Competidores:

Chevrolet Cruze: Na faixa de preço deste comparativo (R$ 75.000), o Cruze chega na versão LT automática. Por quê? A Chevrolet tem uma boa reputação no segmento e o Cruze é um modelo bem procurado.

Ford Focus: Um dos líderes em venda na categoria, chega com motor 2.0 por R$ 75.990 na versão SE Plus. Por quê? Ao lado do Golf, é um dos produtos mais recentes – e desejados – do segmento.

Peugeot 308: Por R$ 75.990, o 308 em sua versão top de linha Griffe THP conta com motor 1.6 turbo de 165 cv. Por quê? O 308 fecha a lista dos quatro hatches médios mais vendidos no Brasil. Motor é moderno.

Volkswagen Golf: Com câmbio de dupla embreagem e 7 marchas, o Golf Highline 1.4 DSG parte de R$ 77.610. por quê? Tem uma legião de fãs no Brasil e segue como uma referência dentro da categoria.

Passam as gerações, mas certas coisas não mudam. O seguro do VW Golf continua caro, o Ford Focus segue com sua suspensão que é um exemplo de acerto e por aí vai. De qualquer maneira, o mais importante é que os hatches médios mantêm aquele toque especial que caracteriza os carros da categoria.

Em modelos como Golf e Focus, além do Peugeot 308 e Chevrolet Cruze, que compõem os quatro produtos mais vendidos do segmento, você encontra um nível superior em termos de acabamento, propulsão, tecnologia embarcada e espaço interno. Resumindo: são modelos para quem quer mais sofisticação e pode pagar por isso. Não é à toa que as fabricantes têm por hábito estrear alguns equipamentos de conforto e segurança justamente nessa categoria.

Mas vamos começar a análise de nossos “convidados”, iniciando pelo anfitrião Golf, um modelo que sintetiza com perfeição tudo o que foi dito sobre esses automóveis. Desde a plataforma até o conjunto motor e câmbio, a sétima geração do VW é um dos carros mais modernos à venda no Brasil. Sem exagero nenhum, o Golf atingiu um patamar construtivo tão elevado que ele não fica devendo em nada para modelos como o Mercedes-Benz Classe A, BMW Série 1 e o “primo rico” Audi A3.

Além de excelente desempenho (confira as medições no fim da reportagem), o Golf se destaca pelo ótimo consumo. Em ciclo rodoviário, por exemplo, ele marcou 16,3 km/l. Claro que as 7 marchas de seu câmbio com dupla embreagem (muito ágil nas trocas, como é de se esperar, mas que mostrou-se ruidoso nas trocas de marcha) contribuem muito com esse resultado.

Fora isso, algumas soluções de calibração mostram que a VW tomou muito cuidado para poupar combustível de todas as maneiras. Se você está no plano ou em uma descida leve e precisa reduzir velocidade por qualquer motivo, ao tirar o pé do acelerador a embreagem relativa à marcha engatada — pode ser a 5ª, a 6ª ou a 7ª – desacopla o motor do câmbio e o carro segue em roda-livre com o motor funcionando em marcha-lenta.

Já a Ford, em termos de propulsão, opta por um caminho inverso em relação à VW. Em vez de um motor menor, porém superalimentado, o Focus conta com um excelente 2.0 flex sob o capô.

Além da injeção direta, o primeiro flex a contar com essa solução, a prova de sua eficiência reside nos 178 cv que ele é capaz de entregar. Ele não anda tão rápido como o Golf, mas está longe de receber alguma crítica severa em desempenho. Nas retomadas, levando em conta que ele encarou rivais com motores turbo, o Focus não fez feio. Claro que a conta vêm alta no que diz respeito ao consumo. Sem start-stop, ele registrou médias de 5,9 km/l no ciclo urbano e 10,3 km/l em uso rodoviário.

Um grave problema notado no Focus foram algumas folgas na parte externa da carroceria, em especial na tampa do porta-malas. Não foi difícil constatar vãos da largura de um dedo entre ela e a lanterna. Isso depõe contra um modelo tão recente como ele e, o que é pior, inserido em um segmento onde a qualidade do acabamento pode ser decisiva.

Só que em contrapartida poucos automóveis são capazes de “vestir” seu condutor como o Ford. Bem servido no que diz respeito às regulagens de volante e bancos, assim como ocorre no Golf, é bem fácil se instalar da maneira mais adequada para dirigir. Soma-se a isso a ótima ergonomia da cabine. O Focus, sem dúvida, é um carro para quem gosta de passar várias horas ao volante. Fora dos congestionamentos, é claro!

Se desde a primeira geração o Focus tornou-se uma referência em dirigibilidade – em especial graças a aposta ousada da Ford de oferecer suspensão traseira multibraço em um segmento até então privado desse “refinamento” à época –, a marca faz questão, para nossa sorte, de deixá-lo cada vez melhor.

Isso é refletido não só na estabilidade e na maneira neutra como o Focus, e também o Golf, encaram as curvas. Ambos oferecem ótimo conforto para os passageiros e trabalham ao máximo para amortecer os buracos, valetas e demais imperfeições pelo caminho. A rigidez de suas carrocerias também ajuda.

Já que o assunto é suspensão, não nos agradou a dureza do conjunto traseiro do Cruze, que adota uma configuração do tipo eixo de torção. Já o 308 mostra-se tão equilibrado quanto Focus e Golf.

O Peugeot é outro que, como o Golf, investe no downsizing para oferecer bom desempenho gastando pouco combustível. Só que, assim como o VW, ele também só aceita gasolina. Desenvolvido em conjunto com a BMW e presente também na linha MINI, o 1.6 THP se destaca não só pelos 165 cv que oferece, como sobretudo pelo generoso torque de 24,5 mkgf disponível já a 1 400 rpm.

