Texto: Fernando Lalli
Fotos: Lucas Porto

Bom estado de velas e cabos de ignição garante potência máxima e economia de combustível

A maneira mais eficiente de economizar dinheiro com seu automóvel é deixar a manutenção em dia. O sistema de ignição influencia diretamente o desempenho do veículo e, com o preço flutuante dos combustíveis, manter velas e cabos em bom estado pode reduzir o custo de rodagem a longo prazo.

Motores de ciclo Otto podem variar quanto ao modelo e quantidade de bobinas de ignição e quanto à presença ou não dos cabos. Em todos os casos, a vela de ignição trabalha da mesma forma: recebe a tensão elétrica gerada pela bobina – transmitida pelo cabo quando este existir – e converte a tensão em centelha nos seus eletrodos. Essa centelha inicia a queima da mistura ar-combustível formada na câmara de combustão. Quando a mistura está totalmente inflamada inicia-se o tempo da expansão.

Quando velas, cabos e bobinas estão em boas condições e a mistura ar-combustível está na proporção ideal (ou estequiométrica), a combustão da mistura tem tudo para ser a mais eficiente possível e gerar a força para a qual o motor foi dimensionado, sem demandar mais combustível a injeção e emitir poluentes acima do necessário. Lembre-se: essa ação ocorre milhares de vezes por minuto em cada cilindro com o motor em movimento.

Se os componentes da ignição têm algum problema, a queima deixa de ser perfeita e o motor começa a pedir mais combustível para atingir o mesmo desempenho de antes. Por isso, se o seu carro apresenta marcha lenta irregular, falhas nas retomadas, perda de potência ou aumento de consumo, dê uma olhada em velas e cabos.

“Assim como a hipertensão nos seres humanos, a deterioração das velas e dos cabos de ignição é um inimigo silencioso. Ou seja, os sintomas só aparecem quando o quadro já se apresenta bastante grave”, declara o professor de engenharia mecânica da FMU e consultor técnico das revistas CARRO e O Mecânico, Fernando Landulfo. “A resistência elétrica do circuito de ignição vai aumentando à medida que as velas e os cabos vão se deteriorando. Enquanto a bobina (ou as bobinas) de ignição consegue(m) suprir esse aumento de demanda, praticamente nada se percebe. Apenas uma avaliação com um osciloscópio de ignição permite um diagnóstico precoce”, afirma.

Porém, assim que a resistência elétrica atinge valores muito elevados ou o isolamento dos cabos é quebrado devido a trincas por ressecamento, a ignição do motor começa a falhar (seja em um ou mais cilindros). “Como resultado, tem-se um mal funcionamento do motor principalmente na marcha lenta, além de aumento de consumo e emissão de poluentes”, aponta o especialista.

Como evitar problemas?

A inspeção regular de velas e cabos é primordial e deve constar na lista de manutenções periódicas do manual do veículo. Já o período recomendado para a substituição costuma ser um pouco inferior ao previsto para o final da vida útil dos componentes.

Se os planos foram seguidos à risca, a probabilidade de ocorrência de falhas é muito pequena. “No entanto, se o proprietário optar por não seguir os planos de manutenção de fábrica ou se estes não fizerem referência à troca dos componentes, é recomendável a cada 20 mil km uma verificação com leitura via osciloscópio, mais medição da resistência dos cabos e inspeção visual e medição das folgas dos eletrodos”, sugere Landulfo, mas ele aponta que nem toda vela de ignição permite ajuste de folga. “Muitos modelos, principalmente as velas multi-eletrodos, não aceitam ajustes ou medições. Devem ser apenas substituídas quando o período recomendado é atingido”.

Em motores com injeção direta e/ou turbo, os cuidados são exatamente os mesmos, ou seja, trocar na hora certa e utilizar as peças certas. “Cabos incorretos podem sobrecarregar as bobinas e diminuir a sua vida útil, mas as adaptações podem ser desastrosas com relação ao grau térmico das velas. Um erro pode provocar pré-ignição (furo da cabeça do pistão), ou mesmo, o derretimento de parte do cabeçote”, alerta o consultor técnico, deixando claro que um jogo de velas e cabos com a aplicação correta sai bem mais barato que a conta da oficina no pior dos cenários.

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