A Dacia apresentou uma ampla renovação de portfólio para 2026, com foco em eletrificação acessível, mais tecnologia embarcada e redução de emissões. Como a marca romena integra o Grupo Renault, os movimentos anunciados ajudam a antecipar tendências que podem, com as devidas adaptações, influenciar a estratégia da Renault no mercado brasileiro nos próximos anos.
Sandero, Stepway e Jogger: híbrido mais forte e GPL com câmbio automático
Os modelos compactos da Dacia passam a oferecer o conjunto híbrido 155, que combina motor 1.8 aspirado de quatro cilindros (109 cv) a dois motores elétricos, bateria de 1,4 kWh e transmissão automática eletrificada sem embreagem. O sistema entrega 155 cv e 17,3 kgfm, com redução de 10% em consumo e emissões em relação ao híbrido anterior.
No uso urbano, o Jogger pode rodar até 80% do tempo em modo 100% elétrico, sempre partindo nessa condição.
O que isso indica para o Brasil?
A Renault já iniciou sua estratégia híbrida local com o sistema E-Tech importado, mas a evolução da Dacia sinaliza a possibilidade de versões híbridas mais acessíveis e simplificadas para mercados emergentes. Um sistema híbrido pleno (HEV) de custo mais baixo poderia ser aplicado futuramente em SUVs compactos nacionais.
Eco-G 120 Auto: flex com GLP e dupla embreagem
Outra novidade relevante é o motor 1.2 turbo de três cilindros com 120 cv, apto a rodar com gasolina e GLP, agora combinado a câmbio automático de dupla embreagem de seis marchas — inclusive com borboletas no volante.
Além disso, os tanques de GLP tiveram capacidade ampliada, elevando a autonomia combinada (gasolina + GLP) para até 1.590 km no Sandero.
Reflexo possível no Brasil
Embora o GLP automotivo não seja comum no Brasil, o conceito de motorização flex associada a câmbio automatizado eficiente dialoga diretamente com a realidade brasileira. A Renault pode aproveitar essa base técnica para evoluir seus motores 1.0 e 1.3 turbo flex com sistemas híbridos leves (mild hybrid), algo cada vez mais provável diante das novas metas de eficiência energética.
Novo design, mais ADAS e central multimídia maior
A linha recebe nova assinatura luminosa em LED em formato de “T” invertido, painel digital de 7”, central multimídia de 10” com navegação conectada e carregador por indução.
Entre os assistentes de condução estão:
- Frenagem autônoma de emergência (com detecção de pedestres, ciclistas e motos)
- Alerta de fadiga
- Câmera multivisão
- Retrovisores com rebatimento elétrico
No Brasil, a Renault já começou a ampliar a oferta de ADAS em modelos como o Kardian, e a tendência é que esses recursos se tornem gradualmente padrão em segmentos de maior volume.
Duster e Bigster: híbrido 4×4 com GLP é estreia mundial
A grande inovação técnica é o sistema hybrid-G 150 4×4, que combina:
- Motor 1.2 turbo mild hybrid 48V (140 cv)
- Motor elétrico traseiro (31 cv)
- Tração integral sem eixo cardã convencional
- Câmbio automático de dupla embreagem
O conjunto entrega até 154 cv e funciona com dois tanques de 50 litros (gasolina e GLP), garantindo autonomia de até 1.500 km.
A arquitetura usa motor elétrico no eixo traseiro para fornecer tração sob demanda, solução que elimina conexões mecânicas tradicionais e melhora eficiência.
Potencial aplicação no Brasil
A Renault já produz o Duster no país, e uma solução híbrida com tração traseira elétrica seria extremamente estratégica para o mercado brasileiro. O conceito poderia ser adaptado para:
- Versões 4×4 eletrificadas mais eficientes
- SUVs médios com tração integral sem aumento significativo de consumo
- Sistemas híbridos leves mais acessíveis para produção local
Com o avanço do programa Mover (nova política automotiva brasileira), tecnologias 48V tendem a ganhar espaço por oferecerem redução de emissões com custo relativamente controlado.
O que essa ofensiva revela para o mercado brasileiro?
A estratégia da Dacia deixa claro que o Grupo Renault aposta em:
- Híbridos completos mais acessíveis
- Sistemas 48V como solução intermediária
- Tração integral eletrificada
- Redução de consumo via engenharia inteligente, não apenas baterias maiores
- Mais tecnologia embarcada mesmo em modelos de entrada
Para o Brasil, isso sinaliza um possível ciclo de renovação técnica nos próximos anos, especialmente em SUVs compactos e médios, segmento onde a Renault precisa reforçar competitividade.
Se parte dessas soluções for tropicalizada para produção nacional, a marca pode ganhar vantagem importante em eficiência energética sem elevar drasticamente os custos, ponto crucial em um mercado sensível a preço como o brasileiro.







