Nova geração do HB20 puxa fila de novidades da Hyundai para o mercado brasileiro. Confira as mais quentes!

Sem muito alarde, a Hyundai anunciou, em março passado, a compra de novos equi­pamentos e robôs para elevar a capacida­de produtiva da fábrica de Piracicaba (SP) – onde são feitos o Creta e a família HB20 – de 180 mil unidades por ano para 210 mil. O investimento tem como foco atender a demanda em virtude do lançamento da nova geração do HB20, prevista para estrear em setembro deste ano. E aqui revelamos todos os detalhes do hatch e sedã, além de outros modelos da marca que es­tão perto da estreia.

O conceito de nova geração é um assunto polêmico no meio automobilístico. Muitos consideram que é necessário haver mudança integral da plataforma para que a alteração seja considerada como uma nova encarnação. A alteração da plataforma, de fato, traz benefícios como possibilidade de redução de peso, aumento da segurança e novas possibilidades de motorização (como a eletrificação). Porém, a verdade é que cada fabricante lança mão de uma estratégia para equilibrar os custos e oferecer o veículo por preço competitivo no mercado (especialmente no segmento de entrada).

Como é comum em modelos do grupo Hyun­dai-Kia, o HB20 manterá a plataforma nesta se­gunda geração, porém com atualizações estrutu­rais. Apesar de não haver troca da “base”, todas as chapas da carroceria serão novas. O HB20 também terá interior reprojetado e atualizações na mecânica. Conceito semelhante será feito pela Volkswagen com o próximo Golf geração 8, que manterá a plataforma MQB e terá atualizações no visual, motorização e interior.

Mudanças

A principal inspiração para o visual do HB20 se­rá o conceito Saga EV, mostrado pela primeira vez no Salão do Automóvel de São Paulo do ano passado. Na dianteira, o compacto produzido em Piracicaba (SP) manterá o formato dos faróis do Saga, assim como os vincos do capô e o nicho dos faróis de neblina em formato triangular. A gra­de mesclará elementos do conceito e do Elantra reestilizado, que também estava na mostra pau­listana. Os flagras mais recentes indicam que o HB20 voltará a utilizar frisos horizontais na grade, assim como na reestilização de 2015.

Outro elemento do Saga EV que vai estar no novo HB20 é a linha de cintura ainda mais as­cendente do que no compacto atual – o “efeito colateral” direto deste recurso será a redução da visibilidade no banco traseiro, uma vez que a ja­nela ficará ligeiramente menor. Este, inclusive, é um ponto criticado por parte dos proprietários do HB20 atual. Uma das soluções estudadas pela Hyundai é elevar a base do assento traseiro, o que pode prejudicar o espaço para a cabeça.

Ele terá ainda um vinco que nasce no para-la­ma dianteiro e segue em direção ao eixo traseiro. Outro vinco surgirá acima da maçaneta traseira e fará a conexão com a tampa do porta-malas. As lanternas do hatch serão do tipo bulmerangue, mais uma vez inspiradas pelo Saga EV. A placa de identificação será mantida no para-choque, que abrigará ainda as faixas refletivas como no modelo atual.

Já no sedã, a inspiração para o visual da tra­seira será o Elantra reestilizado. Assim como o atual HB20S é praticamente uma cópia em esca­la menor do i40 Sedan (variação do Sonata ven­dida na Europa), o novo HB20 três-volumes será um mini-Elantra. A placa de identificação descerá da tampa do porta-malas para o para-choque, abrindo mais espaço para as lanternas, agora com formato recortado e iluminação em LED nas versões de topo. A tampa do porta-malas terá a extremidade mais pronunciada, como se fosse um defletor.

A cabine também será redesenhada e poderá ter como inspiração o recém-apresentado Ve­nue, com volante de três raios, central multimídia do tipo “flutuante”, duas entradas USB, visor cir­cular para o ar-condicionado digital e tela de alta definição para o computador de bordo no quadro de instrumentos.

