Às vésperas de uma geração inteiramente nova, Mercedes-AMG GLE 43 traz força bruta sob o capô, mas adota soluções datadas

 

Texto: Gustavo de Sá

Fotos: Renan Senra

Se você é fã de tecnologia, já deve ter lido ou ouvido falar em algum momento o termo obsolescência programada. Este nada mais é do que o prazo pré-determinado o qual todo produto tem planejado para ficar datado – ainda que funcione perfeitamente. O objetivo para esta prática é simples: estimular a troca do item usado por um novo e, assim, manter girando a roda do consumo. Isso aplica-se aos segmentos de celulares, televisores, computadores e até mesmo – adivinhe – aos carros!

Com esta ideia em mente, os automóveis são projetados em ciclos de vida pré-definidos, que podem variar (em média) de cinco a oito anos para uma mesma geração – períodos que podem ser maiores ou menores de acordo com a categoria e posicionamento dos modelos. E é no final do período de vida da atual linhagem que está o Mercedes-AMG GLE 43 testado nesta edição. Rebatizado com o nome atual em 2015, ele nada mais é do que a reestilização do Mercedes Classe M de terceira geração, lançado mundialmente em 2011. No exterior, o modelo já sente o peso da idade com linhas mais tradicionais do que concorrentes como Land Rover Range Rover Velar e o recém-apresentado Audi Q8. A preparação promovida pela AMG, entretanto, dá um sabor especial, com para-choques de entradas de ar generosas, belas e grandes rodas de 21 polegadas e saída quádrupla de escapamento.

Na cabine, o acabamento traz apliques em couro por praticamente todo canto que se olha e toca. Os problemas estão em soluções já obsoletas, como a infinidade de botões no sistema de som e os comandos do sistema de ar-condicionado, extremamente simples para um automóvel nesta faixa de preço (R$ 499.900).

Apesar disso, o posto de comando mostra cuidado na hora do desenvolvimento: a posição de guiar é excelente, com quadro de instrumentos, pedais e volante perfeitamente alinhados. Por falar neste último, ele é o ponto alto do interior, graças ao diâmetro reduzido e ao desenho que proporciona encaixe preciso para as mãos.

Desempenho nada obsoleto

Sob a capa plástica, há
um 3.0 V6 biturbo de
367 cv

Se deixa a desejar no visual da cabine, a conversa muda quando o assunto é desempenho. O SUV alemão traz motor 3.0 V6 biturbo a gasolina, que produz 367 cv de potência e 53 kgfm de torque. Com a ajuda do câmbio automático de nove marchas e da tração integral permanente 4Matic, o conjunto é capaz de levar o grandalhão de zero a 100 km/h em 5s6. Todas os ensaios de retomada feitos no campo de provas da ZF, em Limeira (SP), ficaram abaixo da casa dos seis segundos.

Os dados de desempenho impressionam se considerarmos que o GLE 43 acusa 2.180 kg na balança (peso em ordem de marcha). Outros números nada modestos do Mercedes são os surpreendentes 93 litros de capacidade no tanque de combustível (mais que o dobro do Honda Fit) e os 690 litros de volume no porta-malas (nada menos do que três bagageiros de um Fiat Mobi).

> Confira a tabela completa com os números do teste em pista:

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