Recém-lançadas, versões híbridas de Lexus NX e Volvo XC60 aliam luxo e conforto a baixo consumo de combustível

Teste Duplo – Lexus NX 300h e Volvo XC60 T8

Texto: Gustavo de Sá

Fotos: Renan Senra

Caro leitor: este não é um comparativo convencional, onde os modelos escolhidos são muito semelhantes em preço, porte e equipamentos ou concorrem diretamente pelo posicionamento de mercado. Mas, afinal, o que Lexus NX 300h e Volvo XC60 T8 têm em comum? Ambos são utilitários esportivos recém-lançados que combinam motores a combustão e elétricos, unindo luxo e conforto a baixo consumo de combustível. Desta forma, alinhamos os dois híbridos para este teste duplo especial.

O modelo da Lexus estreou por aqui em 2015 como NX 200t, inicialmente somente com opção de motor 2.0 turbo de 238 cv. No ano passado, ganhou uma leve reestilização, manteve a mecânica e foi rebatizado de NX 300. Agora, o modelo trocou o motor turbo por um aspirado e traz sempre o “h” depois do número, que indica o conjunto híbrido. São três versões: Dynamic (R$ 229.670), Luxury (R$ 240.110, aqui avaliada) e F-Sport (R$ 260.990).

A Volvo lançou a segunda geração do XC60 no Brasil em 2018, sempre com motor 2.0 turbo. Na linha 2019, ele ganhou opções diesel e híbrida. Esta última é restrita ao pacote R-Design, com preço promocional de lançamento de R$ 299.950. XC60 e NX têm medidas próximas em comprimento (4.688 mm x 4.640 mm) e altura (1.658 x 1645), mas o sueco supera o japonês por boa margem em largura (1.902 x 1.845) e distância entre eixos (2.865 x 2.660).

Concepções distintas

O Lexus traz motor 2.5 aspirado, a gasolina, que gera 155 cv a 5.700 rpm e torque de 21,4 kgfm a 4.400 rpm. O propulsor elétrico, por sua vez, gera isoladamente 143 cv de potência e torque de 27,5 kgfm. Juntos, os dois motores resultam em potência combinada de 194 cv – o torque conjunto não é informado. O câmbio é automático do tipo CVT e a tração, integral.

O Volvo, por sua vez, traz motores 2.0 turbo, a gasolina, com 324 cv a 5.700 rpm, e elétrico de 88 cv. A potência combinada é de 413 cv e o torque, de 65,2 kgfm entre 2.200 rpm e 5.400 rpm. Ele utiliza caixa automática de oito marchas e também possui tração nos dois eixos.

Os conjuntos híbridos dos dois SUVs têm concepções diferentes. No Lexus, a bateria é sempre recarregada pelo próprio motor ou pela energia cinética gerada em desacelerações. O Volvo conta com os mesmos sistemas e, adicionalmente, traz um plugue para carregamento externo da bateria na tomada. Por isso, é chamado de híbrido plug-in. A bateria do Lexus é de níquel metal hidreto, uma tecnologia mais antiga e menos eficiente que a de íons de lítio utilizada no Volvo XC60 (e também na atual geração do Toyota Prius, por exemplo).

O sueco tem autonomia estimada em 40 km somente com o modo elétrico ativado. Como há opção de carregamento na tomada, é possível utilizá-lo no dia a dia dentro da cidade sem emitir uma grama sequer de CO2 na atmosfera. A carga total da bateria pode ser feita em três horas considerando uma tomada aterrada de tensão 220 V e 16 A. É possível a recarga em tomadas de menor corrente elétrica, porém, com maior tempo total. A Lexus, por sua vez, não divulga a autonomia no modo 100% elétrico e recomenda-o apenas para curtos trajetos em baixas velocidades.

Ao volante, os SUVs têm comportamentos bastante distintos. O Lexus é notadamente focado em conforto, com suspensão de acerto macio que absorve melhor as irregularidades do solo – em detrimento de maior rolagem da carroceria em curvas. Nele, a aceleração é bastante linear – com relação peso-potência de 9,5 kg/cv, ele foi de zero a 100 km/h em 9s5.

A despeito do peso em ordem de marcha significativamente maior que o Lexus (2.174 kg ante 1.850 kg), o Volvo traz desempenho de esportivo (relação peso-potência de 5,2 kg/cv). O sueco levou apenas 5s4 para ir de zero a 100 km/h e 3s7 na retomada de 80 a 120 km/h, exatamente o mesmo tempo registrado em nossa pista pelo “nervoso” Audi RS 3 Sedan. A velocidade máxima divulgada pela Lexus, de apenas 180 km/h, parece comedida para a faixa de potência – o Volvo, segundo a fábrica, pode chegar a 230 km/h.

