Atual geração entrega um desempenho de grudar no banco

Em muitos filmes com criaturas e monstros assustadores, sempre que eles são captura­dos, e presos com correntes ou enjaulados, toda sua fúria é mostrada ao tentar se sol­tar, mas limitada por movimentos, enquanto a população observa espantada e torcendo para que o ser não consiga se libertar. Pois é, essa é a sensação de estar a bordo de um Audi RS 5 Cou­pé no trânsito, acreditem.

O “monstro verde”, preso no engarrafamento, é observado por todos, que tiram fotos, fazem vídeos e apontam com olhares impressionados. O imponente ronco do motor pode ser compa­rado com o rugido dessas criaturas, e enfrentar o congestionamento dentro de um carro com tal performance é ser um estranho no ninho, dando realmente a sensação de estar preso com uma corrente e louco para se soltar.

A brutalidade da terceira geração do modelo pode ser demonstrada pelo torque, que agora é de 61,2 kgfm, um acréscimo de 17,4 kgfm, em relação aos 43,8 kgfm da geração anterior. Como o peso também teve uma redução de 60 kg, a relação peso/torque passou de 39,2 kgfm/kg para 27,4 kgfm/kg, o que é uma grande diferença. A potência é a mesma de antes, com 450 cv, po­rém, o motor é o V6 2.9 biturbo, e não mais o V8 4.2 de aspiração natural. Outra diferença foi o acréscimo de uma marcha ao câmbio, antes o S tronic de dupla embreagem, agora automático epicíclico de 8 marchas. O preço de todo esse conjunto é de R$ 556.990.

Os modelos RS carregam uma tradição e uma mística tão grandes, que vale a pena relem­brar como o primeiro modelo esportivo da Audi desembarcou no Brasil. Chegou pelas mãos de ninguém menos que Ayrton Senna, em março de 1994, com a perua RS 2 Avant. Senna, e seu irmão Leonardo, haviam sido nomeados recente­mente importadores oficiais Audi com a empresa Senna Import.

A RS 2 Avant, que foi desenvolvida em par­ceria com a Porsche, teve apenas 2891 unidades produzidas, equipadas com o motor 2.2 turbo de 5 cilindros, capaz de entregar 315 cv de potência e 41,6 kgfm de torque, com câmbio manual de 6 marchas.

Por fora, o novo Audi RS 5 Coupé tem um vi­sual bem ousado com seu capô vincado, enorme grade do tipo colmeia, com a assinatura RS, e fa­róis de LED. As rodas são de liga leve de alumí­nio de 20 polegadas com pneus 275/30ZR20. A traseira é marcada por suas lanternas em LED e saída dupla de escapamento.

O interior do RS 5 Coupé é completamente em preto com materiais bem sofisticados e man­tendo um caráter esportivo. Os bancos, com as­sinatura RS no encosto de cabeça, são em couro e alcântara, assim como os revestimentos laterais. O painel tem materiais emborrachados, plástico de boa qualidade, imitação de fibra de carbono e detalhes cromados. O volante multifuncional com base plana, e assinatura RS, é em couro perfura­do, assim como a manopla do câmbio.

Uma curiosidade, é que a tela da central multi­mídia, de 8,3 polegadas, não é tátil o que é, a meu ver, positivo, pois não deixa marcas de dedos. Apple CarPlay e Android Auto funcionam muito bem. Para facilitar a vida do motorista, há o sis­tema MMI Touch presente no console central, em que basta girá-lo para trocar as funções, e na la­teral do console ainda tem opção de volume; que também pode ser ajustado pelo volante. No caso de memorização de emissoras de rádio, são oito botões que respondem ao toque de forma bem sensível.

Como conforto e segurança, ele traz como destaque massageador nos bancos, ar-condi­cionado digital de três zonas, sistema de som Bang&Olufsen 3D de 755 watts de potência, com incríveis 19 alto-falantes, entregando um sistema de som magnífico.

Habitat Natural

Andar pela cidade, obviamente, é muito bom e confortável, e nas ultrapassagens, não preciso me aprofundar para dizer que o RS 5 o faz com facilidade, seu torque é realmente algo impres­sionante, chegando a ser assustador; o toque no acelerador deve ser feito de forma sutil. Mas extra­ímos pouco de seu desempenho pelos limites de velocidade e pelo trânsito. Porém, saindo de São Paulo e partindo para o campo de provas no inte­rior, em Limeira, seu instinto verdadeiro começa a aparecer.

Dentre diversos recursos do painel digital, o Audi Virtual Cockpit, o que mais chama a aten­ção é que ao lado do conta-giros – lado direito do motorista – há um recurso que mostra a porcen­tagem de torque e de potência que estão sendo aplicadas naquele exato momento, o que é bem divertido. Os modos de condução são: Drive, Comfort, Dynamic, Individual e Sport.

No campo de provas, onde o esportivo pôde mostrar todo seu desempenho. Na aceleração de 0 a 100 km/h gastou 3s6, e para se ter uma noção da sua brutalidade, gastou 13s2 para fazer o 0 a 200 km/h, marcas semelhantes à oitava geração do Porsche 911, que realiza o 0 a 100 km/h em 3s5, e tem os mesmos 450 cv de potência, mas o Porsche custa R$ 122 mil a mais que esse Audi.

Nos números de retomadas, o RS 5 também atingiu marcas expressivas, indo de 80 km/h a 120 km/h em 2s5. Mas, com tanto torque e po­tência, a frenagem tem que ser bem eficaz, e nes­te caso, ela é mesmo, de 100 km/h até a parada total, o coupé percorreu apenas 34 metros.

Em todas as fases de teste, seja em cidade, estrada ou campo de provas, a suspensão multi­braço e a tração integral quattro, que divide a for­ça motriz de forma variável entre os eixos traseiro e dianteiro, distribuindo a potência para todas as quatro rodas, entregou extrema firmeza, estabili­dade e segurança em todas as situações de pista e terrenos.

O câmbio automático de 8 marchas realiza trocas quase imperceptíveis, mas há a opção de trocas manuais pelas borboletas. Em trecho ur­bano, a média de consumo foi de 7,3 km/l, já no rodoviário, foi de 11,2 km/l.

Ele tem ainda três opcionais: Assistance Tour, que traz itens como controle de velocidade de cruzeiro adaptativo por R$ 14 mil, freios de cerâ­mica por R$ 45 mil e teto de fibra de carbono por R$ 22 mil.

 

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