fábrica Audi em Ingolstadt

O que o mundo está assistindo é sem precedentes. Com a paralisação das atividades industriais e de serviços, o mundo deu uma estancada.  É como se estivéssemos em guerra, como tantas que já ocorreram, mas com uma diferença fundamental: não estamos sofrendo bombardeios.

Em especial, não sentiremos o terror de escutar as sirenes avisando ataque aéreo iminente ou, pior, sabermos haver um foguete balístico em nossa direção, situação que o bom senso nos manda correr para os abrigos antiaéreos ou como os londrinos na Segunda Guerra Mundial, irmos o mais rápido possível para as estações  do metrô em busca de proteção.

Nada na superfície está sendo destruído, arrasado. Continuamos nas nossas casas como se nada houvesse, não faltam gêneros alimentícios, os serviços essenciais permanecem.

Não há interrupção do fornecimento de energia elétrica, gás e água. Postos de combustíveis, intactos, continuam a abastecer veículos de todos os tipos.

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Temos a felicidade de nesta guerra não vermos nossos filhos partirem para a luta, portanto não teremos a tristeza de recebê-los de volta num caixão, isso quando não são dados como desaparecidos em combate.

Uma guerra diferente, sui generis, que ninguém ousaria a prever.

Guerra contra um inimigo que só ser visto nos potentes microscópios e que está por toda parte, chega a ser aflitivo. Um inimigo que nos ataca 24 horas por dia nos sete dias da semana,

Debacle da economia? Ela certamente virá. E feia. Nada disso poderia sair de graça. Mas a nosso favor está um sentimento de união, de solidariedade totalmente inesperado num mundo de disputa por espaço até no trânsito, onde ninguém cede nada, onde o egoísmo impera em todos os setores de atividade.

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Credores imbuídos de uma paciência jamais vista ou esperada. O credor-mor, o governo, postergando recolhimento de impostos. Um clima de elevada compreensão que parece ter tomado conta de todos.

A indústria em geral e a automobilística em particular, parada mas se engajando nessa luta contra o mal maior fornecendo meios para os defensores combaterem melhor, seja em equipamentos de proteção individual para médicos e paramédicos, seja reparando ventiladores pulmonares e até mesmo emprestando veículos para ajudar na logística da colossal operação típica de guerra., além de disponibilizar locais para a instalação de hospitais de campanha.

O combate conta com um ajudante nunca visto em outros, nem em sonho: a comunicação. Não só para os bravos combatentes, mas também, e de capital importância, para todos nós em nossas casas. E comunicação da mais alta qualidade, fixa ou móvel, que por si só nos dá certo alívio ao tirar a sensação de estarmos entregues à nossa própria sorte.

Essa maldita pandemia não durará para sempre — nenhuma dura — e quando ela ceder estaremos prontos para retomar as atividades de sempre, porém com um handicap importantíssimo: as cidades físicas estão intactas, prontas à espera da volta à normalidade..

Não teremos escombros para remover, prédios e casas para erigir de novo, linhas de transmissão de energia elétrica pare restabelecer, sistema de transportes para reorganizar..Tudo permanece pronto, preservado, exatamente como estava quando a guerra começou.. Sem nenhuma disrupção.

Todos teremos aprendido que guerra sem bombardeio existe.


Bob Sharp
Bob Sharp
 é jornalista, foi piloto de competição e teve três passagens pela indústria automobilística. É também o editor-técnico da CARRO e mais um apaixonado por automóveis. Você concorda, discorda ou quer esclarecer algum assunto com o nosso colunista? Envie sua mensagem para: bob@revistacarro.com.br.logo Renault

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