Outro benefício do sistema híbrido é o silêncio a bordo no trânsito urbano. Pudemos comprovar isso na prática ao medir o nível de ruído do SUV sueco com o carro parado e somente com o motor elétrico (30,4 dB) e a combustão (39,8 dB) acionados. Acima de 50 km/h, entretanto, a diferença anula-se devido, principalmente, aos ruídos aerodinâmico e de rolagem dos pneus. O ruído do SUV japonês foi medido somente com o modo híbrido acionado pois, no momento do teste, não havia autonomia suficiente para ativar a função de rodagem puramente elétrica.

O Volvo também foi mais eficiente na hora de parar, com a boa marca de 38,6 metros percorridos ao estancar completamente vindo a 100 km/h – o Lexus registrou 42,1 metros no mesmo ensaio. Ambos não apresentaram perda de eficiência após dez frenagens consecutivas com carga.

Como é comum entre os híbridos, em ambos o consumo urbano de gasolina foi melhor que o rodoviário graças à maior utilização do motor elétrico em baixas velocidades. Os dois SUVs empataram na média PECO (cidade/estrada), com a marca de 14,8 km/l. O Lexus garantiu vantagem na estrada (13 km/l ante 12,7 km/l), enquanto o Volvo foi melhor na cidade (16,7 km/l x 16,2 km/l).

Primeira classe

Na cabine, apesar de custar quase R$ 60 mil a menos que o rival indireto, o Lexus não deixa nada a desejar em relação a acabamento e escolha de materiais. Há uso massivo de couro no revestimento do painel, console central e portas. A central multimídia traz tela de 10,3 polegadas e boa quantidade de recursos, inclusive leitor de DVDs, TV digital e navegação GPS. Porém, os comandos por meio do touchpad no console requerem tempo extra para se acostumar.

O Lexus traz regulagens elétricas para os bancos do motorista e passageiro e também no volante (ajustável em altura e distância). Além disso, há memória com armazenamento de até três perfis e função que desliza volante e bancos de forma automática ao desligar o veículo para facilitar a saída do motorista.

A Volvo aposta em um ambiente mais high tech e esportivo para o XC60, com quadro de instrumentos digital, central multimídia com tela tátil vertical de 9 pol., pedais em aço escovado e bancos com revestimento que mescla couro e alcantara. Detalhe interessante é a alavanca de câmbio feita de cristal sueco da marca Orrefors e com acionamento totalmente eletrônico – nas demais configurações do XC60, é do tipo mecânico.

Ambos contam com itens esperados para o segmento, como múltiplos airbags, ar-condicionado digital de duas zonas, teto solar (panorâmico no Lexus), faróis full LED, porta-malas com abertura e fechamento sem uso das mãos e chave presencial, entre outros. No Volvo, é notável o pacote de itens de segurança e condução semiautônoma.

Detalhe interessante é a paleta de cores do Lexus, com até 11 opções, incluindo tons de laranja, azul e vermelho – estes dois últimos também disponíveis no Volvo. Em um mercado tão monocromático como o segmento premium, é um fato curioso a ser destacado. Tanto no NX 300h como no XC60 T8, não há cobrança adicional por pintura metálica ou perolizada.

Na hora da manutenção, o Lexus posiciona-se mais próximo à Toyota do que das concorrentes do mercado premium. Com revisões a cada 10 mil km ou 12 meses, o NX 300h tem plano de manutenção até os 30 mil km de R$ 1.458, valor pouco maior que o cobrado por um Corolla, por exemplo. As paradas do Volvo até a mesma quilometragem, por sua vez, custam mais que o dobro, com o valor sugerido de R$ 3.747 – caso sejam feitas por tempo de uso, a conta pode ficar mais alta devido a paradas intermediárias para troca de óleo.

No final das contas, Volvo e Lexus mostram-se veículos modernos e, basicamente, sem rivais diretos com o mesmo tipo de propulsão. O objetivo deste teste duplo não é escolher um vencedor como em um comparativo tradicional da CARRO. Sendo assim, o consumidor que esteja de olho em um SUV premium deve olhar com carinho para Lexus NX 300h e Volvo XC60 T8 R-Design. Caso conforto e luxo sejam prioridades, o Lexus pode ser a escolha mais indicada. Já se a pretensão for esportividade, não há dúvidas: só o Volvo alia desempenho de Audi RS 3 Sedan a consumo de Renault Kwid.

Conclusão

Por Gustavo de Sá | Repórter

Lexus NX 300h e Volvo XC60 T8 R-Design são os mais recentes SUVs híbridos do mercado brasileiro – e, acredite, os mais “acessíveis”. Não que os R$ 229.670 iniciais do Lexus e R$ 299.950 do XC60 sejam uma “pechincha”, mas representam uma redução relevante em relação a Porsche Cayenne S E-Hybrid (R$ 420.000, recém-descontinuado) e Volvo XC90 T8 (R$ 484.950). As duas novidades destacam-se por unir luxo e conforto a baixo consumo de combustível. Em tempos onde é imprescindível a redução dos níveis de emissão de poluentes a nível global, a popularização da tecnologia híbrida é o caminho mais viável para países como o Brasil. 

> Confira a tabela com os números de teste e notas finais do teste duplo:

 > Galeria de fotos:

 

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