Honda CTX 700N

Motocicletas custom esbanjam cromados e visual mais clássico, certo? Não necessariamente. Pelo menos é isso que mostra a nova Honda CTX 700N, que acaba de chegar ao Brasil. Apesar de classificá-la como uma custom, a própria Honda admite que desse estilo ela só herda mesmo a posição de pilotagem, já que em todo o restante ela está mais para uma naked… E é justamente isso que a torna uma motocicleta interessante.

O freio dianteiro é muito bom e conta com enorme disco de 320 mm e pinça de duplo pistão

A CTX 700N é integrante da mesma família da qual fazem parte a, já conhecida do brasileiro, NC 700X e também o maxiscooter Integra, por enquanto vendido apenas no exterior. A fim de reduzir custos, os modelos dessa família dividem aproximadamente 55% dos componentes. Estão entre eles chassi, suspensões, rodas, freios, painel, elétrica e o principal: o motor.

O desenho da traseira é simples, mas agradável

Incialmente, a CTX será importada do Japão, ao contrário da NC 700X, que já tem uma boa parte de seus processos de produção feitos na planta industrial de Manaus. No entanto, segundo o próprio fabricante, isso pode mudar. Uma boa aceitação do novo modelo justificaria a produção parcial e a montagem no Brasil, o que incidiria num melhor preço em virtude de incentivos fiscais que ele passaria a ter. Após rodarmos os 1 000 km do Superteste com a CTX 700N, passamos a fazer parte dos que acham que a nacionalização desta máquina é apenas uma questão de tempo. Qualidades para cair no gosto do brasileiro não lhe faltam.

Nas curvas, a CTX nos cativou pela estabilidade. Não fossem as pedaleiras, ela se sairia ainda melhor!

Custom das curvas

No primeiro contato, a acomodação oferecida ao piloto agrada, já a do garupa — que sofre pela falta de um banco maior e alças de apoio — nem tanto. Ao conduzi-la, a sensação é de que o modelo já é um velho conhecido. Apesar das pedaleiras serem avançadas, os comando nos pés são fáceis de ser utilizados. Já o guidão, ao nosso ver, é talvez o componente que mais traga conforto à posição de pilotagem. Ele não só está posicionado em uma boa altura como tem uma ótima empunhadura, com as pontas voltadas para dentro sem exageros.

A nova Honda CTX 700 é imponente. A impressão é de que se trata de uma motocicleta de maior cilindrada

Para passeios curtos ou pequenas viagens, a CTX é digna de muitos elogios, mas em longos percursos ou quando se pilota por longos períodos, a coisa muda um pouco de figura.

O freio traseiro contribui, e muito, para o bom desempenho nas frenagens

Depois de um certo tempo pilotando, o cansaço faz com que as pernas vão se abrindo, perdendo contato com o tanque e, por consequência, ocasionando num posicionamento inadequado: pernas curvadas com os joelhos para fora e os pés para dentro. O resultado? Dores nos joelhos, sobretudo nos condutores mais altos, que provavelmente desejariam pedaleiras posicionadas mais à frente e pronunciadas para fora — algo que, por outro lado, comprometeria parte de sua capacidade de deitar em curvas.

O banco é amplo, garantindo boa acomodação para o piloto. Para o garupa, a coisa muda um pouco  de figura

Aliás, falar das pedaleiras sem entrar no assunto curvas é impossível quando se trata da CTX, já que são elas as responsáveis por limitarem a inclinação da nova Honda. Ambas raspam com facilidade, sendo mais do lado esquerdo que do direito. Isso porque só a pedaleira esquerda conta com um parafuso limitador que tem a finalidade de “avisar” o piloto que já estamos perto do limite. Não por acaso, é em curvas para a esquerda que a grande maioria dos motociclistas se sai melhor. Mesmo assim, nas centenas de curvas por nós contornadas durante o Superteste, a CTX se saiu muito além do esperado… Foi quando tivemos certeza de que realmente ela não é uma motocicleta do tipo custom.

Suave, econômico e com bom fôlego, o bicilíndrico de 700 cm³ da CTX é um de seus pontos altos

Tanto na maneira com que ela entra, quanto como sai das curvas, o novo modelo da Honda nos cativou, se revelando mais divertido do que sua aparência sugere. Ela se mostrou bastante estável e sem qualquer tipo de oscilação, inclusive nas curvas de grande raio e maior velocidade, e o melhor, demonstrando uma agilidade jamais encontrada em uma custom. Realmente surpreende como mudanças bruscas de direção podem ser feitas de maneira fácil e segura.

Apesar  de ser arrojado,  o design da Honda CTX 700N dividiu opiniões

Vale citar que o mérito da boa ciclística deste modelo se deve ao conjunto formado pelo quadro de dupla trave — que em momento algum apresentou torções —, pelas suspensões cuja calibragem está mais para o desempenho que para o conforto, e, também, pelas rodas de 17 polegadas calçadas por pneus de baixo perfil e caráter mais esportivo. Com excessão do ângulo do cáster, ligeiramente mais aberto na CTX, tudo idêntico ao da NC 700X, modelo que já conquistou a fama de ser uma motocicleta bastante ágil e boa de curvas.

Tanto no uso urbano quanto nas estradas, a CTX provou ser uma moto prazerosa de pilotar

Conta-gotas

Nem todos que compram uma moto com 700 cm³, ou se interessam por comprar, colocam o consumo como um dos fatores mais importantes na escolha de um modelo. No entanto, não dá para negar que o fato de uma máquina com essa capacidade cúbica beirar 31 km/l, pode fazer com que a enxerguemos com outros olhos.

