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Brasil registra pior índice de produção de veículos da história

Fábrica FCA Fiat Betim

Volume total de 1,8 mil unidades em abril representa queda de 99% em relação a março

 

A produção de autoveículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) no Brasil registrou, em abril de 2020, o pior resultado desde o início da série histórica, em 1957. Com a maioria das fábricas paradas devido ao avanço do novo coronavírus, apenas 1,8 mil unidades foram fabricadas no mês passado – o equivalente a uma média diária de 60 modelos. Os dados foram relevados nesta sexta-feira (8) em coletiva de imprensa virtual pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O volume de abril representa queda de 99% na produção em relação a março, que já havia registrado resultados negativos de até 90% entre as duas quinzenas. Na comparação com abril de 2019, quando foram fabricadas 267,6 mil unidades, a retração é de 99,4%.

“Mesmo em períodos de greves ou outras crises no país, nunca houve nível tão baixo de produção no Brasil”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, que ressaltou que a parada das atividades das fábricas foi uma ação espontânea das fabricantes a fim de preservar a saúde dos funcionários, além de adequar o volume de produção em relação à demanda.

As exportações também caíram drasticamente, com nível 76,6% inferior em abril na comparação com março (7,2 mil X 34,9 mil unidades). “Abril de 2020 também foi o pior resultado em 23 anos em relação às exportações”, conta o executivo da Anfavea.

Crise política agrava crise da saúde

Apesar da gravidade dos índices econômicos, o presidente da Anfavea ressaltou a importância das ações de contenção do novo coronavírus realizadas por estados e municípios. “Defendemos as medidas de saúde pública e de isolamento social, importantes para conter o avanço da doença”, explicou Moraes.

O executivo disse que a crise política no Brasil potencializa as perdas causadas pela pandemia em si. “Parte da desvalorização exagerada [do real em relação ao dólar] não é econômica; é política e institucional. Todo dia temos uma crise política. Temos políticos que ainda não perceberam a gravidade da situação e as consequências dessa crise”, afirmou o presidente da Anfavea.

“Poderia ser menos grave essa crise econômica se a gente tivesse a sensibilidade e a responsabilidade dos políticos na coordenação da pandemia”, ressaltou o presidente da Anfavea. “Quanto mais barulho em Brasília, mais dificuldades teremos na economia. Cuidem do Brasil”, protestou Moraes.

Fotos: Arquivo

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