Texto: Marcos Camargo Jr.
As vendas de elétricos chegaram a 16% de market share no país e agora marcas tradicionais também se movimentam mais rápido. A General Motors amplia sua estratégia de eletrificação no Brasil com a chegada do Chevrolet Captiva EV, SUV médio 100% elétrico que inaugura uma nova fase da marca no país ao mirar um público interessado em veículos elétricos mais acessíveis.
Ao lado da futura versão híbrida plug-in já anunciada, o Captiva EV reforça a presença da Chevrolet em um mercado que cresce, mas se mostra cada vez mais competitivo.
Origem do projeto
Desenvolvido na China a partir da base do Wuling Starlight, fruto da joint venture SAIC-GM-Wuling, o Captiva EV aposta em bom espaço interno, proposta racional e custos mais controlados — características que dialogam com o momento atual do mercado brasileiro de elétricos. Ainda assim, o desafio é evidente.
Segmento congestionado na faixa dos R$ 200 mil
O Captiva EV estreia em uma faixa de preço já bastante disputada, próxima dos R$ 199 mil, onde há uma concentração de SUVs elétricos médios. Entre os rivais diretos estão Omoda 5 EV, GAC Aion V, BYD Yuan Plus, BYD Yuan Pro e Geely EX5, todos posicionados entre R$ 185 mil e R$ 209 mil.
Ou seja, trata-se de um segmento que já conta com múltiplas alternativas bem equipadas, enquanto os modelos elétricos premium da própria Chevrolet — como Chevrolet Equinox EV e Chevrolet Blazer EV — atuam em um patamar de preço superior.
Chevrolet Captiva ou Wuling Starlight
Importado da China em versão única, o Captiva EV se junta à família de elétricos da Chevrolet no Brasil, que inclui ainda Spark, Equinox EV e Blazer EV. Visualmente, o SUV aposta em linhas fluidas, com identidade alinhada aos elétricos globais da marca e emblema Chevrolet tradicional.
O conjunto mecânico é composto por um motor elétrico de 201 cv e 31,6 kgfm, alimentado por uma bateria de 60 kWh. A autonomia homologada pelo Inmetro é de 304 km, enquanto no uso urbano é possível se aproximar dos 400 km, dependendo do perfil de condução.
Dimensões e interior
Ao vivo, o Captiva EV transmite porte maior do que aparenta nas imagens. O SUV mede 4,74 m de comprimento, 1,89 m de largura e tem 2,80 m de entre-eixos, garantindo bom espaço interno para passageiros e bagagem.
O design externo traz inspiração clara no Equinox EV, com dianteira limpa e conjunto traseiro com lanternas de desenho futurista. Por dentro, o padrão segue o que já se espera de modelos chineses: painel minimalista, central multimídia flutuante de 15 polegadas e quadro de instrumentos digital de 8,8 polegadas.
Há, porém, concessões importantes. O sistema multimídia não utiliza a interface MyLink e o espelhamento de smartphones exige conexão por cabo, exclusivamente via USB-A — a porta USB-C é dedicada apenas à recarga. O console central oferece espaço para dois celulares, mas não conta com carregador por indução, item que faz falta em um elétrico com proposta moderna.
Teste em estrada: comportamento e autonomia
O Captiva EV foi avaliado em um percurso de aproximadamente 350 km, entre São Paulo e Campos do Jordão. Com bateria totalmente carregada, o SUV deixou a capital pela rodovia Ayrton Senna e mostrou condução silenciosa, respostas adequadas e desempenho suficiente para uso rodoviário.
Mesmo com proposta mais simplificada, o isolamento acústico é eficiente e os comandos são bem posicionados. Os 200 cv garantem acelerações seguras, mas a ausência de conectividade sem fio com o celular acaba pesando negativamente no uso diário.
A chegada a Campos do Jordão ocorreu com cerca de 120 km de autonomia restante, valor coerente com os cerca de 300 km de autonomia em estrada. Na cidade serrana, há disponibilidade tanto de carregadores lentos quanto rápidos, sendo possível repor a bateria em menos de uma hora em pontos DC.
Avaliação final: proposta correta, desafio grande
Neste primeiro contato, o Chevrolet Captiva EV se mostra um produto coerente dentro da realidade atual do mercado brasileiro, combinando espaço, desempenho adequado e proposta elétrica racional. Um trunfo importante está no plano de produção nacional no Ceará, em parceria com a Comexport, além da preparação de cerca de 400 concessionárias da marca para operar com veículos elétricos.
O sucesso do Captiva EV, no entanto, dependerá diretamente da estratégia comercial da GM. Em um segmento altamente concorrido, preço, condições de venda e pós-venda serão determinantes para que a Chevrolet consiga ganhar volume e relevância entre os SUVs elétricos médios no Brasil. Na primeira tentativa com Equinox e Blazer isso não deu certo, assim como na época do Bolt. Agora eis uma segunda chance.