O painel é o mesmo da NC 700X, e, ainda que seja legível e bonito, sentimos falta de mais informações, como autonomia

Para conseguir essa façanha, a Honda fez uma pequena alteração no sistema de alimentação e ignição. Segundo a fábrica, na CTX o tempo de injeção de combustível é ligeiramente mais curto e a ignição, levemente adiantada, o que resultou também num funcionamento mais elástico, com o pico da potência sendo alcançado mais tardiamente, ou seja, em rotações mais elevadas. Em contrapartida, tal alteração fez com que a CTX 700N perdesse pouco menos de 5 cv em relação à irmã NC, algo que na prática pouco foi sentido, já que o torque, que é de 6,12 kgf.m a 4.750 rpm, permaneceu praticamente inalterado. Tanto nas acelerações quanto nas retomadas, o novo modelo provou ter vigor suficiente para fortes acelerações e boas retomadas, ambas bastante similares às oferecidas pela NC.

Honda CTX 700N

Para quem não conhece ou jamais teve oportunidade de pilotar uma NC 700X, vale dizer que o motor de 700 cm³ com dois cilindros paralelos tem um funcionamento um tanto peculiar, o que causa certo estranhamento nos primeiros instantes. Isso porque ele é basicamente metade de um motor de automóvel, mais precisamente o do Honda Fit 1,4 litro. Dada essa “origem” no universo automotivo, ele trabalha num ritmo diferente do da maioria dos motores de motocicleta que estamos acostumados a pilotar.

A CTX é uma moto que vai bem na cidade, mas é de estradas que ela realmente gosta... Companhia ideal para viagens!

Ele gira pouco ( a faixa vermelha do conta-giros começa a apenas 6 500 rpm) e seu torque é abundante já em baixíssimas rotações. Leva um tempo para acertar as mudanças de marchas antes que o limitador atue. Outras características observadas neste motor são o baixo nível de vibração e a pouca incidência de calor nas pernas. Seja na cidade ou na estrada, esses dois fatores contam muitos pontos a favor do conforto.

Para quem curte viajar, a CTX deverá agradar... Principalmente nas estradas mais sinuosas

Num piscar de olhos

Você já descobriu que a CTX é uma motocicleta estável, fácil de pilotar e que, além de ter um bom desempenho, é surpreendentemente econômica. O que você ainda não sabe é que ela também é uma máquina segura. Mesmo que seus sistemas de freio sejam teoricamente simples e sem exageros — com apenas um disco de 320 mm e uma pinça simples de dois pistões na frente, e disco de 240 mm e pinça de um pistão na traseira —, ela é capaz de frear com rapidez e em espaços realmente curtos, num piscar de olhos. Além dos sistemas dianteiro e traseiro serem potentes e de fácil dosagem, o modelo ainda conta com ABS como item de série, cujo funcionamento se mostrou exemplar durante nossa avaliação, inclusive nos salvando de alguns possíveis sustos.

Honda CTX 700N

Em se tratando de estética, o painel agrada pela beleza, mas decepciona pela falta de um computador de bordo que mostrasse ao menos o consumo e a autonomia. Já com relação ao design da moto, os gostos se dividiram. Uns gostaram das linhas arrojadas e do visual “black” do modelo, que de fato arrancaram elogios e suspiros por onde passamos. Outros não digeriram bem as formas do novo modelo.

De qualquer forma, a aparência da nova CTX 700 é tão ousada quanto sua proposta, o que torna difícil um palpite sobre o sucesso ou não do modelo. Trata-se de uma motocicleta prazerosa de ser pilotada, econômica e de preço razoável, segundo a fábrica, R$ 32.100,00. Como você pode ver, atraente a CTX 700 é. Resta saber como o brasileiro irá recebê-la.

Em 4 palavras

Cidade: se saiu melhor que o esperado. Seu guidão é largo, mas não a ponto de dificultar a circulação entre os carros. A ciclística e os freios herdados da NC também ajudam no uso urbano. Gostamos!

Estrada: é o seu habitat. Seu motor encara aclives ou longas retas sem perder fôlego, oferece boa acomodação ao piloto e ainda se sai bem em curvas. Um tanque com maior capacidade lhe cairia bem.

Garupa: poderia ser bem melhor, pois falta espaço no banco e apoio para o passageiro. Por conta disso, recomendamos apenas curtos trajetos e passeios não muito longos. Esqueça as longas viagens.

Emoção: partindo do princípio de que a CTX 700N é uma custom, e que é característica do estilo um comportamento “morno” (na maioria dos modelos), a nova Honda surpreende. Ela é ágil  e divertida em curvas.

Conclusão: 8,0

Incomum. Essa é uma palavra que exprime bem o que é a nova Honda CTX 700. A fábrica a classifica como uma custom, mas ela oferece muito mais agilidade que as tradicionais máquinas cromadas. O seu motor, que não só tem um bom fôlego e funcionamento suave, como impressiona nos abastecimentos pelo baixo consumo, também merece ser destacado. Outros fatores que devem contribuir para que muitos se interessem por ter a CTX na garagem são a estética arrojada e o porte, que transmitem a sensação de ser uma máquina mais potente, e o preço de R$ 32 077, razoável para uma moto com muitas qualidades e… incomum!

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