68% dos consumidores da América do Sul preferiram comprar carros nas cores prata, preta e branca no ano passado

Escolher uma cor muito chamativa ou fora do comum na hora de comprar um carro pode trazer algumas dificuldades mais tarde, quando você quiser revendê-lo. Em muitas situações, o dono leva um tempo bem maior para repassar o modelo ou, se estiver com pressa, pode amargar perdas significativas numa negociação com as lojas de seminovos.

Nesses casos o prejuízo é certo. Afinal, o comerciante poderá argumentar que precisará passar o carro para frente o quanto antes, evitando que ele fique muito tempo no estoque. A desvalorização aumenta 10% além da depreciação habitual, que atinge 20% sobre o preço de tabela.

Um automóvel com uma cor sem procura no mercado pode virar um mico na garagem do proprietário ou dos revendedores. Em média, um carro usado leva 30 dias para ser vendido. Outro com tonalidade, digamos, fora do convencional demora até quatro meses para ser negociado, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). Algumas pinturas consideradas incomuns são laranja, azul-royal e verde-limão.

“Por esse motivo, boa parte dos proprietários que escolhem essas cores prefere perder dinheiro e vender seu veículo imediatamente para não enfrentar dificuldades de passá-lo adiante”, analisa Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto.
Para não perder dinheiro, a maioria ainda prefere as cores básicas quando compra um automóvel. Essa opção tem um único objetivo: conseguir revendê-lo mais facilmente no futuro, uma vez que a aceitação entre os compradores é certa para essas tonalidades. Portanto, prata, preto e, mais recentemente, o branco – que antes sofria o estigma de ser “cor de táxi” – representam liquidez garantida para os proprietários.

Preferência de 68% dos motoristas
Juntas, as três cores tiveram 68% de preferência do total de carros novos negociados na América do Sul no ano passado, de acordo com estudo anual realizado pela Axalta Coating Systems, uma das maiores fornecedoras mundiais de tintas automotivas. O levantamento é feito há mais de 60 anos e se tornou uma das referências para o setor. Só o branco representa 29% dessa fatia no desempenho das vendas na região. Depois, aparecem prata (25%) e o preto (14%).

O diretor de negócio da Axalta para o Cone Sul, Mateus Aquino, afirma que o “divisor de cores” para o branco ganhar notoriedade no mercado brasileiro aconteceu depois de as montadoras lançarem modelos de luxo com essa pintura. A tendência mundial acontece desde 2011 e, aos poucos, também influenciou os consumidores do país, avalia o executivo.

“Os carros mais luxuosos e importados com a tonalidade branca definitivamente quebraram o preconceito que existia por ser associada aos táxis. A partir daí, os consumidores com maior poder aquisitivo passaram a comprar os veículos nessa condição. Hoje, o branco está na moda”, revela. Aquino destaca que entre as versões que adotaram essa cor, destacam-se os sedãs médios e grandes, além dos utilitários esportivos.

Bom senso na compra
Para evitar uma escolha mais emocional do que racional, que acarreta problemas no momento da revenda, é necessário ter bom senso na aquisição. O dono da JR Motors Assessoria Automotiva, Harry de Lima Franco Júnior, explica que é possível fazer opções mais ousadas de cor. Isso pode ser viável desde que a pessoa leve em conta o seu próprio perfil e o do modelo de veículo ofertado.

“No caso dos esportivos, o consumidor pode escolher uma cor mais chamativa, como laranja ou azul. Para essa condição, mais tarde ele deverá negociar esse automóvel para um interessado com uma preferência ou um perfil semelhante”, orienta. O especialista acrescenta ainda que esse tipo de versão costuma ser adquirido principalmente por jovens na faixa etária de 20 anos.

Quando o modelo for mais clássico, como os sedãs, Harry sugere tonalidades sóbrias e básicas. “A pessoa precisa pensar que venderá o automóvel no futuro. Afinal, é difícil ver por aí um senhor ao volante de um carro tradicional que tenha uma cor radiante”, diz o consultor.

O perfil de cada cor

  • Preta: Cor básica considerada sempre como uma opção clássica por ser discreta e elegante. Os carros são muito visíveis à luz do dia, mas a sujeira também é mais perceptível.
  • Branca: Altamente visível à noite e traz uma aparência atraente para a maioria dos veículos.
  • Prata: É uma das cores mais populares nos veículos, junto com o preto. A vantagem do prata é refletir a luz durante a noite e ser muito visível. Esconde bem a sujeira. Alguns estudiosos afirmam, no entanto, que no período próximo da noite, essa cor tende a se misturar com a paisagem e pode tornar o automóvel mais difícil de ser visto.
  • Azul, Verde e Amarelo: Foram cores muito populares em décadas passadas, com a vantagem de serem usadas em tons diferenciados – tanto mais fortes quanto mais fracos –, criando uma boa diversidade para as linhas de automóveis. Pesquisas indicam que os homens têm mais preferência pelo azul mais escuro, enquanto as mulheres optam pelo mais claro. Quando estão limpos e conservados podem ser muito atraentes. Em contrapartida, ressaltam a sujeira com mais intensidade.
  • Vermelho: Muito utilizado em carros esportivos e clássicos como a Ferrari. A cor está associada à sedução e velocidade e também é facilmente percebida pelo olhar humano.

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