Você já viu Fusca antigo automático? No Brasil, há poucos com o sistema que usa embreagem e conversor de torque juntos

Fabricado na Alemanha para os mercados europeu e americano, o Volkswagen Fusca automático é uma raridade no Brasil. As pouquíssimas unidades existentes por aqui chegaram numa época de importações restritas; provavelmente por meio de consulados. Hoje, são preservadas por colecionadores, como os dois veículos das fotos que ilustram estas páginas. O de cor bege é um modelo Tipo 1 ano 1970 e o azul, um modelo 1302 S ano 1971, ambos com o mesmo motor 1600.

O sistema era chamado de “Automatic Stick Shift” para o mercado americano e apenas “Automatic” para o mercado europeu. Na verdade, o câmbio utilizado não era automático, mas, sim, quase um ancestral do câmbio automatizado. Trata-se do mesmo câmbio do Fusca convencional da época, mas modificado para eliminar o pedal de embreagem e permitir dirigi-lo sem a necessidade da troca constante de marchas.

O câmbio, de quatro marchas à frente, passou a ter apenas três. A primeira marcha virou L (de “Low”), engatada onde era segunda. A segunda, onde ficava a terceira, era bem longa e atingia 110 km/h. E a terceira, na posição da quarta, era a marcha para rodovias. A ré era onde estava a primeira, e tinha uma trava para não ser engatada sem intenção e o carro andar para trás.

A ligação motor-câmbio era feita conversor de torque, tal qual num câmbio automático comum. Por isso, era possível e normal arrancar em qualquer uma das marchas à frente, pois conversores de torque efetivamente multiplicam torque. Só para poder-se fazer o engate manual das marchas, foi preciso uma embreagem como a conhecemos, com platô e disco, mas bem pequena. Seu acionamento é feito por um solenoide cujo interruptor está na base da alavanca de câmbio e sensível ao menor toque nela.

Festival de detalhes
Bastou os Fuscas desta reportagem saírem da garagem para receberem as primeiras propostas de compra de quem passava pela rua – prontamente recusadas, obviamente. Pudera, a cronologia do Fusca e suas características que o diferenciam de ano a ano, de mercado a mercado, são uma verdadeira festa para os entusiastas, dos “tuneiros” aos mais perfeccionistas.

Mesmo com datas de fabricação próximas, os dois carros são bem diferentes em si e chamavam a atenção por onde passavam. Para o mercado americano, o modelo 1302 S, também chamado de “Super Beetle”, tem como principal diferença para o europeu a suspensão dianteira emprestada do Passat, do tipo McPherson – recurso que, por exemplo, nunca foi aplicado no modelo brasileiro. Por isso, suas caixas de rodas são maiores, a frente levemente alongada e alargada e o capô, mais pronunciado.

Outros detalhes importantes do “americano” são itens de adequação à legislação local, como os conjuntos de seta maiores, a adição de elementos reflexivos (olhos-de-gato) nas laterais dos faróis traseiros e para-choque, os obrigatórios faróis do tipo sealed beam. Um charme só, que atrai o olhar de qualquer fã.



Reportagem publicada originalmente na ed. 291 (jan/2018) da Revista CARRO.

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