Volvo XC60 D5 Momentum e Toyota SW4 SRX Diamond originam-se de equações completamente diferentes para disputar o mesmo cliente de SUVs diesel no Brasil

Texto Fernando Lalli

Fotos Renan Senra

Um vem da elogiada plataforma de veículos leves SPA, que revolucionou a linha de sua marca. O outro segue a fórmula de um SUV à moda antiga: sua base é uma picape amplamente reconhecida pela robustez. Apesar dos conceitos diferirem totalmente, Volvo XC60 D5 Momentum e Toyota SW4 SRX Diamond acabam inseridos no mesmo contexto de mercado aqui no Brasil.

A proximidade entre os preços da versão básica do SUV sueco (R$ 275.950) e do topo de linha da marca japonesa fabricado na Argentina (R$ 267.690) os colocam lado a lado na lista de escolhas do principal perfil de consumidor de SUVs diesel: clientes de classe A e B que moram no interior do País, próximos a grandes centros urbanos fora do eixo Rio-São Paulo.

A motorização diesel é a terceira do SUV médio da Volvo que desembarca no país. O alvo da fabricante sueca é o Land Rover Discovery Sport, que entre as marcas premium estava praticamente sozinho com essa opção de combustível na faixa entre R$ 250.000 e R$ 300.000 (ele só não entrou neste comparativo porque a fabricante não tinha uma unidade disponível para avaliação até o fechamento da reportagem).

Porém, exatamente nessa fatia de mercado entra o SW4 – que, teoricamente, deveria concorrer com o Chevrolet Trailblazer, baseado na picape S10 e R$ 25 mil mais barato. Mas os números de venda do grandalhão da Toyota são um fenômeno impossível de ignorar: segundo a consultoria JATO Dynamics, mesmo com preço básico de R$ 250.990, o SW4 é o segundo SUV a diesel mais vendido do Brasil, só perdendo para as versões do Jeep Compass com motor Multijet. Entre janeiro e outubro de 2018 foram emplacadas exatas 9.001 unidades a diesel do Toyota SW4. Destas, 1.031 só da versão SRX Diamond, que oferece acabamento interno e externo diferenciados.

Há revestimento em couro branco nas três fileiras de bancos, nas portas e até no painel. Motorista e passageiro dianteiro receberam sistema de ventilação dos bancos ajustável pelos comandos de climatização – cujo sistema é de quatro zonas – e o sistema de som é da JBL, com subwoofer na tampa do porta-malas. Como assistência ao motorista, traz controle de velocidade de cruzeiro, controle eletrônico de estabilidade e tração, assistente de subida, de descida e de reboque, distribuição eletrônica de frenagem e assistência em frenagem de emergência, além de faróis full LED e sete airbags (frontais, laterais, de cortina e de joelho para o motorista).

O XC60 D5 Momentum não tem a terceira fileira de bancos e seu interior é bem mais discreto, mas o espaço no banco traseiro é satisfatório (mesmo 12 cm mais curto no entre-eixos), tem ajuste lombar no banco do motorista, painel de instrumentos totalmente digital e sistema multimídia bem mais avançado – o do Toyota de TV digital, porém sequer é compatível com Android Auto e Apple Car Play. Além disso, o SUV da Volvo não só vem com os mesmos controles de estabilidade, tração e auxílios de frenagem (exceto de reboque) como traz de série controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência na faixa e o sistema semiautônomo “Pilot Assist”, que assume parcialmente o controle do veículo em linha reta e até em curvas de ângulo mais suave em velocidades de até 130 km/h.

Isso sem falar nos recursos de prevenção de acidentes, como os assistentes para mitigação de colisões de pista oposta e saída de estrada, o “City Safety” (que freia ao detectar carros, ciclistas, pedestres ou animais de grande porte no caminho) e os faróis em LED direcionais.

Denominador comum

Se os pontos fortes dos utilitários a diesel são torque e autonomia, tanto o Volvo quanto o Toyota não decepcionam em nada. O SW4 traz debaixo do capô o mesmo motor D-4D 2.8 de 4 cilindros da Hilux, com turbo de geometria variável e intercooler, que gera 177 cv a 3.400 rpm e 45,9 kgfm de torque a 1.600 rpm. Já o motor do XC60 D5 é mais compacto: 2.0 turbo de 4 cilindros, também com intercooler, capaz de atingir 235 cv a 4.000 rpm e 48,9 kgfm entre 1.750 e 2.250 rpm. É dotado de um sistema chamado PowerPulse, que em rotações abaixo de 2.000 rpm introduz ar comprimido com até 10 bar de pressão no escapamento para impulsionar a turbina do turbocompressor e diminuir o retardo de resposta ao acelerador.

