Texto: André Schaun
Fotos: Lucas Porto

Com visual mais ousado, GM aposta forte no Camaro 2019 para assumir o trono dos esportivos

Andar com um Camaro conversível laranja nas ruas de São Paulo é estar sempre no centro das atenções, como uma celebridade. A todo instante são pessoas tirando foto e olhando fixamente para o carro, seja adulto ou criança, homem ou mulher, motorista ou pedestre. E não é para menos, o muscle car chega bem renovado no Brasil, com um visual um tanto quanto ousado, além do clássico ronco do motor, que assusta qualquer distraído por onde passe.

Apresentado ao público brasileiro no Salão do Automóvel de São Paulo em novembro de 2018, na versão topo de linha SS, a geração atual do Camaro – a sexta, lançada em 2016 –, passou por uma reestilização em abril do ano passado e gerou uma divisão de opiniões: uns amaram o novo desenho e outros tantos contestaram, achando a dianteira muito extravagante. Eu, particularmente, considero imponente, reforçando ainda mais a imagem de um muscle car.

Vamos ao que gerou polêmica. Os faróis ficaram mais finos que antes e são em LED. O destaque vai para o filete de DRL (luz de rodagem diurna) que contorna o farol e avança em direção ao emblema-logotipo. O capô está bem vincado, reforçando os músculos do carro, o para-choque e a grade estão com novo desenho.

O emblema da marca Chevrolet mudou de posição, e foi rebaixado, ficando logo acima da placa, o que pode causar um certo desconforto visual para quem está acostumado com a famosa gravata-borboleta na grade logo abaixo do capô. A zona central da dianteira, agora é toda preta para ressaltar a esportividade, e não mais na cor do carro.

Outro detalhe criticado foi o emblema da marca na dianteira, mas que é praticamente impossível perceber se não chegar bem perto. Ele tem o contorno prateado e, a princípio, parece ser preenchido de preto, mas não é. O símbolo é todo vazado, mas não é apenas uma jogada estética, tem uma função segundo a GM: captar mais ar e auxiliar o sistema de arrefecimento do motor.

O mesmo visual musculoso e mais moderno foi aplicado na parte traseira. As lanternas em LED invadem a tampa do porta-malas e têm um formato retangular arredondado com efeito 3D; o emblema-logotipo é preto, mas não é vazado.  Na lateral, o diferenciador fica por conta das rodas de liga de alumínio aro 20 com novo desenho e pintura em preto brilhante – na versão cupê as rodas são em pintura acetinada.

Os pneus são 245/40R20 na dianteira e 275/35R20, na traseira, e são do tipo run flat. Não ficou de fora o tradicional logo do Camaro com a bandeira nas cores vermelho, branco e azul, que é claro, não remete à bandeira da França, mas sim as cores da dos Estado Unidos.

Brutalidade em cena!

Antes de entrar no carro, com a chave em mãos, destravo as portas e aciono a abertura da capota de lona do novo SS, que demora pouco mais de 20 segundos para o processo ser concluído, mesmo tempo para o fechamento.

Por dentro, os revestimentos são em couro nas portas e no painel, ele mantém mas há peças plásticas, já que nos Estados Unidos, o Camaro não é um esportivo premium como no Brasil. Há ainda a terceira geração do multimídia que estreia no muscle car. A tela tátil é de 8 polegadas, alta resolução, compatível com Apple Carplay e Android Auto; vale destacar o retrovisor interno com visão da câmera de ré, que é fundamental pela pouca visibilidade quando a capota está fechada. São 24 combinações de cores em LED para iluminar a cabine.

Com a capota levantada, a sensação de abdução ao sentar no banco do motorista é enorme, parece que o motorista é engolido pelo compacto cockpit todo em preto, dando a impressão de ser mais compacto ainda; mas é uma experiência ótima. E como bom esportivo, a sensação que passa é de estar sentado no chão, em posição de pilotagem.

O motor permanece é o mesmo V-8 6.2 de 461 cv de potência e 62,9 kgfm de torque, mas agora acoplado a um câmbio de 10 marchas e não o de 8; o câmbio é a mesmo de seu grande rival histórico, o Mustang, e foi desenvolvido pelas duas fabricantes, GM e Ford.

Com a capota baixada, o que pode ser feito a até 50 km/h -, a sensação “claustrofóbica” é diminuída. Sua brutalidade é apresentada com torque máximo a 4.400 rpm, um verdadeiro tiro.

O ronco, que é um espetáculo, não pode deixar de ser citado. Essa plataforma, herdada do Cadillac ATS, melhorou muito o novo Camaro. em relação à geração anterior. A suspensão é muito mais equilibrada, deixando o carro “na mão”, principalmente naquelas puxadas em curvas proporcionadas pela tração traseira, que dá aquele friozinho na barriga.

É impressionante como ele faz curvas bem, tendo como uma das grandes qualidades a estabilidade. Ao rodar na cidade é necessário controlar o pé, já que o acelerador é extremamente sensível, mesmo dirigindo no modo “Passeio”, que é direcionado para o conforto e pode trabalhar apenas com quatro cilindros para economizar combustível em velocidade de cruzeiro, mas basta dar uma pisadinha que o V8 entra com tudo em ação.

Tem ainda o modo Sport, para um desempenho mais vigoroso e esportivo, obviamente; modo Pista, para uso em circuitos fechados, e modo Neve, para pisos de baixa aderência, que apesar de entender ao pé da letra — já que não temos neve no Brasil, só em pequenas quantidades na região Sul —, ele é bem útil durante uma forte chuva, por exemplo.

E para tanta potência, os freios precisam dar conta do recado, por isso ele vem equipado com freios Brembo, com discos nas quatro rodas, de 345 mm de diâmetro na frente e 339 mm atrás, e pinças de quatro pistões, entregando uma frenagem impressionante. Vale lembrar que carros conversíveis são mais pesados que os fechados devido ao reforço estrutural necessário. O Camaro conversível é 89 kg mais pesado que o Coupé.

Suas 10 marchas não tiraram a esportividade em desempenho e realmente foram eficientes na questão de economia de combustível, registrando 5,5 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada. O preço das duas versões ainda é um mistério, mas atualmente o Coupé custa R$ 315 mil e o conversível R$ 350 mil.

Seu principal alvo no mercado, sem nenhuma dúvida, é o Ford Mustang, que deixou o Camaro comendo poeira em 2018 nas vendas e fechou o ano no topo dos esportivos, emplacando 988 unidades, enquanto o Camaro colocou na rua apenas 93, ficando em 7° no segmento. Para se ter uma ideia, o segundo colocado, o Porsche 911, teve 210 vendas.

Depois de cair 31,11% nos licenciamentos de 2018 ante 2017, a GM aposta todas as suas fichas no reestilizado Camaro 2019 para desbancar seu rival histórico neste ano. Se isso vai acontecer? Só o consumidor dirá, mas que o Camaro vai arrancar suspiros por onde passar, não há a menor dúvida.

Veja a tabela de teste com os números de pista do Chevrolet Camaro Conversível:

 

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