É difícil imaginar um povo tão apaixonado por carros quanto os italianos. Não é à toa que eles os chamam de macchina. Mas se engana quem pensa que essa relação mais que afetuosa limita-se aos carrões esportivos, como Ferrari ou Lamborghini. O povo da “bota” admira carros em geral.
E, como não poderia deixar de ser, a regra também vale para os modelos luxuosos, cujo representante máximo na península é a Maserati, a marca do tridente. No portfólio da fabricante, a posição mais alta é ocupada por um sedã, o Quattroporte, lançado originalmente no Salão de Turim de 1963. O nome, aliás, faz referência ao fato de ele ter sido o primeiro três-volumes 4 portas da marca, que até então se notabilizara pelos cupês.
Pois agora, às vésperas de completar 50 anos, o mais requintado dos Maserati chegou à sua sexta geração. E, embora seja definido pela própria empresa como o mais luxuoso e potente de todos os tempos, o novo Quattroporte não nega as suas origens. Assim, ele continua exibindo uma cabine muito espaçosa, um longo compartimento do motor e, dentro deste, um poderoso V8. A novidade é que, desta vez, o propulsor é biturbo.
“Um pecado!”, poderão exclamar os mais tradicionalistas — e, na Itália, eles são muitos —, mas a escolha baseou-se em um nobre argumento: consumo e emissões. De acordo com a Maserati, a adoção dos dois turbos garantiu não só o melhor desempenho já obtido por um modelo da gama, mas também os melhores resultados em termos de consumo de combustível — e, consequentemente, de emissões.
Ainda no decorrer deste ano, a linha Quattroporte ganhará duas versões com motor V6, sendo uma equipada com tração integral. Para a nossa avaliação, porém, apenas o modelo V8 estava disponível. Ou seja, nada para se lamentar.
A bordo do modelo, chama a atenção a impressão de solidez. Até o ruído das portas fechando é diferente. Com exceção do apoio de cabeça e do retrovisor interno, todos os ajustes são elétricos, inclusive a altura e a distância do volante.
Para acionar o motor, não é preciso inserir a chave, basta pressionar um botão à esquerda do volante, como manda a tradição. O ronco do V8 biturbo não é tão encorpado ou intimidador quanto o do antigo motor aspirado, mas impressiona. E o melhor é que os seus 530 cv e 66,3 mkgf de torque movem os 1 900 kg do Quattroporte com uma incrível suavidade.
O câmbio é automático de 8 marchas, desenvolvido em parceria com a ZF e conta com opção de trocas manuais por meio de duas enormes borboletas junto ao volante. O tamanho delas, aliás, foi o único ponto destoante no sedã. Muito grandes, as borboletas atrapalham o acionamento do indicador de direção(seta). Já o volante de direção tem “peso” mais voltado à esportividade que ao conforto.
Nas bem-conservadas ruas e estradas da Costa Azzurra (como os italianos chamam a região de Nice), o Quattroporte saiu-se muito bem. A suspensão absorveu bem as poucas irregularidades do asfalto e, nas curvas, garantiu conforto e estabilidade na medida certa.
Para quem viaja no banco traseiro, o Quattroporte oferece, além de excelente espaço, mimos como saídas exclusivas de ventilação e ar-condicionado, cortinas elétricas nas janelas e, futuramente, ajuste elétrico dos bancos.
Se você gostou do novo Maserati, pode reservar o seu dinheiro. O sedã já é vendido no país desde maio deste ano por R$ 950.000
Maserati Quattroporte V8
Motor V8, biturbo, dianteiro, longitudinal, gasolina; Cilindrada 3.798 cm3; Cabeçote 4 válvulas por cilindro; Potência 530 cv a 6.800 rpm; Torque 66,3 mkgf entre 2 000 e 4.000 rpm; Câmbio automático, 8 marchas; Tração traseira; Rodas liga leve, 20”; Suspensão dianteira triângulos superpostos; Suspensão traseira multibraço; Comprimento 5,26 m; Largura 1,95 m; Altura 1,48 m; Entre-eixos 3,17 m; Porta-malas 530 l; Tanque de combustível 80 litros; Peso 1.900 kg.

