Comprador entregando chave de carro

Crescimento das negociações entre particulares aumenta os riscos de fraudes. Conheça dicas para se proteger e evitar problemas graves 

Comprar ou vender um carro diretamente entre pessoas físicas pode parecer uma alternativa para economizar dinheiro e agilizar a negociação. No entanto, esse tipo de transação também exige cuidados extras, principalmente em um cenário de crescimento do mercado de veículos usados e do aumento das negociações realizadas pela internet.

Com mais anúncios circulando em plataformas digitais e redes sociais, também aumentaram as tentativas de fraude. Entre os golpes mais frequentes estão anúncios falsos, intermediários que se passam por vendedores e comprovantes de pagamento adulterados. Por isso, especialistas recomendam que compradores e vendedores adotem uma série de medidas antes de fechar qualquer negócio.

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Mercado em alta

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o golpe da falsa venda foi o tipo de fraude mais comunicado por clientes às instituições financeiras brasileiras no primeiro semestre de 2025. Foram 174 mil registros no período, número 314% superior ao observado nos seis primeiros meses do ano anterior.

Nesse golpe, criminosos criam anúncios falsos ou utilizam perfis em redes sociais para se passar por proprietários de veículos, induzindo as vítimas a realizar pagamentos antes mesmo de confirmar a autenticidade da negociação.

O alerta ganha ainda mais relevância diante da movimentação do mercado brasileiro. Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) mostram que mais de 15 milhões de carros usados foram transferidos em 2024, o maior volume registrado nos últimos anos. Com tantas negociações acontecendo diariamente, especialistas apontam que a informalidade ainda facilita a atuação de golpistas.

Para Alan Ladeia, CEO da Carflix, a falta de conhecimento sobre as etapas da compra e venda costuma favorecer esse tipo de crime.

Segundo o executivo, negociações realizadas diretamente entre pessoas físicas nem sempre contam com mecanismos de verificação capazes de identificar inconsistências em documentos, pagamentos ou no histórico do automóvel. Desse modo, a atenção deve ser redobrada durante todo o processo.

Ladeia também observa que muitos consumidores passaram a recorrer a empresas especializadas para reduzir riscos. Essas plataformas oferecem serviços como verificação de informações, consulta ao histórico do veículo e intermediação da negociação, aumentando a transparência para compradores e vendedores.

Dicas antes de fechar negócio

Entre as principais recomendações está desconfiar de ofertas muito abaixo do preço de mercado. Valores excessivamente baixos costumam ser utilizados para despertar interesse imediato e pressionar a vítima a fazer pagamentos antecipados sem realizar as devidas verificações.

Outro ponto importante é evitar negociações feitas exclusivamente pela internet. Sempre que possível, o veículo deve ser visto pessoalmente, em locais públicos e movimentados. Além disso, a confirmação da identidade da outra parte antes da assinatura de qualquer documento ou transferência de dinheiro necessitam cautela.

Também é fundamental consultar o histórico completo do automóvel. A pesquisa permite identificar multas, restrições administrativas ou judiciais, além de informações sobre leilões, sinistros, perda total e possíveis adulterações. Esses dados ajudam o comprador a conhecer a real situação do veículo antes da aquisição.

Por fim, o especialista alerta para o chamado “golpe do intermediário”. Nesse caso, um criminoso copia um anúncio verdadeiro, republica o anúncio por um preço menor e passa a intermediar a negociação sem o conhecimento do proprietário. Quando a venda é concluída, o pagamento acaba sendo direcionado ao fraudador.

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