Priorizando conforto, Mercedes-Benz A 250 Vision tem desempenho de hot hatch e tecnologia de CLS

Outrora o nome “Classe A” batizava um pe­queno monovolume da Mercedes-Benz, mas o hatch médio que o sucedeu em 2013 faz questão de manter distância segura desse passado. O Mercedes-Benz A 250 Vision é a evolução do modelo que, nesta segunda geração, ficou maior e melhor, tanto interna quanto externamente. Em relação ao anterior, lançado em 2013, suas linhas estão mais sisudas, porém, em um sentido mais esportivo, preservando a jovialida­de inerente a um veículo desta categoria.

Ganhou a identidade de design dianteira do CLS e, também, o mesmo painel de instrumentos digital integrado ao multimídia, formado por duas telas de 10,25 polegadas. Esta é a grande atração para quem toma contato com o modelo pela pri­meira vez. O conjunto não só é bonito como tam­bém é prático. Apesar de não ter cobertura, sua leitura não é atrapalhada pela incidência de luz, é intuitivo e possui diversas possibilidades de confi­guração, seja de cores como de instrumentação. Outros ótimos painéis e multimídias de marcas pre­mium ficam inapelavelmente envelhecidos se com­parados a este. Bela cartada da Mercedes-Benz em trazer a tecnologia para seu modelo de entrada. Se é que podemos chamá-lo assim.

O A 250 Vision ainda traz o sistema MBUX, assistente por voz que reconhece português para realizar funções como o ajuste do ar-condicionado e da persiana do teto solar, por exemplo. Porém, em nossa convivência com o veículo, este sistema não reconheceu os comandos com tanta facilidade quanto o novo BMW Série 3, que também tem sis­tema semelhante.

Bem-estar social

À parte o painel high-tech, o acabamento em geral tem qualidade acima do esperado em quase todos os aspectos, exceto pelos botões do ar-condicio­nado parecerem delicados demais. Prefira o co­mando da climatização pela tela do multimídia.

Como um carro versátil para toda a família, há 3 memórias de regulagem do banco, igual aos sedãs de luxo, e um sistema de bem-estar a bordo com um recurso de “cinética do banco” para ativar a musculatura das costas. Também para auxiliar em longos trajetos, o motorista pode escolher entre o controle de velocidade de cruzeiro e o limitador de velocidade máxima.

O espaço para dois adultos nos bancos trasei­ros é apenas razoável, e o túnel central pode in­comodar um terceiro ocupante. O porta-malas, no entanto, ganhou 29 litros, passando a 370 litros de capacidade, além da abertura de carga 20 cm mais larga e o assoalho do porta-malas 11,5 cm mais longo. Ainda de acordo com a Mercedes-Benz, houve foco especial na visibilidade ao redor do ve­ículo, que reduziu a área de sombra das colunas em 10%.

“Sleeper”

O comportamento dinâmico do A 250 Vision é “padrão Mercedes” – ou seja, impecável. Percebe­-se, entretanto, que seu acerto é voltado para o conforto. Mesmo no modo “Sport”, com a direção mais firme e as acelerações mais imediatas, este Mercedes permanece mais pacato que outros hot hatches, o que revela sua proposta de modelo para uso diário e não de um esportivo. Este papel está reservado aos futuros modelos AMG que vão deri­var dele.

Porém, tomando como base esportivos com­pactos de preços e potências semelhantes, o de­sempenho de pista do A 250 Vision é digno de nota. Com 224 cv em seu motor 2.0 turbo, o Mer­cedes-Benz está mais próximo do Volkswagen Golf GTI (230 cv) do que do Honda Civic Si Turbo (208 cv), mas sua relação peso-potência é a pior dos três (6,4 kg/cv, contra 6,3 kg/cv do Honda e 5,7 kg/ cv do VW). Mesmo assim, acelerou de zero a 100 km/h em 6s86 – apenas 0s5 mais lento que o Golf GTI e 0s7 mais rápido do que o Civic Si.

Em retomadas, não é possível uma comparação direta com o esportivo japonês porque o Civic pos­sui câmbio manual de seis marchas, enquanto o A 250 Vision tem câmbio de dupla embreagem de se­te marchas. Se comparado novamente ao Golf GTI (câmbio de dupla embreagem com seis marchas), o hatch de Stuttgart foi em média 0s7 mais lento que o modelo da VW. Pouca diferença, considerando as diferentes propostas de cada um.

Além de veloz, o hatch da Mercedes-Benz aproveita muito bem cada gota de gasolina: em modo econômico, faz 10,2 km/l na cidade e es­pantosos 17,8 km/l em rodovia, média PECO de 13,6 km/l. Embora o tanque seja de apenas 43 litros, seu consumo permite uma autonomia mé­dia de 584 km.

Todo esse conjunto que beira o exemplar se reflete na etiqueta. Nesta configuração, o Mer­cedes-Benz A 250 Vision custa R$ 194.900. O desempenho é de hot hatch, o consumo é de compacto, o conforto ao dirigir é de sedã, mas o preço é de SUV.

Veja a tabela de teste com os números de pista do Mercedes-Benz Classe A 250 Vision:

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