspensão e as pinças são convencionais de encaixe axial e com somente dois pistões cada. Na versão R, a bomba junto ao manete de freio também é radial e tem reservatório do fluido de plástico e separado. Não há versão sem ABS.

Pinças de encaixe radial e suspensões reguláveis são as principais diferenças

Todas as unidades produzidas em Manaus, AM, são equipadas com o sistema antiblocante. Todavia, o quick-shifter que vem na Daytona 675R não é item original na Street Triple R. É acessório e custa mais de R$ 1.000 para ser instalado na concessionária. Muda pouco visualmente – apenas grafismos e cores que trazem a letra R bem aparente, frisos nas rodas, sub-chassi vermelho e mola do amortecedor traseiro dessa mesma cor.

O motor não mudou. É o mesmo tricilíndrico de 85 cv da versão standard

Lembrando um pouco do nosso último teste, onde tecemos elogios principalmente aos freios e as suspensões, o que dizer desta versão R na prática? Se a Street Triple standard era excelente em curvas, essa é magnífica. Mais dura, de fato, mas por consequência é mais estável, principalmente em curvas de grande raio onde se permanece inclinado por muito tempo. E caso o piloto seja mais pesado ou quer, dentro da pista, frear cada vez mais tarde, ainda temos a possibilidade de regular pré-carga, tensão e retorno, tanto na frente quanto na traseira.

Na traseira o disco é menor e a pinça é Brembo. Sempre com ABS de série

O freio da standard é excelente, porém, o sistema da versão R, traz pinças de quatro pistões, radiais e com bomba radial também. Na prática, o piloto necessita de menos força nos dedos, aliás, no molhado, com um sistema tão poderoso como este, você vai dar muito valor ao sistema ABS, pois basta um dedo no manete para a roda dianteira quase travar. Montada com Pirelli Diablo Rosso Corsa, este é mais um motivo do porquê de tanta estabilidade e poder de frenagem. A Triumph não declara mudanças no motor da R em relação ao motor da standard. São declarados 85 cv a 11.200 rpm de potência máxima e 6,9 kgf.m a 9.750 rpm de torque, porém a R tem ângulo de cáster mais fechado e um pouco menos de trail por causa das novas suspensões. Se o piloto andar sempre dentro da lei, ela consome em média 18,5 km/litro na estrada e 16,5 km/litro na cidade, pode fazer até 20 km/litro se o piloto conseguir manter 100 km/h em sexta marcha. Mas com uma Street Triple R é muito difícil se comportar.

A traseira é minimalista. O radicalismo compromete o conforto do garupa

Ela tem capacidade para ultrapassar os 200 km/h e pode fazer de 0 a 100 km/h em cerca de 4 segundos, isso faz dela uma moto bem específica. Para extrair dela tudo o que pode oferecer, deve ser utilizada por pilotos experientes e em pista fechada. Utilizar todas as suas qualidades ciclísticas em ruas e estradas é pedir para levar multa.

Um piloto experiente viajando com muitas superesportivas em uma serra repleta de curvas, não vai ficar para trás. Resumindo, para os mais pacatos há a versão standard, para os mais radicais, que estão sempre dentro da pista nos track days, a Triumph lhe oferece a versão R por R$ 3.000 a mais.

Conclusão:

Se você é daqueles que além de utilizar a moto no dia a dia, não perde um track day no autódromo da sua cidade, esta versão R da Street Triple é, sem sombra de dúvidas, muito mais apropriada do que a versão standard. Porém, para ser utilizada no trânsito da cidade, as ótimas suspensões com regulagens e o sistema de freio poderoso, não fazem a menor diferença, além de deixá-la ligeiramente mais dura. – Eduardo Zampieri, 40 anos. Editor de testes da Revista Motocliclismo. Altura: 1,88 m; peso: 90 kg.

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