SUV compacto tem visual quadrado, bons equipamentos, motorização aspirada de até 126 cv e custa R$ 152,1 mil na versão topo de linha EXL
O mercado de SUVs compactos brasileiro é cenário de “lutem quem puder”, já que há diversas opções. Inclusive, dentro dessa categoria é possível dizer que há uma subcategoria com os modelos Fiat Pulse, Renault Kardian, Nissan Kait, Volkswagen Tera e Honda WR-V. Dessas opções, o Tera é o que está performando melhor nas vendas com mais de 50 mil unidades vendidas desde o ano passado, quando foi lançado. Lembrando que o Pulse é o mais antigo e tem opção híbrida. Já Kardian se defende com a nova cara da Renault e o Kait tenta ser o que o Nissan Kicks foi no passado.
Neste contexto, a Revista Carro, que já andou em todos esses modelos, exceto Kait, fez um novo teste sendo dessa vez de longa duração (970 km) com Honda WR-V na versão EXL, que sofreu um reajuste de preço saindo de R$ 149.990 para R$ 152.100, um aumento de R$ 2.110. Com visual quadrado, bons equipamentos e motorização 1.5 litro aspirada de até 126 cv, o novo SUV compacto da Honda assume o lugar do saudoso Fit, porém, mesmo com esse apelo, o preço pode jogar o cliente no colo do Volkswagen Tera, que lidera o segmento. O modelo fabricado Taubaté, no interior de São Paulo, custa R$ 141.890, o que é R$ 10.200 a menos do que o utilitário da Honda, que oferece bons níveis de equipamentos, além de seis anos de garantia.
Projeto, espaço e funcionalidades
O WR-V utiliza a mesma plataforma do Honda City, com entre-eixos idêntico 2,65 m de entre-eixos. Além disso, o utilitário mede 4,32 m de comprimento, 1,79 m de largura, 1,65 m de altura e tem porta-malas de 458 litros.
O projeto é de origem indiana, onde o modelo é comercializado como Honda Elevate, e também está presente em mercados da Ásia e Oceania. Em relação ao HR-V, o WR-V é mais alto, mais estreito e mais longo, o que resulta em um porta-malas maior, porém com proposta de acabamento e equipamentos mais simples. A carroceria adota linhas retas, especialmente na traseira, o que favorece o volume do compartimento de bagagens.
A versão topo conta com rack de teto. Os faróis em LED são itens de série, enquanto a grade frontal utiliza acabamento em plástico preto sem pintura.
O acesso ao banco traseiro é facilitado pelas portas mais longas. O espaço interno segue o padrão do City, com boa área para ocupantes. Em contrapartida, o WR-V não oferece o sistema Magic Seat, presente no HR-V, o que limita a modularidade do banco traseiro. Em compensação porta-malas tem capacidade superior à do HR-V e inclui compartimentos para objetos, assim como estepe alojado sob o assoalho.
Conjunto mecânico
O Honda WR-V é equipado exclusivamente com o motor 1.5 aspirado de quatro cilindros, com 126 cv de potência e 15,8 kgfm de torque, associado ao câmbio CVT. Não há opção de motorização turbinada, presente no Tera, Pulse e Kardian. O conjunto é o mesmo utilizado no Honda City. Inclusive, se quiser saber mais sobre a mecânica desse utilitário, a Revista O Mecânico fez um Raio X mostrando todos os pontos de manutenção do modelo.
Diferente dos rivais, a proposta da Honda prioriza durabilidade e padronização mecânica, o que certamente ajudará a ficar mais barato para fazer a manutenção no futuro, assim como fica distante dos motores de três cilindros, fugindo da polêmica se é possível ou não fazer retifica nesses conjuntos. Ademais, o modelo conta com seis anos de garantia e revisões com valores fixos, fatores que pesam no custo de propriedade.
Segurança e equipamentos
Um dos principais diferenciais do WR-V é a oferta do pacote Honda Sensing em todas as versões. O conjunto inclui controle de cruzeiro adaptativo, sistema de frenagem autônoma, alerta de permanência em faixa e assistente de centralização. Todavia, como não tem um freio de mão eletrônico, o controle de cruzeiro adaptativo é desativado sempre quando a velocidade fica abaixo dos 30 km/h, sendo acionado também acima dessa velocidade.
O painel combina mostrador digital de um lado e analógico do outro, configuração já conhecida em outros modelos da marca. O volante possui comandos multifuncionais e aletas para trocas simuladas. A central multimídia oferece espelhamento com e sem fio, além de comandos físicos. O sistema inclui câmera de ré. Há também botões físicos na central e no ar-condicionado digital, o que ajuda a mexer sem ficar caçando funcionalidade na tela. Falando da tela, ela funciona bem com cores vivas e toque igual ao de um smartphone, que conecta sem engasgos com fio e sem fio.
Consumo
Com gasolina, o Honda WR-V pode fazer 12 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada. A média que a Revista Carro conseguiu foi de 12,5 km/l com o combustível fóssil. Já com etanol os dados divulgados são de 8,2 km/l no trecho urbano e 8,9 km/l no trecho rodoviário.
Pontos positivos
Entre os pontos positivos, o Honda WR-V traz motor 1.5 de quatro cilindros associado ao câmbio CVT, além de oferecer seis anos de garantia e revisões com preço fixo. De série em todas as versões, o pacote Honda Sensing reforça a segurança, enquanto o porta-malas maior que o do HR-V, a maior altura em relação ao solo e a posição de dirigir elevada ampliam a sensação de versatilidade e conforto ao volante.
Pontos negativos
Por outro lado, o modelo traz freios a tambor no eixo traseiro e mantém o freio de estacionamento por alavanca, sem acionamento eletrônico. Também chama atenção a ausência de portas USB-C, mesmo em um carro lançado recentemente, além da central multimídia com brilho limitado e alta reflexão. A câmera de ré tem qualidade abaixo do esperado para a categoria, não há câmera 360° nem na versão topo de linha, e o retrovisor interno não conta com função eletrocrômica. Completam o pacote a iluminação interna ainda com lâmpadas halógenas e um nível de equipamentos inferior ao do HR-V.
Preço e concorrência
O Honda WR-V parte de cerca de R$ 147 mil na versão de entrada e chega a aproximadamente R$ 152,1 mil na configuração topo de linha. Entre os concorrentes diretos estão o Volkswagen Tera, o Renault Kardian e o Fiat Pulse, incluindo versões com motorização turbo ou sistema híbrido leve. Lembrando, também há o novo Kait.
Na comparação direta, o WR-V se diferencia pela garantia estendida, pela previsibilidade de manutenção e pela oferta de sistemas avançados de assistência à condução como item de série.
Avaliação final
O Honda WR-V entrega um conjunto focado em mecânica conhecida, segurança ativa e controle de custos ao longo do uso. Em contrapartida, faz concessões em itens de conveniência, acabamento e tecnologia embarcada. O utilitário é um modelo que prioriza padronização e confiabilidade, mesmo que isso implique ausência de recursos já comuns entre concorrentes diretos.













