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Toyota mantém vendas em alta, mas enfrenta pressão sobre custos e queda de lucro em 2026

Texto: Marcos Camargo Jr.

A Toyota Motor Corporation iniciou o ano fiscal de 2026 com crescimento de receita e volume global, mas voltou a registrar queda de rentabilidade no primeiro trimestre. O movimento reflete um cenário de pressão de custos e, no caso do Brasil, um momento de transição industrial.

A montadora reportou receita de 12,25 trilhões de ienes (cerca de US$ 82,8 bilhões ou R$ 414 bilhões em valores convertidos), crescimento de 3,5% na comparação anual, enquanto o volume global atingiu cerca de 2,41 milhões de veículos, alta de 7,1%.

Apesar do avanço comercial, a rentabilidade recuou. O lucro operacional caiu para 1,166 trilhão de ienes, queda de aproximadamente 11%, enquanto o lucro líquido recuou cerca de 37%, para 841 bilhões de ienes.

Reorganização industrial no Brasil marca nova fase

No Brasil, a Toyota vive uma das maiores mudanças industriais desde a chegada do Corolla. A fábrica de Indaiatuba (SP), responsável pelo sedã por quase três décadas, será desativada até o fim do ano 2026, com a produção transferida para Sorocaba. Até lá o sedã deve ser atualizado enquanto Sorocaba ganhará reforços na produção.

A nova unidade passa a concentrar o Corolla e novos projetos, incluindo modelos híbridos e até uma picape intermediária eletrificada. A mudança faz parte de um plano de investimento de cerca de R$ 11 bilhões até 2030, com foco em eletrificação e nacionalização de componentes.

Motores: gargalo produtivo persiste

Outro ponto crítico foi a dificuldade de retomada da produção de motores no país. Após danos na planta de Porto Feliz (SP), a Toyota precisou paralisar linhas e retomar a produção de forma gradual, inicialmente com motores importados.

A normalização dos motores convencionais só começou em 2026, afetando diretamente o ritmo industrial e a disponibilidade de veículos. No curto prazo, a marca priorizou a produção de versões híbridas do Corolla e Corolla Cross, que demandam arquitetura diferente e menor dependência da linha afetada.

Globalmente há mais desafios

Saindo do mercado nacional a Toyota enfrenta outras dificuldades. A queda no lucro da Toyota Motor Corporation está ligada ao aumento de custos globais e fatores externos. Entre os principais impactos estão as tarifas internacionais, sobretudo nos Estados Unidos, que encarecem a cadeia produtiva, além da alta de matérias-primas e logística, pressionadas por conflitos geopolíticos.

Também pesam a valorização do iene, que reduz a competitividade das exportações, e os investimentos em eletrificação como os feitos na Europa e no Brasil.

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