Chevrolet Chevette 1975 fez a cabeça de um jovem de 13 anos que mais tarde o comprou e restaurou nos mínimos detalhes

Texto: Rafael Poci Déa
Foto: Saulo Mazzoni

“A GM não faria apenas mais um carrinho”, dizia a publicidade do Chevrolet Chevette. Originado do projeto 909, era produzido na fábrica de São José dos Campos (SP) e foi lançado em 24 de abril de 1973. Ou seja, seis meses antes do Opel Kadett C, com quem guardava similaridades. Primeiro projeto mundial da fabricante, também foi o percursor dos carros nacionais a utilizar o comando de válvulas no cabeçote acionado por correia dentada, enquanto o tanque de combustível atrás do banco traseiro garantia maior segurança em caso de colisão.

O Chevette teve carrocerias sedã de duas ou quatro portas, hatchback, perua Marajó e picape Chevy 500 (o número fazia alusão à capacidade de carga). Teve também versão esportiva, além das configurações limitadas Ouro Preto, País Tropical e a curiosa Jeans com revestimento interno de brim azul. A trajetória de sucesso durou até 1993, com algumas reestilizações ao longo do tempo.

O primeiro carro compacto da Chevrolet tem até hoje uma legião de fãs, como o comerciante Adalberto Ademar de Andrade, proprietário desta versão Luxo 1975/1975 de cor Amarelo Trigo. Entre seus destaques estão o raro acabamento de jacarandá no painel, janelas traseiras basculantes, carpete e frisos cromados nos para-lamas. “O carro pertencia ao meu padrinho, que era mecânico especializado em Chevrolet. Tinha 13 anos quando vi esse Chevette pela primeira vez”, relembra.

O carro foi comprado do seu padrinho em 1988. A restauração se iniciou em 2000 com o próprio dono desmontando o carro. “Separei as peças em saquinhos plásticos. O carro saiu da garagem de casa com as portas amarradas”, conta. O processo levou mais de um ano e o comerciante revela que sua dificuldade foi encontrar as garras dos para-choques. Faróis, aros dos faróis, grade frontal, para-choques, emblemas, maçanetas, retrovisores e fechadura do porta-malas são originais, inclusive as quatro rodas e o estepe trazem gravado o ano 1975.

Por dentro, a estrutura dos bancos é original, revestidos com o tecido Napa do Opala 1973. “O ar quente era um opcional de época, mas mandei colocar no carro”, diz. O motor longitudinal 1.4 (1.398 cm³) pediu apenas uma manutenção de rotina. “Nunca tive problemas de câmbio, tampouco no diferencial. Só instalei o hidrovácuo e realizei a troca dos burrinhos de roda”, conta.

O modelo, que orgulhosamente estampa a capa do livro do Chevette, também já participou de filmagens e de um evento oficial da fabricante, além de ter rodado no Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba (SP). “Andei na pista circular e cravei 140 km/h”, comemora.

Com somente quatro chuvas no currículo e poucos 13 mil km rodados nesses 17 anos desde que a restauração foi concluída, o Chevette sai apenas uma vez por mês. Um dos passeios é frequentar os encontros de antigos e reunir os amigos. Adalberto é um dos membros mais antigos do Chevette Clube do Brasil, fundado em dezembro de 1997 e soma mais de 35 mil seguidores nas redes sociais (Facebook e Instagram) permitindo a troca de informações com todo o Brasil e outros países, como Holanda, Inglaterra, EUA, Japão, entre outros. O Chevette Clube (chevetteclubedobrasil.com.br) também é reconhecido pelo Chevrolet Clube do Brasil de Carros Antigos e membro dos Clubes Irmãos Chevrolet.

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