O câmbio do 308, entretanto, deixa um pouco a desejar apesar das 6 marchas. Ao buscar desempenho, ele acaba “esticando” as marchas em situações onde não precisa, penalizando o consumo. Já em alguns declives ele mantém a marcha reduzida muito além do necessário. Isso acaba irritando o condutor.

Uma vantagem do 308 considerado aqui é que na faixa de R$ 75 000 você o leva para casa em sua versão topo de linha, a Griffe THP. Bem equipado, o Peugeot conta com central multimídia (que inclui navegador), teto panorâmico, revestimento interno de couro, dentre outros equipamentos. O custo-benefício do 308 é muito bom e a Peugeot está com uma campanha agressiva para o modelo, incluindo financiamento isento da taxa de juros.

Tudo bem que só no Golf você pode encontrar equipamentos opcionais como o assistente de estacionamento (no Focus ele é item de série na versão Titanium Plus de R$ 87 990) e o detector de fadiga, mas a unidade avaliada beira os R$ 120 000, algo quase impensável  para se investir em um hatch médio. O grande problema reside na distribuição (ou na falta de) dos opcionais adotada pela Volkswagen. O “pacote premium”, por exemplo,  custa astronômicos R$ 25 870!

Outro problema envolvendo o Golf diz respeito ao custo das peças de reposição. Se você resolver equipá-lo com o “pacote premium” saiba que os faróis de xenon com iluminação diurna de LED custam R$ 3 278 cada. No total, nossa cesta ficou em R$ 8 630 para o VW contra R$ 3 633 para o Focus, R$ 3 337 para o Cruze Sport6 e R$ 2 791 para o 308, o mais camarada dos quatro.

Pelo menos o Golf amortiza a conta das peças com o menor custo de revisões até 30 000 km. O proprietário do Volkswagen vai gastar R$ 710 no período contra R$ 1 128 do Focus, R$ 1 240 para o Cruze e R$ 1 425 para o 308. Curiosamente o Peugeot não seguiu aqui a mesma política em relação ao observado na cesta de peças. Em comum, todos contam com três anos de garantia total.

Apesar do preço elevado, o conjunto impecável do Golf o conduz ao primeiro lugar nesse comparativo, seguido de perto pelo Focus. O 308 tem suas qualidades – em especial no motor e no custo-benefício – mas está uma geração atrás da dupla vencedora, mesmo mal que se abate sobre Cruze. A bordo de qualquer um deles você estará bem servido, mas, pelo menos por enquanto, o Volkswagen se destaca.

Opinião de:

Vinícius Montoia: Tenho conversado com muitos leitores que dizem já não precisar de carros espaçosos e afirmam que um hatch médio pode satisfazer as necessidades do dia a dia. O Cruze e o 308 têm o melhor espaço para bagagem, mas o conforto e a atualidade de projeto do Focus e do Golf deixam os concorrentes de Chevrolet e Peugeot para trás. E apesar de o Ford ser o hatch mais vendido do mundo, o Golf tem acabamento e desempenho superiores. Ele é o melhor, mesmo sendo o mais caro.

Leonardo Barboza: A procura de hatches médios vem aumento bastante nos últimos tempos. Com a chegada do novo Ford Focus e do Volkswagen Golf, a disputa ficou ainda mais acirrada nesse segmento. Entre os quatro hatches avaliados, o VW Golf provoca “amor à primeira vista”. Além de um belo visual, o carro traz acabamento impecável e ótima dirigibilidade. Nessa disputa, o meu voto vai com certeza para o Golf, mas eu não pagaria  mais de R$ 85 000 por ele. A unidade avaliada, na faixa de R$ 120 000, é cara demais para a categoria.

Nossa conclusão:

1) Volkswagen Golf: 7,7

A larga coluna C é marca registrada do Golf ao longo de suas sete gerações

Com mecânica avançada e a dirigibilidade bem acertada que o consagrou, somadas a uma arquitetura moderna e ótimo conjunto de suspensão, o Golf supera com facilidade seus rivais. Ele também oferece um ótimo catálogo de equipamentos, uma pena que “rechear” o VW custe tão caro. Quando começar a ser feito em São José dos Pinhais, PR, até o fim de 2015 ele deverá ganhar versões mais baratas e um novo motor 1.6.

2) Ford Focus: 7,6

Alguns vãos notados na carroceria do Focus desagradam

Se Honda Civic e Toyota Corolla são os eternos rivais entre os sedãs médios, o mesmo podemos dizer entre VW Golf e Ford Focus. Fruto de um projeto tão recente quanto o do VW – note como os dois quase empataram no resultado final – o Focus se mantém cativante pela ótima dinâmica e o habitáculo envolvente. Apesar do moderno e eficiente 2.0 flex com injeção direta, ficou devendo um pouco em desempenho.

3) Peugeot 308: 7,6

Apenas um discreto logo identifica o 308 THP

Tanto o 308 como o Cruze Sport6 precisam se atualizar agora com a chegada dos renovados Golf e Focus. O Peugeot precisa melhorar em espaço interno, assim como o câmbio poderia fazer uma parceria melhor com seu competente 1.6 turbo. Ainda é um carro com várias qualidades.

4) Chevrolet Cruze: 7,4

O visual do Cruze Sport6 ainda agrada

Um dos grandes problemas do Cruze, além do desempenho fraco frente aos rivais com motores bem mais atuais, é a pouca oferta de equipamentos desejados nessa categoria, como a central multimídia, o que obriga o interessado a partir para a versão topo de linha LTZ. 

 

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