Um dos pontos mais sensíveis do atual HB20 é a defasagem na oferta de equipamentos (sejam eles de série ou opcionais). Itens já comuns na concorrência – como controles de estabilidade e tração, botão de partida do motor, chave presen­cial e controle de cruzeiro – não estão disponíveis no Hyundai vendido hoje. Isso mudará com a che­gada da linha 2020, que terá estes itens ao menos como opcionais. Uma das empresas fornecedo­ras de controle de estabilidade para a Hyundai, inclusive, iniciou em maio passado a produção na­cional do componente (que será obrigatório para novos projetos já a partir do ano que vem).

Para oferecer mais o espaço interno, a fabri­cante aumentou o entre-eixos em 30 mm. O mo­delo atual em largura (1.680 mm no atual) e dis­tância entre eixos (2.500 mm). Outra tática para melhorar o espaço para as pernas será a altera­ção do formato dos bancos dianteiros, mais finos.

Na mecânica, serão mantidos os motores 1.0 12V de 80 cv, com câmbio manual de cinco mar­chas, e 1.6 16V de 128 cv, com opções de câm­bio manual e automático, ambos de seis marchas. A novidade será a eliminação de injeção de gaso­lina para partida a frio do modelo menos potente. O atual 1.0 turbo de 105 cv ganha injeção direta, como no i20 europeu, que entrega 120 cv de po­tência e 17,5 kgfm de torque.

O primeiro dos HB20 a estrear será o hatch, entre setembro e outubro, mesmo período em que a primeira geração foi lançada, há sete anos. Já o HB20S virá na sequência, entre o fim deste ano e o início do próximo. Na mesma época a GM irá lançar por aqui a nova geração da família Chevrolet Onix, agora com o mesmo batismo para hatch e sedã. A disputa entre os compactos promete!

Hyundai Santa Fe

A quarta geração do Hyundai Santa Fe traz desenho bastante inspirado no Kona, SUV de porte compacto para o mercado europeu. O destaque é o conjunto de iluminação frontal dividido em três andares, uma tendência observada em modelos como Citroën C4 Cactus e Fiat Toro, entre outros.

Nas medidas externas, o Santa Fe cresceu 79 mm em comprimento (4.770 mm ao todo), 10 mm na largura (1.890 mm) e 65 mm na distância entre­-eixos (2.765 mm). Desconsiderado o rack, a altu­ra permanece a mesma (1.680 mm). Na cabine, a central multimídia passa a ser do tipo flutuante e o console teve a quantidade de botões físicos re­duzida. O SUV ganhou também mais tecnologia, como frenagem automática, assistente de pontos cegos, aviso de tráfego traseiro em ré, assistente de faixas, controle de cruzeiro adaptativo e detec­tor de fadiga do motorista – itens ainda não confir­mados para o Brasil.

Sob o capô, sai de cena o motor 3.3 V6 de 270 cv e 32,4 kgfm para a entrada de um novo 3.5 V6 com 280 cv de potência e 34,3 kgfm de torque. A caixa automática agora possui oito mar­chas (em substituição à antiga de seis) e a tração é integral AWD. Com a geração atual do Santa Fe partindo de R$ 184.900, é difícil imaginar valores abaixo de R$ 190 mil para o modelo de nova ge­ração. A marca, representada pela Caoa entre os importados, espera a estabilização cambial para trazer o novo Santa Fe ao Brasil.

Hyundai Elantra

Já disponível nos Estados Unidos, a reestilização da sexta geração do Elantra também esteve no estande da Hyundai no último Salão de São Pau­lo. Os motivos para a demora na estreia são basi­camente os mesmos do novo Santa Fe: estoque do atual modelo nas concessionárias e instabilida­de cambial.

