Com carga completa, Nissan Leaf pode rodar 160 km

A discussão sobre o futuro dos carros híbridos e elétricos no Brasil é complexa. Diferentemente de outros países, por aqui não existem facilidades para esses carros. Não há abatimento de impostos ou incentivo fiscal pelo fato de eles emitirem menos gases poluentes. Com isso, as únicas opções disponíveis no país são importadas e chegam às lojas custando (em alguns casos) mais de R$ 200.000.

Apesar disso, não se pode negar que  existe uma demanda por veículos com maior eficiência energética e mais “limpos”. Afinal, é bom lembrar que, apenas na capital paulista, a emissão de gases que contribuem com o efeito estufa (dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, entre outros) ultrapassou 8,2 milhões de toneladas em 2012, resultado de uma frota composta por 6,8 milhões de veículos (motocicletas, automóveis, ônibus e caminhões), de acordo com dados de dezembro de 2012 do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). 

E foi justamente na maior cidade do país que o primeiro programa de táxis elétricos foi implantado. A exemplo do que acontece em outras grandes capitais pelo mundo, como Nova York, Londres e Tóquio, São Paulo adotou um projeto que pretende estabelecer uma frota de táxis “ambientalmente amigáveis”. 

Em junho de 2012, a prefeitura anunciou um acordo com Nissan, AES Eletropaulo e Adetax (Associação das Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo), no qual duas unidades do Nissan Leaf, o primeiro veículo 100% elétrico produzido em série no mundo (que ainda não está à venda no Brasil), foram cedidas a duas empresas de táxi do município pelo período de 3 anos.  “A Nissan entrou com a concessão dos veículos, enquanto a AES Eletropaulo cuida da instalação dos recarregadores e nós escolhemos os motoristas e realizamos os levantamentos mensais de desempenhos dos veículos”, explica Ricardo Auriemma, presidente da Adetax. 

As baterias de íons de lítio que impulsionam o Leaf podem gerar o equivalente a 108 cv e 28,5 mkgf de torque ao hatch.  
“O carro é muito bom, confortável, anda bem. O problema é a autonomia que ainda é baixa”, relatou Alberto Ribeiro, um dos taxistas escolhidos para coduzir o Leaf. Com carga plena, o automóvel pode rodar até 160 km. Para recarregá-lo são necessárias 8 horas conectado em tomada de 110 V ou 220 V. Já nos pontos de recarga rápida, com 440 V, a espera varia de 30 minutos a 3 horas, dependendo da carga existente na bateria. 

Em dezembro de 2012, a prefeitura e as demais empresas que fazem parte do acordo apresentaram os resultados da primeira fase do Programa Táxi Elétrico. Até então, a iniciativa contou com duas unidades do Nissan Leaf, dois pontos de recarga normal (um em cada empresa de táxi) e dois pontos de recarga rápida. Para a segunda fase, foram cedidas mais oito unidades do veículo e outros oito pontos de recarga normal. Nos primeiros seis meses, o programa contabilizou dados interessantes, como uma economia de R$ 1.754,66 em abastecimentos durante 10 000 km rodados. “A economia não se refere apenas ao combustível, mas também à ausência de troca de óleo, filtros, etc. Ou seja, a redução nos gastos de manutenção periódica é tão evidente quanto a de abastecimento”, completou o presidente da Adetax. 

Frota do Prius: aquisição de 20 unidades

 

Além da ampliação da frota de veículos elétricos, houve a estreia — também em dezembro do ano passado — de 20 unidades do híbrido Toyota Prius na frota de táxis da capital paulista. Porém, diferentemente do acordo com a Nissan, os veículos foram comprados pelas empresas de táxi, graças ao Decreto 53 223 da prefeitura, que permitiu expedir 290 novos alvarás para taxistas na cidade. “Isso faz parte de um projeto de renovação da frota, preocupada com a economia e com o meio ambiente. Esperamos totalizar 116 veículos híbridos, 116 flex e 58 acessíveis.” explicou Ricardo Auriemma.

O presidente da Adetax acrescenta que por ser híbrido e não existir um acordo entre a Toyota e as empresas de táxi, o levantamento sobre o desempenho do Prius na frota deverá será mais complicado. Mesmo assim, o taxista Valdir Teixeira, 55, já conseguiu constatar vantagens: “Com o Prius, vou uma vez ao posto, abasteço com 12 litros de gasolina e rodo cerca de 200 km. Quando trabalhava com meu carro anterior, tinha de abastecer mais vezes e com 12 litros não rodava tanto.” 

Apesar de otimista com relação ao futuro da frota, o presidente da Adetax lembra que existem dois grandes obstáculos a serem superados. “É preciso que a tecnologia das baterias seja aprimorada, proporcionando maior autonomia aos veículos. Além disso, o governo deve criar incentivos para esses modelos. Afinal, é inviável para uma empresa pagar cerca de R$ 200.000 por um automóvel elétrico.” É verdade. Mas o mais importante, neste caso, é que os primeiros passos foram dados.   

 

“Preciso educar meu pé”

Valdir Teixeira é taxista desde 1988. Atualmente, trabalha na SM Taxi, uma das 10 empresas que adquiriram o Toyota Prius. Ele conta que teve de aprender a acelerar com mais suavidade, a fim de poder extrair o máximo de economia do híbrido japonês. 

 

“Autonomia é baixa”

Alberto Ribeiro é taxista há 20 anos e trabalha para a empresa Taxi Sampa. Embora reclame da autonomia do Nissan Leaf, Ribeiro diz que é importante investir em carros elétricos pela economia que eles oferecem. “Com mais pontos de recarga a situação ficará melhor” 

Alberto Ribeiro: investimento necessário

 

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