Ambos os SUVs são equipados com câmbio automático, de seis (SW4) e oito (XC60) marchas, mas os sistemas de tração são bem diferentes. No Toyota, a tração 4×4 é temporária, com seletor no painel para escolher entre as configurações 4×2, 4×4 e 4×4 reduzida. O bloqueio do diferencial traseiro pode ser ativado por botão no console central. Já no Volvo, a tração é integral e de distribuição de torque variável, direcionando a força prioritariamente às rodas dianteiras – a potência enviada ao eixo traseiro pode ser de até 50%, variando de acordo com a leitura das condições do piso pela central eletrônica para otimizar a tração.

A média de consumo do Volvo é melhor: 11,8 km/l (10,2 km/l na cidade e 13,7 km/l em rodovia no modo “Eco”) contra 10,9 km/l do Toyota (9,6 km/l em percurso urbano e 12,5 km/l rodoviário, também no modo de condução mais econômico). Porém, o SW4 tem tanque de combustível com capacidade para 80 litros versus 71 litros do XC60, o que faz com que sua autonomia média seja maior: 872 km contra 837 km do SUV sueco.

Vocações naturais

Nos testes da Revista CARRO na pista da ZF em Limeira/SP, o XC60 D5 foi em média 4s62 mais rápido nas três provas de retomada – sendo que na retomada de 60 a 120 km/h o SW4 chegou a ser 5s31 pior. Na aceleração de zero a 100 km/h, outro abismo de mais de 5 segundos: 8s24 para o Volvo e 13s77 para o Toyota. Isso acontece não só pela diferença de 58 cv entre os motores, mas também pelas concepções de transmissão e suspensão — e este é um trunfo para os dois SUVs deste comparativo, dependendo do percurso diário do cliente.

Com tração integral e modo “Off-Road” de condução, o XC60 está preparado para encarar com desenvoltura pisos de pouca aderência. Entretanto, a escolha dos pneus mostra que o SW4 é quem está mais capacitado para o fora-de-estrada: os do Volvo são Michelin 235/55R19 específicos para SUVs urbanos, enquanto o SW4 usa pneus Bridgestone 265/60R18 de uso misto entre asfalto e terra – os mesmos da picape da qual é derivado. A suspensão e o chassi com origem em um veículo de carga ajudam e transmitem mais confiança em condições adversas de piso mais acidentado. O Toyota também tem vão livre do solo 6,3 cm mais alto (29,9 cm contra 21,6 cm do Volvo) e ângulo de ataque bem mais pronunciado (29 graus versus 23,1 graus do XC60).

Por outro lado, o XC60 leva larga vantagem no comportamento dinâmico em ruas e rodovias asfaltadas. Ao volante em perímetro urbano, o modelo sueco é ágil e preciso graças ao ótimo câmbio e à direção eletroassistida. Em nada lembra um SUV de 4,68 m de comprimento e 1,65 m de altura: está bem mais para um hatch médio. Já o SW4 (17 cm mais alto e 11 cm mais comprido) é exatamente o contrário: está longe de ser duro e instável em altas velocidades como a Hilux, no entanto, a carroceria se inclina bem mais nas curvas e se movimenta bastante nas freadas e acelerações mais fortes.

Perto da dirigibilidade do moderno Volvo, o Toyota é um SUV diesel de “raiz” com suas qualidades e defeitos, mas um considerável avanço se comparado à picape de origem. Para os apreciadores do estilo mais “caminhãozinho” de condução, é satisfação na certa. Contudo, cabe a quem pretende a compra, antes da escolha final, definir se a prioridade é a robustez nos trechos de terra que ligam sítios, chácaras e fazendas pelo interior ou o conforto nas longas estradas que cortam o país. As equações de SW4 e XC60 possuem expressões parecidas, mas chegam a resultados bem diferentes.

Veja a tabela de teste com os números de pista do comparativo Toyota SW4 SRX Diamond x Volvo XC60 D5 Momentum:

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