O Elantra reestilizado adotou faróis triangu­lares, grade hexagonal ainda mais larga e faróis de neblina verticais (também em formato de triân­gulo). Na traseira, a placa de identificação passou da tampa para o para-choque e as lanternas agora têm formato irregular. Com isso, o nome do carro e o logotipo da Hyundai ficam no centro da peça, assim como a lente da câmera de ré. O mode­lo exposto no Salão tinha rodas de 16 polegadas de cinco raios duplos, com visual um tanto quanto conservador.

O Elantra da mostra paulistana tinha bancos em couro com aquecimento, ar-condicionado digital de duas zonas, retrovisor eletrocrômico, controles de estabilidade e tração e central multimídia com te­la tátil de 7 polegadas e compatível com Android Auto e Apple CarPlay. Alguns destes itens, porém, podem ficar de fora da lista final do carro que che­gará às concessionárias até o final deste ano. Na mecânica, nenhuma alteração: serão mantidos o motor 2.0 flex de 167 cv (com etanol) e o câmbio automático de seis marchas. O Elantra atual parte de R$ 90,5 mil.

Hyundai Venue

Toda a indústria automobilística está investindo em SUVs, segmento em crescimento no Brasil e no mundo. E a Hyundai apresentou seu mais novo representante entre os utilitários esportivos com­pactos, de porte menor que o Creta. Chamado de Venue, ele está confirmado inicialmente para Esta­dos Unidos e Índia.

No Brasil, ele ocuparia o espaço onde hoje está o atual HB20X, na faixa dos R$ 72 mil. O proble­ma é a capacidade produtiva de Piracicaba (SP), que opera no limite (já que os investimentos cita­dos no início do texto não suportariam um modelo inédito de volume). Caso a Hyundai bata o marte­lo da produção local do Venue, não espere vê-lo nas concessionárias antes de 2021, já que seriam necessários novos investimentos. Outra alternativa seria novo acordo com a Caoa, que já produz em Anápolis (GO) o Tucson e o ix35, além dos SUVs da Chery.

O Venue possui 4.038 mm de comprimento, 1.770 mm de largura, 1.592 mm de altura e 2.519 mm de distância entre-eixos. Para efeito de com­paração, as medidas do Creta são, na ordem: 4.270/1.780/1.635/2.590 mm. A dianteira mes­cla elementos do Kona e do novo Santa Fe, com conjunto ótico seccionado em duas partes. A gra­de dianteira possui formato externo semelhante à do Creta, mas com colmeia do tipo cruz.

As colunas dianteira e traseira também têm desenho semelhante às do Creta. Já as lanter­nas quadradas têm desenho único em toda a linha atual da Hyundai. Como no Elantra, a pla­ca fica no para-choque e o nome do veículo vai cravado no meio da tampa do porta-malas. No EUA, o Venue traz o mesmo motor 1.6 da famí­lia Gamma II que equipa o HB20, com opções de câmbio manual de seis marchas ou um no­vo automático do tipo CVT. A tração é sempre dianteira.

Hyundai Tucson

Produzido no Brasil desde 2016 (na fábrica da Caoa), o Tucson de nova geração terá sua primei­ra reestilização ainda este ano. Ela será inspirada no modelo europeu, com retoques discretos no visual. Na frente, mudam para-choques, grade e faróis, agora com novo desenho interno. A trasei­ra terá lanternas com formato mais oval e nova tampa do porta-malas.

Por dentro, o painel também será alterado. A central multimídia, que antes ficava entre as saí­das principais de ventilação, cresceu e agora pos­sui o arranjo do tipo “flutuante”, exatamente como no novo Santa Fe. Em outros mercados, o Tuc­son ganhou pacote de recursos semiautônomos, como controle de cruzeiro adaptativo e frenagem autônoma de emergência. Estes itens, porém, podem não equipar o SUV nacional.

O Tucson é oferecido no Brasil em duas versões, por R$ 137.900 iniciais, com motor 1.6 turbo, a gaso­lina, de 177 cv de potência a 5.500 rpm e 27 kgfm de torque entre 1.500 e 4.500 rpm. O câmbio é robotiza­do de dupla embreagem e sete marchas e a tração, sempre dianteira.

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